Samba e cortejo carnavalesco encerram a 63ª Feira do Livro de Porto Alegre

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Chegou ao fim mais uma edição da Feira do Livro de Porto Alegre. Neste ano, a celebração final se deu com muita ancestralidade da cultura afro-brasileira e um cortejo carnavalesco que encerrou com entusiasmo o ciclo deste ano.

A festa começou cedo na Praça da Alfândega. Às 18h, quando o sol já começava a ensaiar sua lenta despedida, uma multidão se aglomerou na Tenda de Pasárgada para curtir o show de afoxé e outros ritmos afro-brasileiros, com o grupo de percussão do Quilombo do Sopapo Ialodê Idunn,  sob o comando do Mestre Griô Edu Nascimento, e também com o Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural ASSOBECATY.

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Às 19h, o Bloco do Zé aqueceu os brincantes com muito samba. O grupo, idealizado pelo carnavalesco Zé do Pandeiro para valorizar o Carnaval, encerrou esta edição da feira com sambas-enredo e muita alegria. Ao lado, no tradicional Teatro Carlos Urbim,  o Centro Ecumênico de Cultura Negra também celebrou a feira com música e dança.

Ao cair da noite, o Bloco do Zé deu o tom do tradicional cortejo que encerra a Feira do Livro todos os anos. Com a liderança da patrona, Valesca de Assis, integrantes da Câmara Rio-Grandense do Livro deram continuidade à tradição de percorrer a praça, entregando rosas vermelhas aos livreiros. Personagens dos contos de Andersen, autor infantil homenageado da edição, também animaram a festa.

Neste ano, o coro de “ai, ai, ai, ai, tá chegando a hora” foi embalado pela bateria do bloco, em despedida e antecipação pela volta dos livros à praça no ano que vem, e todos aproveitaram para acabar a noite caindo no samba na Praça dos Autógrafos.  

Texto – Thaís Seganfredo

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63ª Feira do Livro de Porto Alegre: um espaço de debate, de democracia e de empatia

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IMG_5680 webSônia Zanchetta, Marco Cena e Jussara Rodrigues conduziram a coletiva de imprensa no final desta tarde
A Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL) divulgou no final de tarde deste domingo, 19 de novembro, o balanço de público e de vendas da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre. Foi registrada queda nas vendas de 14% em relação a 2016. Em dezenove dias, 1.4 milhão de pessoas frequentou o evento, segundo a Brigada Militar – mesmo número do ano passado. A divulgação aconteceu em coletiva de imprensa, apresentada pelo presidente Marco Cena, pela coordenadora da Área Infantil e Juvenil e da Área Internacional Sônia Zanchetta e pela coordenadora da programação para público adulto Jussara Rodrigues no Auditório do Memorial do Rio Grande do Sul (Rua Sete de Setembro, 1020, Praça da Alfândega – Porto Alegre/RS)

IMG_5627 webPara Jussara Rodrigues, coordenadora da programação para público adulto, as palavras ouvidas nos debates ao longo do ano foram trazidas e legitimadas pela Feira.

Programação para público adulto

Com um enfoque aprofundado na diversidade étnica e de orientação sexual, a programação para público adulto promoveu um amplo exercício de empatia e convivência em 331 eventos para um público de 19.168 pessoas com 665 participantes (escritores, palestrantes, convidados e mediadores). Crescimento notável em relação ao ano passado, quando o público contemplado ficou um pouco acima de 17 mil pessoas.

 

Sessões de autógrafos

Foram realizadas 739 sessões de autógrafos, entre obras individuais e coletivas. A sessão de autógrafos mais concorrida foi a de Monja Coen, no dia 11 de novembro.

 

Oficinas

Foram realizadas 25 oficinas, para um público de 457 pessoas.

 

Países Nórdicos

A região homenageada contribuiu com uma delegação de 11 nomes da Finlândia, Suécia, Noruega, Dinamarca e Islândia, além de chefes de estado e embaixadores. Saiba mais: bit.ly/paisesnordicos.

 

Estrutura

A 63ª Feira do Livro de Porto Alegre contou com 91 expositores na Área Geral, 13 na Área Infantil e Juvenil, 5 na Área Internacional – além do estande da região homenageada, formada pelos Países Nórdicos. O evento teve uma área total de 7 mil metros quadrados, sendo 5 mil metros quadrados de área coberta.

 

Balcão de Informações

Foram realizados em torno de 20.500 atendimentos ao público pelo Balcão de Informações da Feira nos 19 dias de evento.

 

IMG_5579 webSônia Zanchetta, coordenadora da Área Infantil e Juvenil, ressaltou o impacto das greves das redes públicas de ensino no número de visitas escolares ao evento

 

Área Infantil e Juvenil

Participaram dos encontros com autores, na Feira, 331 turmas de escolas de 23 municípios gaúchos e dois de Santa Catarina, com um total de 9.015 alunos, sem contar o público espontâneo. Entretanto, muitos professores deixaram de agendar suas turmas em função das greves da Rede Estadual de Ensino e da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre, enquanto outros, que as haviam agendado ainda no mês de agosto, cancelaram sua visita à Feira porque suas escolas aderiram às greves posteriormente. Contribuiu, ainda, para a queda de 22% registrada na participação de alunos nos encontros com autores (foram 11.589 em 2016), o fato de a Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre ter diminuído a verba repassada às escolas municipais, para custear a visitação escolar à Feira.

Foram realizadas 631 atividades para público infantil e juvenil; incluindo 62 encontros com autores; 185 sessões de contação de histórias; 32 sessões de autógrafos e apresentações artísticas de escolas; 54 mesas-redondas, saraus, oficinas e atividades promovidas por editoras e entidades parceiras, e muitas outras.

 

Tecnologia

A 63ª Feira do Livro foi notadamente marcada pela tecnologia. O Game da Feira, desenvolvido sobre a plataforma da empresa finlandesa Seppo, registrou 200 participantes entre os dias 1º e 18 de novembro; foram premiados com livros o primeiro, segundo e terceiro lugares. O Espaço do Conhecimento Petrobras realizou 63 atividades relacionadas às novas tecnologias, desde debates sobre ciberfeminismo até apresentação de robótica. O Tour Virtual em 360º foi produzido pela empresa Acena360 e permite uma imersão total por entre as bancas de livros e espaços de eventos. O vídeo tem duração de 10 minutos e segue disponível no link http://bit.ly/2AUAQd7.

 

A 63ª Feira do Livro de Porto Alegre foi uma realização da Câmara Rio-Grandense do Livro em parceria com Ministério da Cultura e Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer. Patrocinadores máster: Braskem, BNDES, Zaffari. Banco Oficial da Feira: Banrisul. Seja Vero. Patrocínio Especial Encontros com o Livro: Santander Cultural. Patrocínio Especial Tenda de Pasárgada: SulGás. Patrocinador Especial da Praça de Alimentação: Dado Bier. Patrocinador Especial do Espaço do Conhecimento: Petrobras. Apoio Especial: Prefeitura de Porto Alegre. Financiamento: Pró-cultura RS, Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

 

Sobre a Feira do Livro de Porto Alegre

A Feira do Livro de Porto Alegre foi inaugurada em 1955 por incentivo do jornalista Say Marques, diretor-secretário do Diário de Notícias, junto aos livreiros e editores da cidade. O evento é considerado referência no país por seu caráter democrático e pela consistência do trabalho que desenvolve na área da promoção da literatura e da formação de leitores. Realizada desde sua primeira edição na Praça da Alfândega, Centro Histórico da capital gaúcha, a Feira é dividida em Área Geral, Área Internacional e Área Infantil e Juvenil. Centenas de escritores, ilustradores, contadores de histórias e outros profissionais participam do evento, que conta com sessões de autógrafos, mesas-redondas, oficinas, palestras e programações artísticas, entre outras atividades. Alguns desses eventos são realizados no Memorial do Rio Grande do Sul, Santander Cultural, Centro Cultural CEEE Erico Verissimo e Auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa.

Em 2006, a Feira do Livro de Porto Alegre recebeu a medalha da Ordem do Mérito Cultural, concedida pela Presidência da República, que a reconheceu como um dos mais importantes eventos culturais do Brasil. Um ano antes, havia sido declarada bem do Patrimônio Cultural Imaterial do Estado e, em 2010, foi o primeiro bem registrado, pela Prefeitura de Porto Alegre, como integrante do Patrimônio Histórico e Cultural Imaterial da cidade.

A 63ª edição ocorreu de 1º a 19 de novembro de 2017 e, entre os destaques da programação, estavam Conceição Evaristo, Otávio Jr., Daniel Munduruku, Sergio Vaz, Ondjaki, Ricardo Araújo Pereira, Rosana Rios, Mia Couto, Lobão, Gregorio Duvivier, Luis Fernando Verissimo, Luiz Felipe Pondé, Sam Bourcier e Manuel Filho, entre dezenas de outros convidados, além de uma delegação de doze autores dos países nórdicos, região homenageada pelo evento. Todas as atividades têm entrada gratuita.

 

Sobre a Câmara Rio-Grandense do Livro

A Câmara Rio-Grandense do Livro é uma sociedade civil sem fins lucrativos, que tem por objetivo unir entidades e empresas que trabalham pelo livro, promovendo sua defesa e seu fomento, a difusão do gosto pela leitura, a formação de leitores e o fortalecimento do setor livreiro. A entidade conta com mais de 140 de associados, entre editores, livreiros, distribuidores e outras instituições que se dedicam à produção, à comercialização e à difusão do livro, todas com sede ou filial no Rio Grande do Sul.

Sucesso de público e de crítica

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LV1_0849 webDe 1° até 19 de novembro, dentro da programação da 63ª Feira do Livro, a Câmara Rio-grandense do Livro, em parceria com Consulado Israel, Consulado Argentina, Embaixada da Suécia, Embaixada e  Instituto de Cinema Norueguês e, ainda, Embaixada e Instituto Francês, apresentou Ciclo de Cinema com entrada franca no Santander Cultural. Foram três sessões diárias às 15h, 17h e 19h, exceto às segundas-feiras e nos feriados.   

A primeira sessão, às 15h, foi dedicada à  3ª Mostra de Cinema Israelense. Foram exibidos cinco dramas premiados produzidos em Israel. A mostra de Cinema Argentino Contemporâneo teve lugar às 17h e, às 19 horas, foram projetados filmes de dois países nórdicos homenageados na 63º Feira do Livro: dois longas noruegueses e cinco longas suecos, baseados em obras literárias.

A França celebrou, na tela,  os 40 anos de falecimento do poeta e roteirista Jacques Prévert. Apresentou o longa de animação O Rei e o Pássaro e uma coletânea com 13 curtas de animação baseados em seus poemas.

O filme Condado Macabro entrou em cartaz no dia 14,  às 19h. O diretor e roteirista Marcos DeBrito comentou a sessão representando a literatura e o cinema de gênero no Brasil.

Mudando a cidade através da força da união

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Na Sala Leste do Santander Cultural aconteceu o encontro do Coletivo Cidade que Queremos neste domingo, dia 19 de novembro, com a participação de José Renato Barcellos, Leonardo Melgarejo e Roberto Rebés Abreu. A ideia da mesa era discutir que o domínio de interesses econômicos sobre instancias cruciais para a organização das cidades não permite dissociação entre o tema ambiental e as questões políticas.

Nesse sentido, para eles, o protagonismo cidadão precisa ser reativado com urgência, de modo a evitar agravamento de crises de natureza ambiental que trarão graves repercussões sociopolíticas. Quem começou falando foi Roberto Abreu, representado a ONG Alice, cujo principal projeto foi o Jornal Boca de Rua. “Quebrar os muros da comunicação e estabelecer outras formas de comunicação, fugindo do latifúndio que temos da comunicação”, diz. O jornal Boca de Rua e a ONG Alice vem derrubando muros, e mostrando que moradores de rua podem produzir jornais. “Nossos projetos são auto-sustentáveis e auto-gestados, vamos atrás de recursos para financiar os projetos”, diz.

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Representando a Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), Leonardo Melgarejo, lembrou que a questão ambiental também se preocupa com o social, como a problemática dos catadores de lixo e da moradia. “Não se pode separar o respeito à cidadania da questão ambiental. A questão ambiental é na verdade socioambiental”, diz. Para ele, esses problemas só vão se solucionar se várias organizações se aproximarem e trabalharem em conjunto.

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Iris Borges

Sam Bourcier: Culturas, Políticas e Teoria Queer

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Um dos principais nomes dos Estudos de Gênero e da Teoria Queer na França veio à 63ª Feira do Livro de Porto Alegre trazendo suas reflexões sobre política, sociedade e relações entre poder e conhecimento. A mesa aconteceu no Auditório Barbosa Lessa, no Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo, e a mediação ficou por conta da Nani Rios. Trata-se de uma parceria com a Aliança Francesa.

Sam Bourcier é formado em filosofia na École Normale Spérieure, tem doutorado em Sociologia pela École dês Hautes Etudes en Sciences Sociales, em Paris, e atualmente integra o corpo docente da Université Lille 3.

Sam começou falando que estava muito feliz de estar mais uma vez no Brasil. “Sempre tenho conversas muito estimulantes no Brasil. Muito mais do que na França”, revela. O assunto seguiu com perguntas que versaram sobre seu trabalho e a discussão sobre a teoria queer. Sam tem uma crítica forte ao neoliberalismo.

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“As universidades privadas e neoliberais já não é o lugar onde se pode pensar e produzir o melhor da Teoria Queer, me pergunto se não devo deixar a universidade para produzir sobre o assunto”, diz. Dedicando-se a reflexões inovadoras no campo, Bourcier explora temáticas como o pós-pornô, atualizando o debate no campo do feminismo e propondo ainda uma nova compreensão da Teoria Queer.

Em seu último livro, Homo Inc.orporated, ele faz uma crítica ao neoliberalismo e defende que queers e transfeministas se mobilizem a favor de uma agenda mais ampla de redistribuição econômica e social e não apenas por reconhecimento e integração.

Fotos – Otávio Fortes

“Dizem que sou louco por pensar assim…”

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ISB_0903 webO escritor Charles Kiefer tem mais 30 livros publicados, ganhou três prêmios Jabuti e prêmio  Afonso Arinos (da ABL), tem livros traduzidos em diversos idiomas e desistiu de escrever literatura. O Patrono da 54ª Feira do Livro (2008) falou no final da tarde deste domingo, na Sala Leste do Santander Cultural.

O renomado escritor abandonou a escrita depois de uma experiência de quase morte que o levou para a  Cabala. Ele sofreu uma parada cardiorrespiratória em consequência da perda de muito sangue. Viu a morte no centro cirúrgico. Disse que encontrou, do outro lado da vida, Mário Arnaud Sampaio,  um grande amigo que o acolheu quando jovem e em dificuldades. Também viu e ouviu sua filha de 3 anos dizer: “Papai, não vai, não vai”. Então, falou a Sampaio que queria a chance de criar sua menina. Ao que o amigo e protetor lhe respondeu:

– Tem 3 condições: deves dar uma cachorrinha para tua filha; deves criar uma associação de jovem leitor e abrir um clube de cabala.

ISB_0906 webSobreviveu e cumpriu as premissas daquele que guardava a doutrina da Cabala.

– Todos acham que eu enloqueci por deixar de escrever. Imaginem  uma pessoa com uma vela na mão caminhando no sol. Para que serve a vela? Que sentido faz? Para mim, com a luz que se recebe se dedicando à Cabala, não se precisa de vela.

ISB_0927 webE Kiefer quer multiplicar esse bem viver dando curso gratuito e introdutório à Cabala. Quer dar a chance das pessoas verem um mundo inverso àquele se vive, baseado no lucro. Como na composição de Rita Lee e Arnaldo Batista, ele “jura que é melhor, não ser o normal”: “Se eles têm três carros, eu posso voar / Se eles rezam muito, eu já estou no céu/ Mas louco é quem me diz /E não é feliz, não é feliz”.

Game da Feira: Conheça os vencedores!

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Hoje, 19 de novembro, os vencedores do Game da Feira vieram pegar os seus prêmios: Livros!

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Elisa Eduarda Severo Soares ganhou primeiro lugar no Game da Feira. Segundo sua mãe, Elisa sempre foi uma grande fã da leitura. Desde pequena, economizava moedas para poder comprar nas bancas da Feira do Livro. A vencedora teve a chance de escolher quatro obras para levar para casa. Suas escolhas foram:

“Celebrando à maneira sueca”, de Po Tidholm e Agneta Lilja;

“A Imortalidade”, de Milan Kundera; da editora Nova Fronteira

“O Covil do Diabo”, de Júlio Ricardo da Rosa; da Editora Dublinense

“The Swedish Kitchen”, de Liselotte Forslin.

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Em segundo lugar, ficou Izabel Cristina Soares Mendes, que descobriu o Game pelo Guia da Feira, no dia 9 de novembro. Pesquisou as respostas no impresso e no site durante quatro dias. “Muito educativo, divertido e um desafio criativo”, disse sobre o Game. Ela escolheu os seguintes livros:

“Alena”, de Kim W. Andersson; da Avec Editora

“Os Silêncios de Pedro”, de Sergio Napp; da Editora da Cidade

“Curtindo Música Brasileira”, de Alexandre Petillo; da Editora Belas Letras

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Em terceiro lugar, ficou Samuel Jachetti. Ele jogou a partir do celular, no segundo dia. Achou fácil e que estimula a descoberta. O casal fez pesquisa na Praça da Alfândega durante dois dias. Confira os livros que eles levaram:

“Comboio de Espectros”, de Duda Falcão; da AVEC Editora

“A sede das pedras”, de Cássio Pantaleoni, da Editora 8Inverso

 

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Luis Ventura e Fabiana Marsiglia

Espaço do Conhecimento Petrobras: Pesquisa para solucionar problemas

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Neste domingo, 19 de novembro, o Espaço do Conhecimento Petrobras recebeu o engenheiro Ney Robinson Salvi dos Reis, pesquisador do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), um dos complexos de pesquisa aplicada mais importantes do mundo. Ele começou a sua apresentação dizendo que era um prazer enorme estar na Feira do Livro. “Tenho freqüentado Porto Alegre há três anos, porque estamos desenvolvendo um trabalho de pesquisa junto com a Ufrgs”, diz.

Reis fez a sua palestra sobre a história de um desenvolvimento, como nasce um projeto de pesquisa e de solução a partir de um problema diário da empresa. “Trabalhar com pesquisa é legal, porque o problema te ensina como lidar com ele”, diz. Um dos grandes trabalhos foi sempre atender a Petrobras em soluções, que ainda não existiam, ou que o mercado não tinha interesse em explorar.

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Para exemplificar a sua apresentação, ele usou o projeto G.I.R.I.N.O, um robô que eles criaram para desbloquear  o de fluxo em oleoduto de escoamento da plataforma P-13, instalada a 700 metros de profundidade, na época em 1999.  Aquela profundidade eles não conseguiam mandar o homem para trabalhar. Além disso, o tamanho do duto era muito grande, de 20 quilômetros. Nesse sentido, eles trabalharam em vários projetos para fazer com que a tecnologia chegasse ao nível para que pudessem desbloquear o canal. A inspiração de Reis veio da natureza, dos girinos, do meio como eles se locomovem. A partir disso, conseguiram desbloquear o duto e aproveitar para usar novas tecnologias junto com o robô.

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Texto – Rafael Gloria

Fotos – Otávio Fortes

Wole Soyinka, Nobel e filho de Ogum

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Tão imponente quanto o escritor convidado desta manhã, o Theatro São Pedro foi o local perfeito para receber a conferência mais esperada da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre. Realizado em parceria com a Bienal do Mercosul  que, no próximo ano traz a temática “O Triângulo do Atlântico”, o evento trouxe o escritor nigeriano Wole Soyinka a Porto Alegre.  O escritor, que sempre se posicionou contra ditadores e chegou a ser preso, recebeu o Nobel da Literatura em 1986.

Presidente da Fundação Bienal do Mercosul, Gilberto Schwartsmann abriu o evento em nome da Bienal e da Câmara Rio-Grandense do Livro. “Nós, gaúchos, contamos nos dedos os momentos em que recebemos um vencedor do Nobel, então este é um momento raro”, destacou. Elisa Larkin Nascimento, curadora do acervo do ícone do ativismo negro Abdias do Nascimento, relembrou o legado de Abdias e as vezes em que ele se encontrou com Soyinka. “Ele sempre denunciou a falta de reconhecimento do protagonismo negro”, disse.

Filho de Ogum, Wole Soyinka concentrou sua fala em um dos temas centrais de sua obra: os orixás. A partir de exu, ogum, oxum e os outros deuses, ele trouxe também reflexões sobre o pós-colonialismo e a retomada do protagonismo do continente africano em sua própria cultura. “Quando estou no Brasil, não me sinto um estranho. Nunca acreditei que a África seja isolada por um acidente geográfico. Para mim isso não é uma questão acadêmica, mas visceral”, iniciou.

O escritor acredita que a África existe onde está sua cultura e contou uma história sobre quando foi visitar a Jamaica. “Fiquei sabendo de um assentamento iorubá nessa cidade se chamava Bekuta e eu venho de Abeokuta, que significa ‘debaixo das rochas’. Quando visitei esse lugar, me vi na minha cidade”.

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Apesar da identificação da cultura africana e dos países diaspóricos, há, segundo Soyinka, diferenças que se constituíram por processos históricos. “A cultura é dinâmica, se movimenta. Mas há sempre os elementos centrais que fazem com que se identifique em outros lugares”, afirmou, citando o Brasil, a Colômbia e Cuba como exemplos de países onde a cultura iorubá é forte. “Por exemplo, quando os evangelistas precisaram do ‘mal’ para fazer as pessoas se converterem à religião cristã, eles escolheram o pobre exu”, contou, afirmando que, na cultura iorubá originária, exu não tem nenhuma conotação negativa como adquiriu no Brasil, ele é o mensageiro dos deuses. “Nós respondemos aos evangelistas transformando exu na divindade principal iorubá”, disse.

Ainda sobre a religião, Soyinka falou sobre o preconceito e a invisibilidade que as religiões de matriz africana sofrem, algo que o povo negro do Brasil sente na pele. “O Brasil tem relutância em reconhecer a cultura africana. Se o mundo não conhece os orixás, é porque o outro lado insiste em ser cego. A verdade é uma busca permanente e os orixás são portas para buscar a verdade, portanto os orixás nunca podem ser opressores”, afirmou.

Soyinka vê com otimismo o papel das culturas africanas, que vêm reassumindo a autonomia em detrimento da visão branca e eurocêntrica calcada no colonialismo. Segundo o escritor, estamos em um momento em que uma geração de jovens vem resgatando o protagonismo de suas culturas. “Na África, muitas vezes eles tiveram que resgatar a sua cultura através do olhar europeu. Tudo isso está chegando ao fim.”

O escritor também destacou a importância de se reconhecer a diversidade das muitas culturas presentes no continente africano, o que tem sido facilitado nesta era pós-colonial. Segundo Soyinka, os próprios africanos têm estudado os efeitos de sua cultura em outros países, principalmente na América e na Europa, o que tem resultado também em um movimento reverso em relação à diáspora. “A experiência da escravidão foi traumatizante, mas existe o movimento cultural oposto. Está acontecendo a viagem de volta para casa”, destacou.

Texto – Thaís Seganfredo

A memória construída na obra de José Luis Peixoto

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De que forma construímos nossas experiências de vida? Esse questionamento pautou a conversa com o escritor português José Luis Peixoto, que ocorreu na tarde deste domingo no auditório Barbosa Lessa, do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo.

A conversa foi em torno das duas últimas obras de Peixoto publicadas no Brasil: “Morreste-me” (Dublinense, 2015) e “A Criança em Ruínas” (Dublinense, 2017). Com mediação de Reginaldo Pujol Filho, o psicanalista Cláudio Eizirik comentou as obras. “Através da arte, o poema transforma uma relação amorosa em algo que permanece vivo”, disse.

Em seguida, José Luis Peixoto iniciou sua fala saudando a Feira. “É um prazer estar na feira do livro, que é um momento especial para a cidade”, disse. Ao comentar sobre as suas obras, ele destacou que as escreveu há mais de 15 anos, em um momento de luto pela morte de seu pai e, por isso, falar sobre elas atualmente é diferente. “A vocação dos meus livros é ir ao encontro dos outros e ser apropriado. O luto é uma travessia e, como tal, pressupõe uma distância percorrida. Quem escreveu esses livros não foi o mesmo que sou hoje”.

O escritor também falou sobre a trama de seu novo livro. Será que todos nós somos crianças em ruínas, soterradas pelos adultos que somos hoje? Peixoto afirmou que a criança existe em nós e não existe ao mesmo tempo. “Continuamos disponíveis para mudar e para sermos obreiros desta mudança. porque nós somos ruínas mas também somos projetos”, afirmou.

Texto – Thaís Seganfredo

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