O patrono da Feira do Livro de 2008 Charles Kiefer chegou com a sua filhinha de quatro meses no colo ao palco do Teatro Carlos Urbim para falar sobre um escritor estranho, talvez o mais “estranho de todos escritores”, como comentou: o tcheco Franz Kafka. Antes disso, ele deu o parabéns a patrona Maria Carpi, que estava na primeira fila do evento. Aliás, ele ganhou parabéns antes também em uma salva de palmas muito bem vinda pois comemora 60 anos neste cinco de novembro.

A discussão girou sobre a relação de Franz Kafka com a Kabbalah, ciência espiritual desenvolvida pelo povo judeu – e que atualmente é o tema a que Kiefer se dedica. Foi depois de ter uma experiência de quase morte (eqm) que a sua vida mudou. “Um belo dia eu tive uma parada cardíaca, eu estava com quarenta e seis anos. Passei por uma experiência de eqm. Fiquei nove minutos com o coração parado. Resumidamente, eu tive a para ateu, e acordei crente no criador, no mundo superior que a kabbalah conta”, diz.

Com isso, ampliou e aprofundou seus estudos nessa ciência e, então começou a se interessar e a perceber o que tinha perdido no Kafka, um autor que ele não admirava. Ele, inclusive, traduziu para o português um conto cabalístico de Kafka que encontrou ao ler os diários do tcheco.  Chama-se “Tinok Shenishbpa”, e significa “aprendiz” ou “estudante atrapalhado”, pois o próprio Kafka era também um estudante dessa ciência. 

Fotos – Diego Lopes

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