Ariel Magnus no Salão Bridge do Clube do Comércio. Crédito: Diego Lopes


Falar sobre ficção é possível, porque temos conhecimento da realidade. Então por que não trabalhar com as duas simultaneamente? Essa é uma das fórmulas que o escritor, novelista e filósofo argentino Ariel Magnus utiliza em suas histórias. Na início da noite de sábado (3), ele participou da mesa “Presença Argentina”, com mediação do jornalista Carlos André Moreira, no Salão Bridge do Clube do Comércio.

Com um texto lúdico, mas, ao mesmo tempo, documental, Magnus leva seu leitor à reflexão, assim foi com os livros “La abuela”, “Un chino en bicicleta”, “Muñecas” e “Cartas a mi vecina de arriba”. Traduzido para o português, Um Chinês de Bicicleta, por exemplo, foi o primeiro livro que abordou a questão da imigração chinesa em Buenos Aires.

No evento da Feira do Livro, a obra “Quem move as peças” foi o tema do debate. Uma novela que mistura fatos históricos com personagens fictícios. Num tom humorístico, o autor trata de casos da segunda Guerra Mundial e dos diários do próprio avô. E como provocação, ele brinca com a ficção e com a realidade, oferecendo um tabuleiro de xadrez para quem está lendo. Um jogo que mexe com a mente, e que xadrinistas costumam chamar de sangrento, às vezes.

As relações familiares são influência no texto do argentino. Seu livro “La abuela”, se passa em locais que o próprio viveu: Argentina, Brasil e Alemanha. Ariel Magnus é filho de mãe brasileira, e disse que conhece bem Porto Alegre. “Desde jovem, um mês por ano eu vinha para o Brasil, conheço muito bem aqui. Minha família mora no Bom Fim”, falou. 

A conversa entre o jornalista e o escritor também tocou na forma como o Uruguai é visto, por boa parte das pessoas. Em “El aborto”, Magnus conta a história de um casal que vai até o Uruguai, por causa de um gravidez indesejada. Um paralelo foi feito devido a obra “La uruguaya”, de Pedro Mairal, escritor que também está na programação da 64ª Feira do Livro. “Foi uma feliz coincidência, eu escrevi o El aborto quando ele foi liberado no Uruguai, queria tratar deste tema já”, explicou.

Texto – Airan Albino
Foto – Diego Lopes
Mais fotos no Flickr

Posts Relacionados

Deixe uma resposta