Para um homem, é muito difícil expressar os seus sentimentos. Especialmente os mais profundos, como o amor por seus familiares. “O Homem Que Amava Caixas” foi a primeira história publicada por Stephen Michael King, em 1996, e falava exatamente sobre isso: a dificuldade que um pai tinha em dizer ao seu filho que o amava. A sensibilidade do artista australiano ao escrever e ilustrar seus livros o fez um dos grandes nomes da literatura infantil, atualmente.

Confirmado na programação da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre, no dia 5 de novembro o autor participa de duas atividades. Na manhã, das 10h30min às 11h30min, de um encontro com alunos do Ensino Fundamental no Teatro Carlos Urbim, pelo ciclo O Autor no Palco. E das 17h30min às 19h30min, conversa com ilustradores, arte-educadores, artistas plásticos e outros interessados no 11ª Traçando Histórias – Mostra de Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil. O autor é publicado no Brasil pela Brinque-Book, editora que o traz a Porto Alegre.

Nesta entrevista exclusiva, King fala sobre seus personagens, suas histórias e sobre a expectativa em vir ao Brasil. Confira!

Você já declarou uma vez que seus personagens são como árvores contra o vento: eles vivem lidando com as dificuldades naturais da vida. De onde vem essa sensibilidade na criação de um personagem? E por que você tem essa preocupação em passar uma realidade em suas histórias?
Eu não sei, sou um mistério para mim mesmo às vezes. Meu pai era gentil, então cresci sabendo que havia força na gentileza. Eu acho que essa citação é sobre permitir que meus personagens ganhem vida a sua maneira. Se eu tentar impor minhas ideias na página, tudo parece duro e sem vida. Quanto mais eu penso enquanto estou criando, pior as coisas acontecem. É melhor, para mim, fazer todo o meu pensamento nos meus sonhos e depois chegar a minha prancheta ou a minha escrivaninha com a cabeça limpa. Posso confiar que a frase que precisa ser escrita ou a ilustração que precisa ser desenhada emergirá.

Seus livros têm como um de seus propósitos afinar a relação entre pais e filhos, por meio da contação de histórias. Como você vê a importância desta relação e do ato de ler um livro para o seu filho?
Acho que ler para o seu filho é uma das coisas mais importantes. Minha mãe e meu pai liam para mim quando criança, e minha mãe, que era professora e diretora de escola, disse que os livros eram a porta de entrada para tudo. Ela também me disse que tudo que ela teve que me ensinar foi “amar a aprender”. Uma vez que eu amasse aprender, eu teria uma sede de descoberta. A leitura introduz as crianças à arte e às palavras, e isso é uma ótima base para viver uma vida bela.

 

Como está a sua relação com as cores? “Folha” fala um pouco de ti, que admitiu ter usado muito verde e marrom na adolescência – duas das cores que você considera mais realistas, correto?
“Folha” é um livrinho perfeito. Estou tão feliz que meu editor foi corajoso o suficiente para mantê-lo pequeno, quieto, verde, com um toque de marrom. Anos atrás, eu adorava me misturar com o ambiente natural, mas agora que estou mais velho e meu cabelo é mais grisalho, aprendi a amar todas as cores. Eu aprendi que todas as cores têm o seu propósito. Eu uso o vermelho com moderação, porque ele aparece menos na natureza: em uma flor, em um pássaro ou em um pôr do sol. Enquanto o verde e o azul estão por toda parte ao meu redor. Marrom é, para mim, a cor mais importante. Sem um toque de marrom, todas as minhas imagens parecem de plástico.

Quais outros autores contemporâneos das histórias infantis você admira e recomenda?
Não tenho certeza se eles são publicados no Brasil, mas, se você pode ler em inglês, eu sugiro Glenda Millard e sua “Silk Series” – começando com um livro (não ilustrado por mim), “The Naming of Tishkin Silk”. A primeira que ilustrei foi “Layla, Queen of Hearts”, além de oito dos livros de Glenda. Ela é um ser humano muito especial, com um coração para escrever.

Qual é a expectativa sobre a receptividade dos leitores brasileiros, visto que algumas de suas obras foram muito bem aceitas no país?
Eu tento não ter expectativas. Na verdade, estou mais animado em conhecer todos vocês, ouvir suas histórias. Eu quero desenhar muitas imagens para todo mundo!

Texto: Airan Albino

Stephen Michael King na 64ª Feira do Livro de Porto Alegre
5 de novembro
10h30min às 11h30min
O Autor no Palco com alunos do Ensino Fundamental
Teatro Carlos Urbim

A partir das 15h30min
Autógrafo dos livros: O caracol e a tartaruga são amigos / O caracol e a tartaruga em dias chuvosos / O homem que amava caixas / Pedro e Tina
Praça de Autógrafos

17h30min às 19h30min
Palestra no  11ª Traçando Histórias – Mostra de Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil
Auditório do Memorial

6 de novembro
A partir das 18h30min
Autógrafo dos livro O urso de todas as cores
Praça de Autógrafos

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