Foto: Bere Fischer

Em uma noite de união e celebração pela cultura, o Teatro Carlos Urbim lotou para a abertura da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre. O evento, que ocorreu na noite desta quinta-feira (1º), reuniu representantes das classes política e artística, livreiros, patrocinadores e a comunidade porto-alegrense. Trechos de poemas da patrona Maria Carpi, lidos durante a cerimônia, abrilhantaram a noite. A mestre da cerimônia foi a atriz Sandra Dani.

Após a execução do hino da República Tcheca, País Convidado de Honra desta edição, e do Hino Nacional Brasileiro, o presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, Isatir Bottin Filho, deu início às falas. “Neste ano, nosso slogan é Livro Livre – um mundo na praça, livre porque liberta o pensamento e na praça porque é onde o povo está”, disse, destacando que, nesta edição, a feira terá mais de 600 atividades. “Assim como meu pai, que teve a vida dedicada aos livros, e lá se vão 60 anos, eu sigo seus passos, comungando dessa paixão pelo livro, assim como os demais livreiros associados à Câmara”, completou.

Presidente da CRL, Isatir Bottin Filho
Foto: Bere Fischer

Um momento de bastante emoção foi o protagonismo das patronas. A escritora Valesca de Assis, que antecedeu Maria Carpi no patronato, fez um discurso de bastante afeto. “Há um ano estávamos aqui unidos em resistência. Amigos do livro, patrono é alguém que defende e luta por uma causa ou ideia. Quem escolheu ser semente, quem desejou o desejo, está eternamente pronta a germinar”, declarou, homenageando sua sucessora, a Maria Carpi. Seguindo a tradição, ao entregar a chave, Valesca disse à poeta as “palavras mágicas” que só os patronos conhecem.

Valesca de Assis, patrona de 2017, transfere o posto para Maria Carpi
Foto: Bere Fischer

Em um discurso enérgico e apaixonado pela poesia, Maria Carpi iniciou homenageando todos os escritores ao citar Lara de Lemos e Lila Ripoll. “O poeta se distingue pelo dom da imaginação, a partir do real, do palpável. O poeta é aquele que aprecia a realidade e  percebe as pessoas e as coisas mais do que ninguém”, destacou. A escritora também citou Castro Alves, “grande defensor público com o livro O Navio Negreiro” e sustentou que todos são chamados a serem defensores da República. “Precisamos ter paixão, não uma paixão narcisista e sim comunitária. A melhor poesia será o poema social da construção da morada do homem”, afirmou. A poeta foi também muito ovacionada ao afirmar que “seremos porta”  para deixar a poesia chegar a todos.

Patrona Maria Carpi discursa
Foto: Diego Lopes

Representando a República Tcheca, a cônsul-geral da República Tcheca em São Paulo, Pavla Havrlíková, em um belo português, se disse emocionada em ver a bandeira do seu País ao lado da brasileira e a do Rio Grande do Sul. “O texto do hino da República Tcheca fala sobre estar em pátria. Nesses dias, a minha pátria e o meu coração estão aqui em Porto Alegre”, diz. Durante os primeiros três dias de Feira, serão realizadas exposições, ciclo de cinema temático e um grande enfoque na literatura tcheca traduzida para o português.

Cônsul da República Tcheca, Pavla Havrlíková
Foto: Diego Lopes

No lado político, estiveram presentes Patrícia Langlois, diretora do Instituto Estadual do Livro (IEL), representando o Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Ela destacou a equipe da Feira do Livro, que organiza o evento com muita paixão. “Toda vez que o IEL entra em contato com a Feira, há sempre uma facilidade em trabalhar a programação”, diz. Patrícia também parabenizou Maria Carpi e ressaltou que “é importante que tenhamos cada vez mais eventos como a Feira aqui na Praça. que é a sala de estar para receber os amigos”. O prefeito Nelson Marchezan Jr. esteve presente na solenidade e agradeceu a todos os presentes. “Que a Feira do Livro seja a porta de entrada de todos os sentimentos, e que os porto-alegrenses busquem o amor e a fraternidade a partir da convergência mesmo sabendo que somos diferentes”, acredita.

Maria Carpi, entre Fabricio Carpinejar e Valesca de Assis
Foto: Bere Fischer

Representando os patrocinadores másters da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre, o primeiro foi Luciano Silveira, gerente comercial da Banrisul. Para ele, foi uma honra poder representar a instituição e a Vero no apoio ao evento. “Gostaria de parabenizar a todos que participaram da organização e desejar uma bela Feira”, disse. Denis Alessandro, diretor de marketing do Grupo Zaffari, sentiu-se muito lisonjeado. “Acreditamos que só educação e a cultura desenvolvem um povo e a Feira é um instrumento para isso”, diz. O gerente comercial Marcos de Souza falou pela Caixa Econômica Federal e lembrou o papel transformador do livro e que pode estimular a nossa memória e os sonhos. “Só o desenvolvimento intelectual e pessoal de cada leitor contribui para o desenvolvimento de um País. Essa também é a missão da Caixa”, explica. De presente para a Feira, o prédio da Caixa será iluminado com as cores da Feira.

Cintia Moscovich
Foto: Bere Fischer

A cerimônia encerrou com o hino do Rio Grande do Sul e com o toque da sineta por Cintia Moscovich, anunciando as boas-vindas a todos os visitantes que vão encontrar um mundo de imaginação e conhecimento na praça.

Texto – Thais Seganfredo e Rafael Gloria

Posts Relacionados

Deixe uma resposta