Rafael Guimaraens, autor de livros como Tragédia da Rua da Praia e 20 Relatos Insólitos de Porto Alegre, apresentou nesta quarta-feira, 14 de novembro, o seu mais novo romance intitulado Fim de Linha – O Crime do Bonde, e que também segue o signo dos trabalhos anteriores – essa espécie de romance histórico, reconstituindo a trajetória de personagens reais envolvidos, misturando ficção e realidade. Todos livros da editora Libretos, da qual Rafael também é um dos fundadores.

Antes de entrar propriamente na obra, Guimaraens fez uma breve introdução sobre a função de escrever e, particularmente, sobre o que o motiva a continuar escrevendo. O autor se sente na obrigação de retribuir ao leitor generoso que escolhe o livro dele dentro os milhares que estão disponíveis na Feira do Livro. “Tento recompensar escolhendo boas histórias e tentar contá-las da melhor forma possível”, diz. Ele ainda revela que escreve, porque gosta de escrever e que tem essa vontade de querer interferir na sociedade e de querer valer os pontos de vista, e desse modo contribuindo para humanizar as pessoas a fim de que as relações se deem no campo da tolerância.

A história traça um enredo que começa ao fim de uma manhã ensolarada no centro de Porto Alegre, em que uma impressionante engrenagem de coincidências une os destinos de três personagens. Guiados pela compulsão e aprisionados em um teatro de olhares e despistes, assédios e esquivas, ciúme e cobiça, encaminham-se para um trágico acerto de contas no fim da linha do bonde circular. Antes do desfecho inapelável e seus danos colaterais, o leitor é convidado a percorrer a jornada dos personagens até ali, através de episódios ambientados nos bastidores políticos da República Velha, na vida boêmia e cultural do Rio de Janeiro no início do século 20, na belle époque porto-alegrense e nas rudes disputas do interior gaúcho, nos quais uma tênue fronteira separa a degeneração e a dignidade.

Guimaraens conta que a história parte de um crime passional, mas segue a linha do que costuma fazer nos seus livros. “A preocupação é a mesma: não se trata apenas do fato em si, mas da história daquele período”, explica. E depois aborda o conceito da microhistória, que é o que tem realizado em seus livros, mas de uma forma natural, pois não conhecia essa ideia antes. “É pegar um determinado episódio de um determinado tempo e lugar e colocar uma lupa em cima desse episódio e que permita ambientar todo aquele tempo, as consequências da sociedade e assim retratar de maneira fiel os hábitos e valores da época”, afirma. Tudo isso demanda muita pesquisa também. “Eu pesquiso muito quem são aquelas pessoas, e a partir daí eu me proponho a contar a história e às vezes eu me sinto autorizado a contar a história de acordo com o que eu senti dela; mas não manipular a história, a gente não pode cair na tentação do maniqueísmo. Todo mundo tem algo de bom ou de mau”, revela. O livro também revela o machismo estrutura da época principalmente com o que acontece com a protagonista. 

Nascido em Porto Alegre, em maio de 1956, Carlos Rafael Guimaraens Filho atuou como repórter, editor e secretário de redação da Cooperativa dos Jornalistas da Capital (Coojornal). Foi editor de Política do Diário do Sul, do grupo Gazeta Mercantil e é autor de 15 livros. Dentre eles estão ‘Pôrto Alegre agôsto 61’, ‘Tragédia da Rua da Praia’, ‘Teatro de Arena – palco de resistência’, ‘A Enchente de 41’, ‘Unidos pela liberdade! ‘, ‘A dama da lagoa’, ‘O sargento, o marechal e o faquir’ e ’20 relatos insólitos de Porto Alegre’.

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Bere Fischer

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