Crédito: Diego Lopes


No exercício de empatia, há uma tentativa em compreender os estados emocionais de outras pessoas. De maneira afetuosa, partilhar também é um componente desta prática. O livro “O menino que comeu uma biblioteca” é o mais recente lançamento da romancista e patronável da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre, Letícia Wierzchowski. Na início da noite desta terça-feira (13) aconteceu a apresentação da obra na Biblioteca do Clube do Comércio, com participação do escritor Tabajara Ruas e mediação da jornalista Tânia Carvalho.

Sobre se colocar no lugar do outro, Tabajara disse que entendeu o que o personagem da história sentiu enquanto lia. “Essa passagem fala sobre um estado de medo em ter um filho, neto, alguém próximo distante, a preocupação em ficar longe da pessoa. E aconteceu uma interferência da realidade, a minha vizinha de porta, bateu lá em casa e me perguntou sobre o Canadá. O meu sobrinho está lá e ela está pensando em mandar o filho dela também. Eu fiquei chocado com aquele momento”, contou.

O autor de “Netto Perde sua Alma” falou o que pensa de Letícia, a pedido da mediadora. “Então, nós somos meio parentes, se não seríamos casados. Ela apareceu lá em casa, em Florianópolis, com uma montanha de papel desse tamanho, era ‘A casa das sete mulheres’. Eu sabia que ela tinha talento e vocação para narrativa. Quando vi aquela papelada, sabia que ela tinha liberado seus demônios”, disse.

Crédito: Diego Lopes


A mediadora e fã confessa dos dois escritores, ressaltou a importância dos mesmos para com a literatura brasileira. “Você sabe o quanto você é importante, né Tabajara? E a Letícia é incrível, é frenética”, brincou. “Ela tem o método, ela tem a paixão pela escrita. É frenética, às vezes, mas também contemplativa”, falou Tabajara ao revelar que “Uma ponte para Terebin” era um dos seus livros favoritos.

Na sua vez, Letícia contou uma história sobre o autor também. “Teve um dia, quando eu ainda estava no começo da minha carreira, vi a capa do Segundo Caderno, e era tu lançando ‘O fascínio’. Falei pra mãe: ‘Um dia eu vou lançar um livro na capa da ZH também!’ Ela me respondeu: ‘Não sonha tanto, minha filha’”, relembrou. A escritora disse que o livro apontado por Tabajara seria um “primo” do “O menino que comeu uma biblioteca”.

A obra conta a história de um menino rodeado de livros que mora em uma casa velha no interior da Polônia. Enquanto isso, uma menina vive em uma cidade simples do Uruguai. O passatempo do menino e de seu avô é mergulhar na literatura, já a menina se distrai com as cartas de tarô da avó. Assim, as vidas dos dois se cruzam. Um dos princípios da alteridade consiste em que uma pessoa, na sua vertente social, tem uma relação de interação e dependência de outra. O eu na sua forma individual só pode existir através de um contato com o outro.

A romancista disse que fez essa relação tanto por ter proximidade familiar com histórias sobre poloneses na Segunda Guerra quanto sobre gostar de ir a Punta Del Este, cidade que floresceu durante o período belicoso. Conforme a autora, o livro também conta a história do hotel uruguaio L’Auberge, bastante conhecido por turistas.

Durante a mediação, Tânia Carvalho disse que “O menino que comeu uma biblioteca” é mais um roteiro pronto para virar filme, novela, série. Após a fala, Letícia Wierzchowski fez uma sessão de autógrafos na Praça da Alfândega.

Crédito: Bere Fischer


Texto – Airan Albino

Fotos – Diego Lopes e Bere Fischer
Mais fotos no Flickr:Clube do ComércioePraça de Autógrafos

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