Wagner Schwartz e o conto de uma cidade

Wagner Schwartz precisava se sentir menos estrangeiro no país que o destino escolheu para ele viver, a França. Coreógrafo e performer, naquela época, por volta de 2010, ele ainda não sabia que seria alvo da censura conservadora no Brasil, após fazer uma performance nu no Museu de Arte Moderna, em 2017.

“Mesmo após cinco anos, a língua estava lá fora, eu precisava de algo mais perto de mim, por isso esse livro é muito mais físico do que intelectual”, ele explicou ao público, no salão de Bridge do Clube do Comércio, na tarde dessa quarta-feira (14), em uma conversa em parceria com a Aliança Francesa.

O livro a que se refere é “Nunca Juntos Mas ao Mesmo Tempo”, que ele escreveu em duas línguas simultaneamente: o francês e o português – ou “brasileiro”, como lhe diziam os parisienses. E foi despretensiosamente, pela necessidade de se comunicar com a cidade, que ele começou a colocar sentidos no papel.

Como explicou à plateia, seu processo de criação literária tem muito em comum com o trabalho que realiza ao criar uma coreografia. “Há uma tensão física que envolve a escrita. Tanto a dança quanto a literatura envolvem uma única matéria, que é o corpo. E o que me interessa nesses trabalhos é como o corpo se apresenta”, relatou. “No movimento do corpo no ar e no movimento das mãos no papel, “a gente repete, dá pausa, tenta reinventar uma nova forma de dizer alguma coisa”.

Foram cinco anos de envolvimento físico e afetivo nessa busca pelo encontro, que acabou em uma intimidade, ainda que “intuitiva”, como explica Wagner, entre ele e o idioma.  “Foi graças a ela que eu entendi, a partir do meu movimento  interno, o que era a Paris que estava à minha frente. Aí eu fiz as pazes com a cidade”, disse.

Texto: Thaís Seganfredo
Foto: Bere Fischer

 

“Fim da Linha – O Crime do Bonde” é o novo livro de Rafael Guimaraens

 

Rafael Guimaraens, autor de livros como Tragédia da Rua da Praia e 20 Relatos Insólitos de Porto Alegre, apresentou nesta quarta-feira, 14 de novembro, o seu mais novo romance intitulado Fim de Linha – O Crime do Bonde, e que também segue o signo dos trabalhos anteriores – essa espécie de romance histórico, reconstituindo a trajetória de personagens reais envolvidos, misturando ficção e realidade. Todos livros da editora Libretos, da qual Rafael também é um dos fundadores.

Antes de entrar propriamente na obra, Guimaraens fez uma breve introdução sobre a função de escrever e, particularmente, sobre o que o motiva a continuar escrevendo. O autor se sente na obrigação de retribuir ao leitor generoso que escolhe o livro dele dentro os milhares que estão disponíveis na Feira do Livro. “Tento recompensar escolhendo boas histórias e tentar contá-las da melhor forma possível”, diz. Ele ainda revela que escreve, porque gosta de escrever e que tem essa vontade de querer interferir na sociedade e de querer valer os pontos de vista, e desse modo contribuindo para humanizar as pessoas a fim de que as relações se deem no campo da tolerância.

A história traça um enredo que começa ao fim de uma manhã ensolarada no centro de Porto Alegre, em que uma impressionante engrenagem de coincidências une os destinos de três personagens. Guiados pela compulsão e aprisionados em um teatro de olhares e despistes, assédios e esquivas, ciúme e cobiça, encaminham-se para um trágico acerto de contas no fim da linha do bonde circular. Antes do desfecho inapelável e seus danos colaterais, o leitor é convidado a percorrer a jornada dos personagens até ali, através de episódios ambientados nos bastidores políticos da República Velha, na vida boêmia e cultural do Rio de Janeiro no início do século 20, na belle époque porto-alegrense e nas rudes disputas do interior gaúcho, nos quais uma tênue fronteira separa a degeneração e a dignidade.

Guimaraens conta que a história parte de um crime passional, mas segue a linha do que costuma fazer nos seus livros. “A preocupação é a mesma: não se trata apenas do fato em si, mas da história daquele período”, explica. E depois aborda o conceito da microhistória, que é o que tem realizado em seus livros, mas de uma forma natural, pois não conhecia essa ideia antes. “É pegar um determinado episódio de um determinado tempo e lugar e colocar uma lupa em cima desse episódio e que permita ambientar todo aquele tempo, as consequências da sociedade e assim retratar de maneira fiel os hábitos e valores da época”, afirma. Tudo isso demanda muita pesquisa também. “Eu pesquiso muito quem são aquelas pessoas, e a partir daí eu me proponho a contar a história e às vezes eu me sinto autorizado a contar a história de acordo com o que eu senti dela; mas não manipular a história, a gente não pode cair na tentação do maniqueísmo. Todo mundo tem algo de bom ou de mau”, revela. O livro também revela o machismo estrutura da época principalmente com o que acontece com a protagonista. 

Nascido em Porto Alegre, em maio de 1956, Carlos Rafael Guimaraens Filho atuou como repórter, editor e secretário de redação da Cooperativa dos Jornalistas da Capital (Coojornal). Foi editor de Política do Diário do Sul, do grupo Gazeta Mercantil e é autor de 15 livros. Dentre eles estão ‘Pôrto Alegre agôsto 61’, ‘Tragédia da Rua da Praia’, ‘Teatro de Arena – palco de resistência’, ‘A Enchente de 41’, ‘Unidos pela liberdade! ‘, ‘A dama da lagoa’, ‘O sargento, o marechal e o faquir’ e ’20 relatos insólitos de Porto Alegre’.

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Bere Fischer

A renovação do processo criativo de Manuel Filho

Crédito: Bere Fischer


O processo criativo de um escritor(a) varia de acordo com seu método, mas quando essa metodologia se renova? O escritor, cantor e compositor Manuel Filho acredita que se você quer escrever algo diferente, não adianta ter sempre o mesmo processo. O artista paulista conversou com alunos das séries finais do Ensino Fundamental sobre esse tema na tarde desta quarta-feira (14), no Auditório do Memorial do Rio Grande do Sul.

Atualmente, Manuel está escrevendo um livro de forma inovadora, dentro da sua vivência: utilizando uma máquina de escrever. Em parceria com a escritora Penélope Martins, os dois estão trocando capítulos da obra por cartas, usando carimbos, etc. “Essa foi uma alternativa de sair do mundo do computador, da solidão que ele proporciona para trabalhar o processo criativo”, reafirmou o autor.

Crédito: Bere Fischer

Segundo uma das professoras presentes, os alunos trabalharam em sala de aula com o livro “Frankenstein e outros mortos-vivos”, que reúne contos de Manuel, Ivan Jaf, Rosana Rios e Shirley Souza. Explicando como criou sua história, o palestrante disse: “Quando tinha 16 anos, eu tinha uma ideia de escrever um livro sobre um homem que foi enforcado, mas não morreu. Depois de muitos anos, aquela ideia não me pareceu tão boa como antes, e, em vez de livro, ela virou um conto. Gosto de citar um dos livros de Marina Colasanti que disse que se esquecermos todas as histórias, não nos restará nada. Nós somos as histórias que conhecemos”.

Manuel foi questionado sobre suas referências, o escritor comentou ser fã de Francisco Marins (1922-2016) e de Lygia Bojunga, além de ler clássicos como “As Aventuras de Tintim”, “Alice no País das Maravilhas”, “ A Revolução dos Bichos” e “O Rei Lear”. Também, filmes como “Luzes da Cidade”, “A Volta dos Mortos-Vivos” e a série/quadrinhos “The Walking Dead”.

Para o autor, suas ideias não tem um caminho ou final certo, elas viram contos ou livros ou música conforme sua imaginação. “Maria Mudança” é um dos exemplos, começou a partir de um sonho. “Eu escrevi um livro por causa desse nome: Maria Mudança. Ele não saía da minha cabeça. E, no final, eu entendi que estava em processo de mudança”, relembrou.

Depois de sua palestra, Manuel Filho participou de uma sessão de autógrafos, na Praça da Alfândega, de seu mais recente livro: “MMMMM” (Mônica e o Menino Maluquinho na Montanha Mágica”, que foi ilustrado por Ziraldo e Maurício de Sousa. Trata-se do primeiro livro que uniu as turmas da Mônica e do Menino Maluquinho.

Crédito: Diego Lopes

Texto – Airan Albino
Fotos – Bere Fischer e Diego Lopes

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O Centauro e a pena: O intelectual Barbosa Lessa em discussão

A mesa sobre o escritor Barbosa Lessa aconteceu no Salão de Bridge, do Clube do Comércio, nesta quarta-feira, 14 de novembro, e reuniu o patrono da Feira do Livro de 2013, Luís Augusto Fischer e o autor do livro “O Centauro e a pena: Barbosa Lessa e a invenção das tradições gaúchas”, do doutor em História Jocelito Zall, oriundo de sua dissertação de mestrado defendida no departamento de História Social, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O livro é um passeio pelas circunstâncias que mediaram a criação do movimento tradicionalista, por Barbosa Lessa e Paixão Cortes, em pleno cenário urbano dos anos 1950. Para os acadêmicos de História e afins, é uma aula de escrita meticulosa no manejo das fontes e das teorias sobre biografismo e representação, que permitem enxergar a complexidade da construção de um movimento cultural e de uma figura intelectual como Barbosa Lessa.


Fischer inicia a mesa comentando sobre o livro de Jocelito, caracterizando-o como um trabalho científico rigoroso, mas com uma grande fluência no texto e na leitura, passando por campos da história, sociologia da cultura e estudos literários. “Barbosa Lessa tem uma trajetória impressionante, um dos nomes importantes do movimento tradicionalista, compositor do Negrinho do Pastoreio, o primeiro intelectual que o tradicionalismo gaúcho conheceu”, diz. Jocelito diz que não procurou dar um olhar de denúncia, nem de elogio. “Tentei olhar o objeto com distanciamento, um olhar científico, com a objetividade possível que é dada pela metodologia, pelo conceito utilizado,” explica.

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Bere Fischer

Damián Tabarovsky: “Sempre há uma dimensão conservadora na literatura”

Entrevista: Rafael Gloria e Thaís Seganfredo
Foto: Diego Lopes

Momentos de ruptura são naturais na história da arte. Para o escritor argentino Damián Tabarovsky, no entanto, a literatura precisa sair da inércia que marca sua estética. O autor, que está em Porto Alegre divulgando seu livro “Literatura de Esquerda”, acredita que os escritores, mesmo os de ideias progressistas,  são muitas vezes conservadores na linguagem. Damián participa da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre nesta quinta-feira (15), no Auditório Barbosa Lessa no CCCEV, às 18h. No mesmo dia, ele autografa a obra às 19h30min, na Praça dos Autógrafos.

Nesta entrevista, conversamos sobre vanguarda, inclusão das mulheres no mercado literário e ainda sobre o termo “literatura periférica”.

Como você avalia a questão da inovação da linguagem na literatura em relação às outras artes?
A literatura sempre teve um problema em relação às outras artes, no sentido que seus tempos são mais lentos. Por exemplo, em relação à vanguarda, um momento chave, que é a década de 1920, 1930, houve romances, como [os do autor James] Joyce… mas não tanto como no cinema e nas artes plásticas. Sempre há, na literatura, uma dimensão conservadora, incluindo esses autores que são vanguardistas, autores que, como eu, tentam defender a ideia da renovação e questionar certas sintaxes hegemônicas. Mas outras artes tiveram, entre o século XX e o século XXI, um nível de experimentação em relação ao qual a literatura ficou um pouco atrás.

Uma maior representatividade, com a entrada de mais mulheres, de mais negros e indígenas no mercado poderia acarretar em uma subversão na qualidade literária das obras?
Eu sou editor, além de escritor, dirijo uma editora na Argentina que se chama Mardulce, uma pequena editora independente, mas muito prestigiosa, onde uma parte muito importante das escritoras mulheres argentinas publicam. No Brasil, vocês conhecem a Selva Almada, que publicou pela Cosac Naify, é uma autora de Mardulce. Para uma editora contemporânea como a Mardulce, é quase natural publicar tantas mulheres quanto homens. Acho extraordinário essa tendência de as mulheres ocuparem cada vez mais espaço não apenas na literatura, mas no geral. Eu tenho uma filha de 15 anos, muito feminista, obviamente, e eu aprendo com ela

Você lançou o seu livro em 2004, e o momento político era outro. Agora, há uma onda de conservadorismo e neoliberalismo.  Como isso se refletiu no cenário literário?
Na Argentina, o livro gerou muita polêmica e muita discussão. Agora, depois de 15 anos, eu acabei de publicar outro livro, que é como a continuação, “Fantasma de la Vanguardia”, que também está gerando muita polêmica. Naquele momento, a Argentina vinha da grande crise de 2001, que foi o pior momento, tivemos cinco presidentes em uma semana. Depois tivemos o Kirchnerismo e, agora, um governo de direita neoliberal. É certo que o contexto político mudou, mas o mercado editorial não mudou tanto. Então esse livro, na minha opinião, continua sendo bastante atual, refletindo sobre a dimensão conservadora de certos escritores progressistas.

Você acompanha o cenário literário do Brasil? Que escritores e escritoras citaria?
Quando saiu o livro aqui ano passado, o jornal O Estado de São Paulo fez uma enquete sobre qual seria a literatura de esquerda no Brasil. Surgiram opiniões muito interessantes, como a de Joca Reiners Terron, muito bem pensada, dizendo que a literatura de esquerda implica numa tensão entre centro e periferia, que no Brasil só existe a de periferia. Mas acho que aqui os os problemas também aparecem, aqui também existe a figura do escritor de mercado, conservador, mas com ideias políticas progressistas.

Apesar disso, a gente tem, aqui no Brasil, a literatura marginal e periférica, que vem cada vez mais ganhando força. Existe isso na Argentina?
Sim, mas não sei se diria que periférico é marginal. Periférico é Kafka, um escritor tcheco, de língua alemã, que escreve na margem, na lateral, mas não é marginal, é descentralizado. Isso me interessa muito na literatura. Borges dizia que esse é o lugar da Irlanda em relação à Inglaterra.  A Argentina tem um idioma falado por centenas milhões de pessoas, que é o espanhol e onde há um poder, que é a Espanha, a Argentina sendo o último país ao sul, o mais longínquo. Então ela é periférica em relação à Espanha. Esse lugar ocupou Borges na construção da sua obra, eu acho extraordinário.

Aqui no Brasil, esse termo é usado também para se referir à literatura produzida nas favelas…
Na Argentina não há isso. Mas, há dois anos, São Paulo foi a cidade convidada na Feira livre de São Paulo. E todos que foram não eram escritores consagrados, eram das favelas. Achei muito interessante, porque aí se articula a política cultural com a social, a cultura como forma de integração social nas favelas. Acho um projeto muito interessante, que espero que com o novo presidente não se perca.

A força jovem da ESPM na cobertura do evento

Pelo segundo ano consecutivo, estudantes de Jornalismo da ESPM estão participando da cobertura oficial das atividades da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre. A equipe de dez estudantes, formada quase exclusivamente por mulheres, atua produzindo conteúdo para as redes sociais da feira, atualizando o Facebook, Twitter e Instagram. O projeto é executado pela HUB, agência experimental da faculdade. Todo o conteúdo está sendo produzido de forma acessível a pessoas com deficiência, já que a equipe recebeu uma capacitação realizada pela empresa Desenvolver Inclusão e Diversidade Consultoria.

Para a professora Marcela Donini, coordenadora da HUB, “além do ganho evidente de eles terem na prática uma cobertura em tempo real, há o ganho na formação como cidadãos, de acompanharem diariamente um evento democrático e aberto”. Julia Berrutti participa pela primeira vez da cobertura de um grande evento. A estudante conta que sempre teve uma relação afetiva com a feira. “Está sendo uma experiência fantástica, estou aprendendo bastante e ao mesmo tempo conhecendo a Feira em toda a sua dimensão”, diz. As estudantes Ana Carolina Camejo, Alice Germansen, Fabiana Marsiglia, Giovanna Sommariva, Júlia Berrutti Antunes, Júlia Barros e Silva, Júlia Guarienti, Marcella Cunha, Márcia Bernandes Fernandes e Rafaela Knevitz Missel, além de João Pedro Argemi, integram a equipe.

Neste ano, a parceria com a ESPM se consolida também com a Co.De – Comunicação e Design Jr., empresa júnior de publicidade e design da instituição, que produziu o vídeo institucional oficial da feira para a televisão e o spot para rádio. Estudantes de design editorial também integram a parceria, produzindo cartazes temáticos sobre a feira.

Texto: Thaís Seganfredo
Foto: Diego Lopes

Alessandra Roscoe brinca com a imaginação das crianças no Autor no Palco

Nesta quarta-feira, 14 de novembro, foi a vez da autora Alessandra Pontos Roscoe subir ao palco do Teatro Carlos Urbim dentro do projeto Autor No Palco. Alessandra Pontes Roscoe é jornalista, escritora e mãe de três filhos e que influenciaram em sua escrita. Nasceu em Uberaba, no estado de Minas Gerais, mas desde cedo vive em Brasília. Descobriu nos livros a alegria de poder habitar mundos inventados: Primeiro foi como leitora, depois como escritora e agora também como mediadora de leituras.

Na Feira, ela apresentou alguns dos seus livros, contando histórias aos pequenos que encheram o teatro. Entre eles, o Jacaré Bilé, que nasceu inspirado no seu filho do meio, quando tinha um ano de idade. E contou e contou também em forma de repente. “Pra que jantar lua tem que ser mané/nhame/nhame/nhame” foram algumas das letras cantadas. “O Coral mais lindo que tive na vida”, disse a autora no momento. Ainda houve tempo para uma espécie de coreografia também para abrir a imaginação.

 

É autora das obras A menina que pescava estrelas (Editora Elementar), A façanha da dona aranha (Elementar), A outra história da cigarra e da formiga (Mundo Mirim), O Sr. Pavão (Elementar) e A primeira vez numa noite do pijama (Franco Editora), entre outras. Alguns de seus livros foram indicados para catálogos internacionais de literatura infantil e juvenil: A fada emburrada e O jacaré Bilé (para o catálogo da Feira de Bolonha na Itália) e JK, o lobo guará (em 2011 e 2012, para o catálogo da Apex para a Feira de Frankfurt, na Alemanha).

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Diego Lopes

 

Prêmio Jacarandá celebra os destaques da Feira

Daniel Moretto, Nóia Kern, Gustavo Guertler e Felipe Furtado

Em noite de confraternização nesta terça-feira (13), livreiros foram homenageados com a primeira edição do prêmio Jacarandá, em evento no saguão do Margs. O reconhecimento é uma realização do jornal Correio do Povo, em parceria com a Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL) e apoio da Braskem e do Banrisul. O objetivo da homenagem foi valorizar os livreiros, com a escolha das melhores barracas da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre.

Nesta edição, quatro categorias foram premiadas. Na área geral, a vencedora foi a editora Belas Letras, com o livreiro Gustavo Guertler recebendo o troféu entregue pela superintendente executiva de Marketing do Banrisul, Lisane Meyer. Já na categoria infanto-juvenil, Felipe Furtado, da editora FTD, recebeu o prêmio de João Ruy Freire, diretor institucional da Braskem. Também foi vencedora a Livraria Francesa, na categoria internacional, cujo troféu foi entregue ao representante Daniel Moretto pelo presidente da CRL, Isatir Bottin Filho. Por fim, a responsável pelo setor de informações da Feira, Nóia Kern, foi homenageada como Destaque Especial e recebeu o troféu do diretor-presidente do jornal Correio do Povo, Sidney Costa.

Os vencedores foram escolhidos com base em seis critérios: aspectos visuais de cada barraca; condições de acessibilidade; qualidade da oferta de livros;  apresentação e atendimento da equipe; promoções de venda e envolvimento do participante com a programação. Participaram da comissão julgadora Airton Ortiz, escritor e patrono da Feira de 2014; Marco Aurélio Alves, presidente do Conselho Estadual de Cultura; Patrícia Langlois, diretora do Instituto Estadual do Livro, e Alda Gislaine Rocha da Silva, arquiteta especializada em acessibilidade.

Segundo Isatir, “a Câmara Rio-Grandense do Livro vê neste prêmio uma oportunidade de valorizar o trabalho dos livreiros da Feira e seus esforços em colocar à disponibilidade da população uma vasta bibliodiversidade, em todos os gêneros literários”. O presidente da CRL também desejou vida longa à iniciativa. O diretor-presidente do Correio do Povo destacou a longa história da empresa com a Feira do Livro de Porto Alegre. “O Correio vem abraçar este belo evento. Os livreiros são as pessoas mais importantes, que fazem acontecer a Feira, e nada mais justo homenageá-los”, afirmou.

Texto: Thaís Seganfredo
Fotos: Diego Lopes

Sidney Costa

 

 

 

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Alteridade e empatia no mais recente livro de Letícia Wierzchowski

Crédito: Diego Lopes


No exercício de empatia, há uma tentativa em compreender os estados emocionais de outras pessoas. De maneira afetuosa, partilhar também é um componente desta prática. O livro “O menino que comeu uma biblioteca” é o mais recente lançamento da romancista e patronável da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre, Letícia Wierzchowski. Na início da noite desta terça-feira (13) aconteceu a apresentação da obra na Biblioteca do Clube do Comércio, com participação do escritor Tabajara Ruas e mediação da jornalista Tânia Carvalho.

Sobre se colocar no lugar do outro, Tabajara disse que entendeu o que o personagem da história sentiu enquanto lia. “Essa passagem fala sobre um estado de medo em ter um filho, neto, alguém próximo distante, a preocupação em ficar longe da pessoa. E aconteceu uma interferência da realidade, a minha vizinha de porta, bateu lá em casa e me perguntou sobre o Canadá. O meu sobrinho está lá e ela está pensando em mandar o filho dela também. Eu fiquei chocado com aquele momento”, contou.

O autor de “Netto Perde sua Alma” falou o que pensa de Letícia, a pedido da mediadora. “Então, nós somos meio parentes, se não seríamos casados. Ela apareceu lá em casa, em Florianópolis, com uma montanha de papel desse tamanho, era ‘A casa das sete mulheres’. Eu sabia que ela tinha talento e vocação para narrativa. Quando vi aquela papelada, sabia que ela tinha liberado seus demônios”, disse.

Crédito: Diego Lopes


A mediadora e fã confessa dos dois escritores, ressaltou a importância dos mesmos para com a literatura brasileira. “Você sabe o quanto você é importante, né Tabajara? E a Letícia é incrível, é frenética”, brincou. “Ela tem o método, ela tem a paixão pela escrita. É frenética, às vezes, mas também contemplativa”, falou Tabajara ao revelar que “Uma ponte para Terebin” era um dos seus livros favoritos.

Na sua vez, Letícia contou uma história sobre o autor também. “Teve um dia, quando eu ainda estava no começo da minha carreira, vi a capa do Segundo Caderno, e era tu lançando ‘O fascínio’. Falei pra mãe: ‘Um dia eu vou lançar um livro na capa da ZH também!’ Ela me respondeu: ‘Não sonha tanto, minha filha’”, relembrou. A escritora disse que o livro apontado por Tabajara seria um “primo” do “O menino que comeu uma biblioteca”.

A obra conta a história de um menino rodeado de livros que mora em uma casa velha no interior da Polônia. Enquanto isso, uma menina vive em uma cidade simples do Uruguai. O passatempo do menino e de seu avô é mergulhar na literatura, já a menina se distrai com as cartas de tarô da avó. Assim, as vidas dos dois se cruzam. Um dos princípios da alteridade consiste em que uma pessoa, na sua vertente social, tem uma relação de interação e dependência de outra. O eu na sua forma individual só pode existir através de um contato com o outro.

A romancista disse que fez essa relação tanto por ter proximidade familiar com histórias sobre poloneses na Segunda Guerra quanto sobre gostar de ir a Punta Del Este, cidade que floresceu durante o período belicoso. Conforme a autora, o livro também conta a história do hotel uruguaio L’Auberge, bastante conhecido por turistas.

Durante a mediação, Tânia Carvalho disse que “O menino que comeu uma biblioteca” é mais um roteiro pronto para virar filme, novela, série. Após a fala, Letícia Wierzchowski fez uma sessão de autógrafos na Praça da Alfândega.

Crédito: Bere Fischer


Texto – Airan Albino

Fotos – Diego Lopes e Bere Fischer
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Rádio da Universidade celebra os trinta anos de cobertura da Feira do Livro

A Rádio da Universidade comemorou nesta terça-feira, 13 de novembro, em evento no Teatro Carlos Urbim os trinta anos de cobertura na Feira do Livro. Quem subiu ao palco para comandar a cerimônia foi o diretor do Centro de Teledifusão Educativa da Ufrgs, André Prytoluk, e a diretora da Rádio, a jornalista Cláudia Heinzelmann.

Eles lembraram do pioneirismo da Ufrgs na cobertura da Feira do Livro lá no final da década de 1980, a partir de um programa de entrevistas criado especificamente para o evento. E há dez anos há também o programa Estação dos Livros que é realizado ao vivo diretamente do estúdio instalado na Praça da Alfândega. Agradeceram também a parceria da Câmara Rio-Grandense do Livro.

Então, eles chamaram o grupo de dança formado por alunos da EMEF José Loureiro da Silva, que dançou quatro músicas, entre elas, dos artistas Tom Zé e Camila Moreno.

 

Depois foi a vez do poeta Gonçalo Ferraz ler dois poemas de sua autoria e também agradecer e parabenizar a Rádio da Universidade. Antes de ler os poemas, ele brincou com a temperatura quente do dia e com o fato de que leria um poema sobre praia. 

Houve ainda uma mesa em que os escritores Luis Augusto Fischer, Jane Tutikian e J.J. Camargo conversaram de forma leve e descontraída sobre literatura e as agruras de um mundo cada vez mais digital, versando sobre a condição de se escrever e de se constituir o interesse em leitura. 

E, para finalizar, o Coral Viva La Vida, apresentou três músicas: Amanhã Colorida, da banda Cidadão Quem, Somos quem podemos ser, da Engenheiros do Hawai, e Deu pra ti, de Kleiton e Kledir. E o bis foi Palco, do Gilberto Gil.

Confira mais fotos no álbum –> https://www.flickr.com/photos/feiradolivropoa/sets/72157675615787388/with/44953479295/

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Bere Fischer

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