Juliano Machado no microfone. Crédito: Bere Fischer


Na tarde de quarta-feira (7), o Espaço do Conhecimento Petrobras recebeu os projetos Boquinha e a Rádio Maleta. Criado em 2003, o Boquinha faz parte do jornal Boca de Rua, publicação feita e vendida por pessoas em situação de rua, em Porto Alegre. Crianças e adolescentes, ligados aos integrantes do jornal, que participam de oficinas lúdicas e educativas. O resultado dessas atividades gera um encarte infanto-juvenil.

A Rádio-­Maleta nasceu de uma necessidade de educadores do Polo Marista de Formação Tecnológica ao fazerem transmissões em eventos fora da escola. Ela permite a elaboração e execução de gravações em áudio com alta qualidade e baixo custo. Sua tecnologia é baseada no conceito de sustentabilidade e reciclagem de materiais. Com sua mobilidade, a Rádio-Maleta já foi para Foz do Iguaçu, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Fortaleza.

Na Feira do Livro, a proposta era unir as duas iniciativas. Erick Oliveira (15 anos, do Boquinha), José Augusto (15, Boquinha), João Matheus (14, Boquinha), Júlia, Monteiro (14, Boquinha), Ana Júlia (14, Polo Marista), Débora Moura (16, Polo Marista) e Leandra dos Santos (15, Polo Marista) fizeram um programa contando um pouco de seus projetos e debateram temas sobre o cenário político e social do país, como as fake news. A ideia da rádio foi de Juliano Machado, educador no Polo Marista. Com seis meses de projeto ele visa uma evolução. “A nossa locomoção está melhorando. Começamos com um equipamento que veio de um caça-níquel, era muito pesado. Agora na maleta, já está um pouco mais leve, e assim a gente vai”, afirmou.

Margareth Rossal. Crédito: Bere Fischer

O que é público e o que é privado? Parece uma pergunta fácil. Será? Vamos ver. O público é de muita gente. São as praças, a Redenção, o Parcão, o Marinha, o Mercado Público, o posto de saúde, algumas escolas e universidades. E a rua, claro. Privado é uma coisa ou um lugar que tu compra ou aluga. Até aí tudo bem, mas depois complica (Apresentação do jogo Boquinha Livre).

Uma pesquisa de campo, planejada em 2015, pela Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação (ALICE) teve a ideia de montar um roteiro sobre o que é público ou privado por Porto Alegre. “O Boquinha é o jornal da fala das crianças, elas podem surgir com as pautas. E, nesse ano, nos foi solicitado fazer as reuniões dentro da programação do Fórum Internacional de Software Livre”, explica Margareth Rossal, coordenadora do Boquinha e membro da ALICE.

O jogo consiste em responder uma série de perguntas sobre locais da Capital, se são públicos ou privados. Acertando, você dá sequência no “tabuleiro” e ainda pode visualizar onde fica esse espaço, além de ter uma explicação sobre esse local. Nas mostras desde o seu lançamento, o jogo passou por uma modificação que fomentou a sua criação: o Aeroporto Internacional Salgado Filho, que passou de público para privado.

Por meio da fala, o Boquinha Livre foi criado para inserir um debate complexo no cotidiano dos adolescentes, sobre a ocupação de espaços públicos e a conscientização em locais privados. E tão importante, também, a Rádio-Maleta amplia a voz de trocas sobre educação por onde passa. Durante as mostras no Espaço do Conhecimento, talvez os dois grupos não prestaram atenção na simplificação que fizeram de dois formatos super valorizados no campo da tecnologia e da comunicação: o podcast e a gamificação. Mesmo não citando esses nomes, as iniciativas compreendem muito bem os objetivos modelos.

É público ou é privado? Crédito: Bere Fischer


Gamificação:
é o uso de mecânicas e dinâmicas de jogos para engajar pessoas, resolver problemas e melhorar o aprendizado, motivando ações e comportamentos em ambientes fora do contexto de jogos.

Podcasting: é uma forma de publicação multimídia (áudio, vídeo, foto) na Internet, e aos utilizadores acompanhar a sua atualização. O utilizador pode, assim, meramente acompanhar, ou até mesmo a descarregar automaticamente o conteúdo de um podcast.

Texto – Airan Albino
Fotos – Bere Fischer
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