As crônicas de livro “Anarquia é utopia, faça uma todo dia”, de Carlos Gerbase, foram o tema de discussão nesta tarde de sábado, 10 de novembro, no Salão de Bridge do Clube do Comércio. A mediação ficou por conta da jornalista Cláudia laitano.

Laitano começou com uma questão complicada, mas definidora: para que serve uma crônica? A partir disso, Gerbase recuperou um pouco do seu histórico no jornalismo. É formado nessa profissão e chegou a atuar cerca de um ano como repórter no extinto jornal Folha da Tarde, mas abandonou a profissão, porque percebeu que não era o que ele queria fazer. “Jornalismo diário é muito importante, mas eu vi que não era para mim. Paralelamente eu estava começando a fazer cinema, mas continuava com muita vontade de escrever. Escrevi muita crítica de cinema durante muito tempo”, explica. Atuando também como professor universitário, ele acredita que o texto acadêmico pode acabar engessando muito o profissional. “Por isso, quando veio o convite da Cláudia para escrever para a Zero Hora, eu não exitei. Crônica para mim é um espaço de liberdade, é diferente da Academia e também de uma empresa em que tem o patrão mandando eu escrever. A única coisa que a Cláudia diz que é proibido escrever na crônica é ficção e futebol”, esclarece.

Um dos outros pontos positivos da crônica citado é a oportunidade de criar pontes com pessoas que dificilmente poderia ser ter uma conexão. “Quando escrevo para a ZH, não estou escrevendo para os meus amigos do meu facebook”, diz. Ele citou uma situação que ocorreu devido a uma crônica em que narra um acontecimento passado envolvendo um sargento em um período do exercício. Graças a esse texto, acabou se reencontrando com ele.

Sobre a sua formação e influência na crônica, ele diz que o mais o influencia mesmo é a ficção. “Minha formação é Monteiro Lobato, Júlio Verne, os quadrinhos As Aventuras do Tim Tim”, revela. O processo de escolha das crônicas não foi muito complicado, tirando as que seriam mais atemporais. “Se eu tivesse que escolher apenas dez das 150, aí sim que seria mais difícil”, finaliza.

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Pedro Heinrich

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