Lá no espaço da Biblioteca Moacyr Scliar aconteceu o Encontro com o escritor Júlio Emílio Braz nesta sexta-feira, nove de novembro. O autor nasceu na na pequena cidade de Manhumirim, aos pés da Serra de Caparaó, em Minas Gerais, mas aos cinco anos se mudou para o Rio de Janeiro, cidade que adotou como lar.

Aqui na Feira do Livro de Porto Alegre, Júlio centrou sua fala com o pessoal dos colégios principalmente sobre a sua infância e como começou a ler. É considerado um autodidata, tendo aprendido com extrema facilidade, adquirindo o hábito da leitura aos seis anos de idade. A primeira coisa que pegou para ler foi o suplemento Globinho, do jornal O Globo. Quando foi para a escola, ficou surpresa que os colegas ainda não sabiam ler. “Na minha ingenuidade, eu achava que a gente já nasce sabendo ler”, brinca.

Júlio também comentou também bastante sobre a sua relação com a mãe, que era bem rígida sobre a sua educação. “Ela não admitia boletim com notas ruins, que pau pegava”, brinca. No colégio, ele foi conseguindo a admiração de colegas e professores devido ao seu bom texto – o que o levou também a ganhar concursos de redação. “Foi aí que percebi que poderia ganhar dinheiro escrevendo também”, diz. Mas até chegar a ser escritor, ele trabalhou como engraxate, jornaleiro, office boy – a vida nunca foi fácil. Se formou em técnico de contabilidade, mas mais porque a mãe pediu, e também em História. Mas é sincero: “Virei escritor, porque fiquei desempregado. Surgiu a oportunidade de trabalhar na editora de quadrinhos que um amigo tinha o contato e fui tentar, mesmo sem experiência”, fala. Acabou conseguindo e, então, iniciou sua carreira como escritor de roteiros para histórias em quadrinhos, publicadas no Brasil, Portugal, Bélgica, França, Cuba e EUA.

Em 1988 recebeu o Prêmio Jabuti pela publicação de seu primeiro livro infanto-juvenil: SAGUAIRU. Além disso, também escreveu roteiros para o programa Os Trapalhões, da TV Globo, e algumas mininovelas para a televisão do Paraguai. Em 1997 ganhou o Austrian Children Book Award, na Áustria, pela versão alemã do livro CRIANÇAS NA ESCURIDÃO (Kinder im Dulkern) e o Blue Cobra Award, no Swiss Institute for Children’s Book.

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Bere Fischer

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