A nova geração de escritores da América Latina esteve representada na 64ª Feira do Livro de Porto Alegre com a presença de Pedro Mairal. O argentino é autor de “A  Uruguaia”, livro que virou sensação no mercado editorial latino no último ano e ganhou lançamento em português este ano, pela editora Todavia. No domingo (4), o escritor conversou com a patrona de 2016, Cíntia Moscovich, na biblioteca do Clube do Comércio.  

Frustrado com sua vida amorosa e financeira, o protagonista – um escritor – comete o clichê de viajar para outro lugar em busca de uma aventura que o tire da monotonia cotidiana. Neste caso, vai de Buenos Aires a Montevidéu por um dia, para buscar um adiantamento de trabalhos literários. Nesse tempo, acaba se encontrando com uma moça que havia conhecido no ano anterior. “É uma história triste e bastante sensual e 53% autobiográfica”, brincou, confessando que escrever a obra salvou seu casamento, pois “o caos da vida cotidiana acaba se ordenando na escrita.”

Boa parte do sucesso de “A Uruguaia” vem de sua estrutura, que foi comentada por Cíntia. Isso porque o ritmo narrativo do livro é frenético, de se ler sem pausas, em um só mergulho. “A história acontece em um dia e isso me permitiu algo que os músicos chamam de base melódica. O livro tem momentos como se fossem tobogãs, que você sobe e toca o solo no último instante. Quando o leitor está quase asfixiado, termina”, comentou. O autor também explicou que a divisão dos capítulos se dá a partir dos diferentes espaços que o protagonista frequenta e também por temas, como se fossem microensaios que terminam em suspense, deixando o leitor ávido por saber o destino do réu confesso.  

Tudo isso parte também do que Mairal chama de “periferia da experiência”, que é algo que lhe atrai enquanto temática literária. “Você vai na rua e é quase atropelado por um carro, mas você não é atropelado. O que acontece ao redor da vida, aquilo que não acontece ou aquilo que temos medo que aconteça também são matéria-prima para o escritor”, disse.

Mairal também contou como foi surpreendido ao ver o sucesso do livro crescendo nas redes sociais. “Era algo que se expandia, como um vírus”. Após vencer o prêmio Tigre Juan de melhor romance em 2017, a obra ganhou tradução para quase 10 idiomas, entre eles o português. Admirador de Guimarães Rosa e de cancionistas brasileiros, como Chico Buarque, o escritor relembrou que a tradução o preocupava. “Há um coloquialismo, porque o protagonista está confessando à sua esposa a estupidez que ele fez no Uruguai. E isso só funciona com uma boa tradução”, disse. Após a conversa, o autor autografou a obra na Praça dos Autógrafos.

Texto – Thaís Seganfredo
Fotos – Diego Lopes

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