“É um desastre que ainda não acabou”. É assim que a jornalista Cristina Serra resumiu a tragédia cujo relato ela compartilha em um livro-reportagem lançado na 64ª Feira do Livro de Porto Alegre no início da noite de sábado. “Tragédia em Mariana: a história do maior desastre ambiental do Brasil” (Record, 2018) aprofunda a investigação iniciada pela repórter em novembro de 2015, quando ocorreu o colapso da barragem administrada pela empresa Samarco e que despejou lama tóxica sobre a cidade de Mariana, interior de Minas Gerais. Carregada de rejeitos da indústria de mineração, a enxurrada atingiu 38 municípios – 35 em Minas Gerais e três no Espírito Santo, até chegar ao oceano, com prejuízos ambientais ainda desconhecidos.

Na mesa, mediada pelo jornalista Marco Estivalet, a autora revelou que a dimensão humana da tragédia, e a extensão da investigação, foi o que a envolveu e a estimulou a abandonar o emprego como repórter da TV Globo e dedicar-se exclusivamente à produção da obra. A pesquisa a levou a fatos novos sobre o ocorrido e que hoje são ignorados pela mídia: o vício da imprensa brasileira pelos temas mais imediatos é apontado pela autora como a causa para o desaparecimento da tragédia do noticiário.

O relato de Cristina é carregado de emoção e compromisso jornalístico. Mesmo desconhecendo os termos técnicos da engenharia, a escritora mergulhou no assunto e chegou a desdobramentos que seguem inconclusos. “A reação da empresa após a tragédia foi péssima”, conta, descrevendo a dificuldade em quebrar as barreiras burocráticas das corporações envolvidas na negligência, Samarco, Vale e BHP, e revelando a profundidade da tragédia psíquica que assolou as comunidades afetadas pela lama da barragem de Fundão. “Ainda hoje há casos de depressão na população de Mariana”, diz, explicando que o desastre foi causado por uma cadeia de eventos como um processo de licenciamento ambiental recheado de falhas e suspeitas de corrupção ainda não esclarecidas.

Às 19h30min, Cristina autografou na Praça de Autógrafos.

Texto: Vitor Diel
Fotos: Bere Fischer e Pedro Heinrich
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