Crédito: Diego Lopes


A segunda-feira (12) de Feira do Livro começou com uma conversa entre o escritor Christian David e alunos do Ensino Médio e séries finais do Ensino Fundamental. A fala aconteceu no Auditório do Memorial do Rio Grande do Sul.

O objetivo de David foi de passar para os jovens a diferença que a literatura pode fazer na vida de um leitor. Ele fez paralelos que ajudaram os alunos a entenderem sua fala, como citar o autor britânico Neil Gaiman, que escreveu “Coraline”. Dentro do universo fantástico, foi feita, também, a comparação do filme “Jogos Vorazes” com o governo chinês. Ele falou sobre uma convenção de ficção científica realizado em 2009 no país asiático, na qual Gaiman participou.

“Literatura não é só prazer, ela trabalha a nossa imaginação, nos faz pensar”, disse Christian. Os links feitos pelo escritor o ajudaram a chamar a atenção dos alunos, e foi nesse momento que ele disse algo que chocou inclusive as professoras: “Literatura não serve pra nada!”. Mas óbvio, ele se explicou: “A literatura não tem que servir ninguém, ela é independente”.

Sobre a relação de cada pessoa com os livros, o escritor apontou a estrutura familiar como norteadora no entendimento de histórias. “Dependendo de como é a tua família, a tua leitura vai mudar. Tu vai entender melhor alguns personagens, entender porque tu sentiu bem ou mal com algumas coisa, vai compreender algo que aconteceu com teus pais, ou com teu irmão. O importante é terminar um livro e pensar: ‘Eu não sei bem o que eu aprendi, mas sei que aprendi mais sobre mim mesmo’. Isso é capacidade de reflexão”, comentou.

Crédito: Diego Lopes


“Tenho um grande segredo para contar a vocês, sobre o que move o mundo: a palavra. Tudo é feito pelo domínio de palavras. Escrever bem, saber dar uma boa opinião. Para a gente ser independente, a gente tem que dominar as palavras”, falou. Conforme David, 70% dos adultos do Brasil não conseguem interpretar um texto. Além disso, pelos dados e pesquisas da Associação Americana de Pediatras, crianças que têm contato com histórias, seja ouvindo ou lendo, têm facilidade em falar, em se expressar, em compreender.

“As experiências que tu tem na literatura podem te influenciar, podem te fazer viajar pelo mundo que está no livro. Quando vocês tão assistindo TV e não gostam de algo, o que vocês fazem? Trocam de canal, certo? Então, assim como tu troca de canal, com um livro é a mesma coisa. Literatura não é tudo igual. Não gostou do primeiro livro? Troca até tu encontrar um que tu goste”, comparou o autor.

Christian David passou sua fala para algo mais interativo, mostrando seus livros “O centauro guardião”, que se passa pelos prédios históricos de Porto Alegre, e “Destrava línguas e outros poemas”, onde acontecem muitas misturas entre os jogos de palavras. Na dinâmica, os alunos deveriam adivinhar quais travas estavam na histórias lidas por David. A ideia do escritor durante toda a sua fala era frisar que um livro bom dura para sempre, seja para crianças e ou para adultos.

Texto – Airan Albino
Fotos – Diego Lopes
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