Crédito: Pedro Heinrich


“Escrever um livro dá muito trabalho, mas também dá muito prazer”. Em sua primeira vez como co-autor e personagem na Feira do Livro, Nelson P. Sirotsky falou sobre a experiência de publicar uma obra. O painel  “Memórias, negócios e ficção”, realizado no Salão Bridge do Clube do Comércio, contou com a presença da co-autora – e patronável da 64ª edição da Feira – Letícia Wierzchowski, sob mediação do jornalista Tulio Milman.

Após um atribulado ano, em 2015, Nelson deu voz ao desejo de fazer registros de suas memórias, porém não sabia se faria um livro ou um documento ou legado. Tudo começou em Garopaba, em sua casa de praia, onde começou a gravar conversas, foram 15 meses registrando esses relatos. “O livro começou dentro de mim. 2015 foi um ano muito forte, foi o nascimento do meu neto, foi quando minha mãe faleceu, e foi quando eu decidi deixar as funções executivas na RBS”, disse.

Por indicação da jornalista Anik Suzuki, Nelson chegou no nome de Letícia Wierzchowski. “Eu tinha lido pouca coisa da Letícia, apenas ‘A Casa da Sete Mulheres’. Depois, li um romance pequeno, ‘Neptuno’, onde um homem e advogado narra a história, e também li ‘Uma ponte para Terebin’, que é sobre o avô dela, e falei: ‘olha, é por aí que quero’”, comentou. O trabalho com a escritora começou em março de 2017.

Crédito: Diego Lopes


Letícia recebeu o convite com felicidade, mas, também, com preocupação por ser uma novidade em sua carreira: “Tive pavor, porque eu era uma romancista, essa era a minha primeira história real, com fatos reais, personagens reais. Então, fui traçando a pesquisa com base nos relatos dele”, afirmou.

Para ela, o desafio era combinar dois fatores: criatividade, apesar de lidar com fatos, e deixar o livro interessante para um leigo. “Me guiei por dar a mesma liberdade nesse projeto, para liberdade que dou quando escrevo uma ficção; e que qualquer pessoa, que não conhece o Nelson, possa ler esse livro”, contou a romancista.

Os escritores de “O Oitavo Dia”, deram um spoiler sobre a obra: a presença de pessoas que já morreram, por meio de cartas. “Todos nós somos parecidos, temos pontos de intersecção, como amor, tristeza, paixão. Queria fazer as pessoas que não estão mais aqui também contar essa história, porque elas fazem parte da vida do Nelson”, falou Letícia. “Começamos a escolher os mortos que iriam falar. Não conseguimos colocar uma jornalista, porque eu não tinha intimidade com essa pessoa. Os mortos que falam no livro tocam por causa da intimidade, da emoção, do vínculo que tive com eles em vida”, compartilhou o autor.

Terminado o painel, uma sessão de autógrafos aconteceu na Praça de Autógrafos da 64ª Feira do Livro.

Texto – Airan Albino
Foto – Diego Lopes e Pedro Heinrich

Mais fotos no Flickr: PaineleAutógrafos

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