Neste sábado, 10 de novembro, a partir das 18h, a editora Belas Letras comemora os seus dez anos de existência com o evento “Faça Acontecer”, que integra a programação da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre.

Em formato TEDx, “Faça acontecer” reúne dez autores da editora que trarão depoimentos da vida pessoal e profissional sobre os principais temas da vida contemporânea. A palestras serão seguidas de sessão de autógrafos e as falas serão transformadas em livro que será lançado em 2019 – todo o valor dos direitos autorais será revertido para o tratamento de João Vicente, filho da autora Lau Patrón, de “71 Leões”, que é portador da Síndrome Hemolítica Urêmica atípica, chamada de SHUa, uma condição rara, genética, que causa falhas no sistema imunológico.

Participam do evento os autores Marcos Piangers, com  “O poder do eu te amo”; Ana Cardoso, com “A mamãe é punk”; Gabriel Gomes, Luciano Braga e Daniel Larusso, com “333 páginas para tirar seu projeto do papel”; Tito Gusmão, com “Papo de grana”; Gabriela Guerra e Caroline Cintra, com “Juntas”; Tiago Mattos –  versão em inglês de Vai lá e faz (Just Get It Done) e Lau Patrón, 71 Leões. As falas trazem os temas relações incríveis, propósito, projetos pessoais, liberdade financeira, liderança, futurismo e aceitação.


“Faça acontecer” será transformado em livro, que será lançado em 2019. Os direitos autorais da obra serão doados pelos autores para o tratamento de João Vicente, filho de Lau Patrón, que é portador da Síndrome Hemolítica Urêmica atípica, chamada de SHUa, uma condição rara, genética, que causa falhas no sistema imunológico.Em seguida, às 19h30, sessão de autógrafos com todos os autores na Praça de Autógrafos da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre

Confira uma entrevista com Gustavo Guertler , fundador da Belas Letras

Fundada por Gustavo Guertler em Caxias do Sul em abril de 2008, ao lançar seus dois primeiros livros, “Meu Pequeno Gremista”, de Humberto Gessinger, e “Meu Pequeno Colorado”, de Luís Augusto Fischer. As publicações se tornaram best-sellers, com mais de 50 mil exemplares vendidos e se transformaram em coleção, intitulada Meu Pequeno Torcedor. Com diversas publicações na área musical – biografia do Nasi, do Ira, títulos internacionais como a biografia de Neil Peart, Paul Stanley e Anthony Kieds, a Belas Letras também projetou ao longo desta primeira década de existência nomes gaúchos no cenário nacional, como Ana Cardoso, Tiago Mattos e Marcos Piangers, que já vendeu mais de 250 mil cópias.

Desafios da trajetória nesses dez anos, como tu avalia?

Dez anos é pouco tempo, acho. E falando de livro, que acho que exige todo um cuidado e uma cura para que ele fique pronto. Tem muito discurso que no Brasil se lê pouco, mas eu sou muito otimista, eu sempre vejo o copo meio cheio. E o que eu acho é que tem muito a ver com a atitude que a gente tem com relação ao problema. E acho que no mercado do livro a gente tem muito dessa vitimização, que ninguém lê o livro. Acho que tem uma coisa muito legal da Editora de a gente ser um agente ativo de transformação disso. Se a gente tá no mercado do livro não é para reclamar que as pessoas não leem. É para conseguir criar essas transformação. Aquela ideia de trazer para o livro aquelas pessoas que não tem o hábito de ler. A gente atingiu um público muito maior do que o público nichado, da galera. A gente saiu daquela ideia de falar para as mesmas pessoas, e alcançamos aquele público que talvez ainda não seja um leitor de formação, como a gente diz, o que lê os clássicos. E que de alguma forma estava negligenciado, existe até um pouco de preconceito em relação a isso. E o que a gente faz? A gente tenta atingir esse público, fazendo um material refinado. Tratando esse público bem, e é isso que a gente faz. Transformar as pessoas através das histórias reais, das vidas modernas das pessoas. Atingir as pessoas com isso. Então, a gente entende que os livros têm que ter relação com o que as pessoas estão vivendo agora.

E isso tem relação com o evento de aniversário de dez anos também, não?

Sim, exatamente. Passar mensagens que sejam verdadeiros, que compartilhem experiências e transmitir vivências. O Piangers, por exemplo, contando sobre como foi se transformar em pai. O Luciano Braga falando como fazer projetos fora da empresa dele mudou a vida dele. E contagiar as pessoas com isso. Essa é a nossa proposta. E a gente pensou que deveria fazer um evento que as pessoas deveriam enxergar o embrião, a origem, e pensamos nesse evento para compartilhar essas experiências. E aí tem toda uma mística em torno da Feira do Livro. Toda uma história. A gente não é, assim, daqueles que estão há trinta anos. A gente tá há quatro, cinco anos, mas temos uma relação que é fundamental, porque é uma das raras vezes que a gente consegue ter um contato direto com o público da editora. Porque quem vai em livraria e compra livros em livraria todo o ano é muito pequeno, e aqui a gente brinca que encontramos pessoas reais.

E como é essa recepção?

É muito legal. Nós enxergamos quem está lendo. E têm umas histórias bacanas: eu atendi um cara semana passada e ele disse “pô, vocês não trouxeram a rampa esse ano”. E eu nem tinha me dado conta. O cara é cadeirante e a gente sempre traz uma rampa e aí daí que eu vi que o marceneiro esqueceu de montar a rampa. E o cadeirante disse que sempre vinha no nosso estande, quando abria, ele era o primeiro, por causa da rampa. Acho que é a única que tem uma rampa que vai até o caixa e ainda tem os livros expostos logo em frente a rampa, tem as prateleiras na altura certa. Então, são coisas assim que eu nunca ia saber que esse cara existe, se não fosse a Feira. E outras situações que só na Feira a gente consegue se ligar, porque na Editora é um escritório. Então, a gente optou por fazer esse evento na Feira, porque a gente não quer comemorar os dez anos da Editora, a gente quer que esse evento se torne um ponto de virada na vida das pessoas para elas refletirem agora no final do ano para tomarem atitudes em relação ao no que vem. Não é um evento da gente falando para a gente, é um evento que a gente faz para entregar para as pessoas alguma coisa. A própria dinâmica do evento foi pensada para ser assim. Eu falei com os palestrantes que vai ser um evento sem digital, sem telão, sem contador de tempo, não tem uma mega promoção, vai ter uma pessoa com uma plaquinha, não é para ter recurso, slides, ou vídeo. Eu quero raiz. Daí tu se despe de toda parafernalha e tu diz quem tu é. Tu tem que apenas contar uma história, mostrar sua essência para contagiar as pessoas. A galera pode esperar que vai ver cada autor espremendo o suco tudo. A gente fez uma curadoria para que eles venham tinindo ver a melhor palestra da vida do cara.

 

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Diego Lopes

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