O lugar da criança na sociedade e nas obras e eventos artísticos foi o tema do painel “A produção cultural para a infância e seu espaço na mídia”, com as jornalistas e produtoras culturais Flávia Cunha e Gabriela Romeu. O bate-papo, que ocorreu na noite de quinta-feira (8) na sala de vídeo do memorial do RS, falou sobre as dificuldades de se trabalhar na área atualmente.

Formada em jornalismo, Flávia Cunha também estudou literatura até começar a trabalhar com assessoria de imprensa e eventos culturais para a infância. Já Gabriela Romeu atuou na Folhinha, suplemento infantil da Folha de São Paulo, do qual foi repórter e editora, e é também autora de livros na área. Elas apontaram os desafios tanto do jornalismo especializado no nicho quanto da produção cultural voltada à infância.

Para Gabriela, muitas vezes, este trabalho não é levado a sério porque o lugar da infância na sociedade é menorizado. “A infância é uma passagem e muitas pessoas entendem que trabalhar com isso também um estágio para se chegar a algum lugar”, disse, questionando qual o lugar que é dado à criança na sociedade. A jornalista contou que na etnia Xikrim, por exemplo, as crianças têm acesso a todos os espaços da aldeia e circulam livremente.

Um dos reflexos dessa diminuição da importância da infância é visível no jornalismo, como destacou Flávia. Se antigamente, houve uma tendência mundial de suplementos jornalísticos voltados a crianças, hoje é difícil que os jornalistas publiquem sobre lançamentos de livros infanto-juvenis ou outros eventos do nicho. Como explicou Gabriela, “é preciso romper com os ‘cercadinhos’ da infância”, destacando que esses eventos são voltados também para toda a família.

Outro ponto central da conversa foi o momento político do país, com participação de educadores que compartilharam suas experiências na plateia. Para Flávia, “existe uma necessidade de pessoas mais conservadoras  de superproteger a criança”, pontuou, lembrando do projeto Escola sem Partido, que quer proibir qualquer discussão sobre política e também sobre gênero nas salas de aula. “É importante ter cuidado porque estamos trabalhando com seres humanos em formação, mas há uma diferença entre curadoria e cerceamento”, ressaltou.

As jornalistas ouviram também os educadores presentes na sala, que comentaram sobre as dificuldades da restrição de conteúdo na educação e na cultura. Segundo os profissionais, é preciso ensinar às crianças sobre os conflitos da sociedade de modo a formar cidadãos conscientes.

Texto: Thaís Seganfredo
Foto: Bere Fischer

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