O professor da Universidade de Bolonha, Giovanni Ricciardi, autor de livros como “Biografia” e “Criação Literária e Auto-Retratos”, lançou na 64ª Feira do Livro de Porto Alegre o livro “Utopia, Resistência, Perda do Centro: a literatura brasileira de 1960 a 1990”, uma leitura socióloga com entrevistas feitas durante a década de 1980 e 1990. O foco é na produção literária ao longo de trinta anos e reúne análise crítica, seleção de textos e entrevistas com escritores brasileiros cuja produção ocorreu pouco antes, durante e logo depois do regime militar. O lançamento é da ediPucrs, e contou também com a  colaboração do patrono da Feira do Livro de 2007, o escritor e professor Universitário, Antônio Hohlfeldt.

No painel nesta sexta-feira, 2 de novembro, No Rastro do Autor – A Experiência de entrevistar escritores, Ricciardi dividiu com o público as suas lembranças dos encontros e entrevistas com os escritores que entrevistou e conheceu aqui no Brasil. Ao longo da sua exposição, fez várias referências e leu alguns trechos de entrevistas, como a de Mario Quintana. Em seu livro, Ricciardi fala de autores que tiveram participação na resistência à repressão, como Ferreira Gullar e Erico Verissimo. Além de escritores que tiveram problema com censura, como Rubem Fonseca. Entre as obras em destaque estão três romances: Hotel Atlântico, de João Gilberto Noll, Um táxi para Viena d’Áustria, de Antônio Torres, e Estorvo, Chico Buarque.

Durante a rememoração da trajetória da sua pesquisa, Ricciardi comentou que na década de 1990 os autores preferiam iluminar alguns pontos da realidade, para ele uma época com uma espécie de desencanto com a sociedade. “Esse contos são como pontinhos brilhantes que juntos ajudam a iluminar e refletir aquele período do País”, conta.  O roteiro básico de suas entrevistas seguia os principais tópicos de sua pesquisa em torno da sociologia da literatura, sua área: os processos de criação de cada obra e a constituição de um conjunto de títulos a serem lidos e conhecidos pelos leitores. O livro vem com um QR code, através do qual é possível escutar cinco das entrevistas. Antônio Hohlfeldt elogia o modo como Ricciardi conseguiu assimilar e entender além da literatura brasileira, também a cultura, a partir das suas entrevistas. “Ele tem esse olhar de quem vem de fora, e consegue fazer uma análise diferente… A literatura pode nos ajudar a entender o Brasil e os momentos que passamos”, acredita.

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Texto – Rafael Gloria

Foto – Diego Lopes

 

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