Crédito: Bere Fischer


Em sua primeira vez com um desenho de palestra sobre os “Caminhos a serem percorridos pelo escritor no mercado editorial”, a 64ª Feira do Livro recebeu o diretor editorial da SESI-SP e SENAI-SP, Rodrigo de Faria e Silva. Na apresentação realizada no Salão Bridge do Clube do Comércio, na tarde desta quinta-feira (8), o editor falou sobre atuação desse profissional, dos nichos e duas perspectivas quando projeta a divulgação de um livro.

Na tentativa de desmistificar a figura do editor, que se aproveita do suor literário dos escritores, Rodrigo disse que o autor é um retrato do seu tempo, por isso deve conhecer a língua do leitor. Os dois se complementam, “sem leitor não há autor”, afirmou. Como escritor, ele tem um pseudônimo: J.R. Penteado, onde já publicou “O Mago”, “De Pássaro Em Passo” e “A Saga do Iconoclasta Zé Ferino”.

Rodrigo de Faria e Silva conversou exclusivamente com a Feira do Livro. Confira:

Na sua fala, você vai pretende abordar de que forma o processo criativo?
Nessa minha apresentação falo muito sobre o autor, que passa pelo trabalho da escrita, solitário, no seu processo criativo. Depois que ele dá o ponto final, ele vai começar a trabalhar muito numa outra área, numa outra linha de produção: a divulgação. Primeiro sai do texto e vai para o livro, depois sai do texto e vai para a mão do leitor. É importante que ele acompanhe todo esse processo.

Claro que, quando ele estiver editando o livro, a primazia é do editor, quando ele estiver comercializando o livro, a primazia não é mais dele, é do divulgador. Mas, nos dois casos, ele é uma peça fundamental para não deixar a origem, a essência do texto se perder.

É importante essa pessoa estar presente em todos os momentos, então?
Na hora da divulgação do livro, ir nas escolas, participar de feiras é fundamental. Esse trabalho de corpo a corpo do autor com a divulgação, é o que vai fazer diferença nesse segundo momento, quando essa pessoa ver o reflexo, quando conseguir atingir o objetivo de publicar, porque publicar não é acabar de escrever, e ponto final. Publicar também não é imprimir o livro, publicar é fazer o livro estar na mão da pessoa na qual você destinou aquele texto original.

Crédito: Diego Lopes

Como falar para diferentes níveis de autores?
Quando eu falo com alguém mais experiente, eu já falo como editor. Eu, por já ter esse histórico de ser autor, ser editor e praticar mais minha vertente editor do que escritor, posso contribuir mais com essa conversa em questões de contrato. Também na relação humana entre autor e editor. Tem editor que é, classicamente, mercantilistas, só visa o dinheiro, poderia estar vendendo sapato, comida, o foco é o negócio. O livro é um produto e o autor é um produtor, às vezes, inconveniente. Mas via de regra, o editor é uma pessoa humanizada.

Nessa relação mais humanizada, eu faço indicação de agência literária, dicas sobre contratos, direitos autorais internacionais. Dou algumas dicas de orientação em como distribuir seus catálogos, como distribuir seus títulos em mais de um catálogo. As linhas editoriais onde a obra desse autor se encaixa, como ela pode ser distribuída nas editoras, hoje, do mercado, como editor recebe um livro, que talvez ele não trabalharia muito bem.

Para autores iniciantes, a dica seria sobre processo criativo mesmo e do processo editorial. Se tu der o original na mão do editor, o que vai acontecer? Que etapas acontecem? Quais são os processos que vão sofrer o seu texto? Aonde tem que estar atento para não descaracterizar o seu texto? Aonde tem que estar aberto para receber muitas intervenções no teu texto?

E os tipos de autores?
Tem vários tipos de autores, também. Tem autores que são mais ociosos no texto, tem autor que é mais displicente com relação ao texto, têm os que desejam muito uma edição, porque acho que o texto não está muito bom. Tem autor que acha que ali já foi. Independentemente do nível do autor, cabe ao editor topar ou não topar, mexer ou não mexer no texto.

As grandes possibilidades de parceria entre editor e autor estão muito mais envolvidas na hora da divulgação. Como que o autor pode ajudar a divulgar seu próprio livro? E se valer do editor como uma porta de financiamento mesmo, de: “Olha! Tive uma ideia assim!”, e o editor acreditar que possa ajudar nas vendas, colocando no plano de negócios.

O editor tem que ser o braço operacional, racional do autor. Essa relação é pouco difícil, é uma sociedade. A sociedade tem papéis bem definidos, só que, às vezes, o editor exige mais do autor que ele está disposto a dar e, às vezes, é o contrário. O autor espera mais do editor do que ele está disposto a dar.

Texto – Airan Albino
Fotos – Diego Lopes e Bere Fischer
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