Texto: Thaís Seganfredo
Fotos: Bere Fischer

Fato inédito para a cultura do Rio Grande do Sul, foi realizada, nesta terça-feira, a primeira sessão do Conselho Estadual de Cultura (CEC) dentro da programação da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre. O encontro, que ocorreu no Clube do Comércio, selou a parceria de longa data entre o Conselho e a Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL). O objetivo foi reunir também representantes de Feiras do Livro do interior para pensar em conjunto os desafios e oportunidades do setor.

O presidente do CEC, Marco Aurélio Alves, conduziu a sessão e ressaltou o encontro inédito. “A Feira do Livro é um exemplo símbolo da cultura do Rio Grande do Sul e envolve também as artes cênicas, audiovisuais, entre outras. O objetivo das nossas saídas da sede é ouvir a comunidade cultural”, disse, apresentando os conselheiros presentes na sessão.

Ivo Bonfato, vice-presidente do Conselho, afirmou que “estar na feira é ver a possibilidade de ir em frente”, declarou, destacando também a pluralidade do evento. O artista André Venzon, secretário-executivo do CEC, lembrou do trabalho que fez em uma edição na Praça da Alfândega.

A parceria também foi celebrada pelo presidente da CRL, Isatir Bottin Filho. “Nos sentimos honrados e muito orgulhosos com essa sessão. A história da feira é um trabalho de uma equipe muito aguerrida, de pessoas que se dispõem a abraçar a causa.”

Colocando em pauta as dificuldades e oportunidades na área de produção e políticas públicas, a sessão seguiu com falas das coordenadoras da programação da Feira do Livro de Porto Alegre. Sônia Zanchetta, da área infantil e juvenil, destacou que aprende muito visitando as feiras do interior e lembrou que, na medida em que esses eventos são realizados, em geral, pelas prefeituras, há uma preocupação dos organizadores com a falta de continuidade. Sônia também defendeu que haja uma preocupação maior com os livros, que são o foco desse tipo de evento, e uma ampliação do público para além do escolar. “O público da feira tem que ser construído durante todo o ano. Há muitos agentes da área da literatura que podem contribuir, como o pessoal da biblioteconomia”, opinou, lembrando também que é importante buscar parcerias locais e patrocínios em editais públicos e privados.

Relembrando a criação da Feira do Livro de Porto Alegre, a coordenadora da programação geral, Jussara Rodrigues, falou sobre a importância de colocar o livro em praça pública “A ideia de colocar a pedra no caminho, citando Drummond, é exatamente essa: mostrar que o livro pode fazer parte de sua vida.” A comissão de produção trabalha quatro eixos, que estão presentes no Plano Nacional do Livro e da Leitura: valor simbólico do livro, mediação de leitura, mercado e acesso ao livro. A produtora também destacou que conhecer o público e suas demandas é uma das principais preocupações relativas à organização do evento. “Nosso desafio todo ano é saber o que está acontecendo no país e no estado para sermos espelho. Como colocar a cidade para se enxergar?”, questionou, citando a presença natural de mais mulheres na programação como um dos reflexos da atualidade.

Todo esse trabalho demanda tempo e muito planejamento, conforme pontuou Gérson Souza, gerente administrativo da CRL. “Quando não se tem verba, temos que ter tempo. Há um ano da próxima feira, já estamos buscando patrocinadores. Cada feira tem sua característica, cada uma tem que buscar a sua”, aconselhou.

A sessão seguiu com uma troca de ideias entre organizadores de diversas feiras do livro no estado. José Renato, representante de Guaíba, relatou: “Em 2019, a Feira chega à sua 30ª edição e, desde que assumimos a gestão, estamos ampliando e trazendo o foco para o livro e a literatura.” Participaram da sessão representantes de Guaíba, Arroio dos Ratos, Palmeiras das Missões, Bento Gonçalves, Esteio, Rio Grande, Osório e Pareci Novo.  

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