Crédito: Bere Fischer


Em novembro de 2016, o empresário e republicano Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos da América, ao vencer a candidata democrata Hillary Clinton. O resultado considerado uma surpresa, para muitos evidenciou um fenômeno que estava crescendo até então: as fake news.

Na tarde desta sexta-feira (16) aconteceu o painel “Fake News e o comportamento digital: reflexão sobre consequências”, promovido pelo Memorial Judiciário do Rio Grande Sul em parceria com a Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL). O evento, ocorrido no Auditório Barbosa Lessa, do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, contou com a participação da Juíza Márcia Kern e do advogado Leonardo Zanatta, sob mediação do Desembargador Umberto Sudbrack.

Segundo Zanatta, professor em Direito Eletrônico, as fake news atingem a população que se informa por meio de redes sociais. Sua apresentação mostrou que 7 em 10 notícias veiculadas nas redes – por dia, são falsas. “Nesse instante, 38 milhões de mensagens estão circulando no WhatsApp, 900 mil pessoas estão fazendo login no Facebook, e mais de 164 mil ‘roladas’ no Instagram. É muita coisa, né? Isso porque, hoje, a primeira coisa que a gente faz ao acordar é ver o que aconteceu enquanto nós dormíamos”, explicou.

Esse é o comportamento de quem faz parte da geração atual. Kern disse que a internet estabeleceu duas novas classificações de pessoas: os Nativos – pessoas que nasceram a partir do ano de 1994 que, portanto, já crescem sabendo lidar com as redes; e os Imigrantes – pessoas que nasceram antes dos nativos, então precisam se adaptar à forma como circula a informação nos dias de hoje.

Crédito: Bere Fischer


Atuante no juizado fazendário, a magistrada trabalha com casos de pessoas que podem cometer crimes, não criminosos. Recentemente, ela notou que as redes sociais influenciam novos crimes contra a honra, como ofensas e ameaças. Conforme a juíza, o Facebook, o Whatsapp​ e o Instagram são as plataformas onde a questão comportamental demanda ações indenizatórias.

“Quem são as pessoas que podem vir a cometer crimes? Teoricamente todos. Postar um: ‘Olha o que eu vou fazer contigo, eu vou te matar!’ é crime. De 30 a 40% dos processos que estão tramitando no juizado tem provas colhidas na rede, print de conversas do whats, print de posts, print de conversas no Messenger. Tudo que você escrever vai ser usado contra você. Então, tome cuidado”, afirmou a Dra. Márcia.

Palestrante ativo do tema, o advogado deu dicas ao público quanto aos cuidados para com as redes sociais. “Tudo que é publicado reverbera. É preciso ter cuidados nas relações de contrato, aquele ‘Li e aceito os termos’. É preciso estar atento às responsabilidades e aos riscos das redes”, comentou. Segurança, clareza, blindagem e promiscuidade dos dados foram tópicos apresentados para a platéia.

Comparando os escritos egípcios hieróglifos com os atuais emojis, ele deu algumas dicas: Trate suas senhas como suas roupas íntimas: Não compartilhe com ninguém; Troque regularmente; e Mantenha fora da mesa. Zanatta disse que, regularmente, mais de 15 milhões de notícias falsas são de compartilhadas.

O professor especializado no assunto falou de uma classificação feita pelo First Draft News, um projeto que analisa mídia, política e políticas públicas, da Universidade de Harvard. Consoante a Escola, as fake news podem se tratar de: sátiro-paródia, conexão falsa, contexto falso, conteúdo enganoso, conteúdo impostor, conteúdo manipulado e, principalmente, conteúdo fabricado.

Texto – Airan Albino
Fotos – Bere Fischer

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