Crédito: Diego Lopes


Dentro da programação da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre acontece o Seminário de Dramaturgia, que teve início nesta quinta-feira (15) e vai até domingo, dia 18 de novembro. Na tarde de hoje, o dramaturgo carioca Jô Bilac conversou com o público da Sala de Música do Multipalco do Theatro São Pedro sobre suas obras “Conselho de Classe” e “Insetos”.

Mesmo com pouco mais de 30 anos, Bilac é um dos nomes sólidos do teatro no Brasil. Aos 20 anos já tinha menções honrosas em suas criações. Atualmente, seus textos são referência na dramaturgia brasileira. Junto de Carolina Pismel, Júlia Marini, Paulo Verlings e Vinicius Arneiro fundou a Companhia Teatro Independente, responsáveis por peças premiadas como “CACHORRO!”, “REBÚ” e “CUCARACHA”.

“Acredito que as nossas fronteiras estão bem claras, o que nos separa já está bem claro. Então, eu reflito sobre as coisas que nos aproximam. Penso no atrito entre o indivíduo e coletivo. Todos nós envelhecemos, sentimos dor, fome. Essas expressões biológicas permitem que nos conectemos. Dessa angústia, dessa transcendência, a dramaturgia surge como forma de elaboração, de tribo, de existência”, explicou o carioca.

Segundo o dramaturgo, escrever para teatro é diferente do que escrever um romance, por isso ele mergulhou na metodologia das pessoas que fazem parte do meio. “A melhor maneira de eu entender a dramaturgia era me aproximando dos atores, ver como eles decoravam o texto, como criavam os personagens. Assim eu pude compreender e desenvolver essa escrita. A plenitude do texto de teatro, assim como de um roteiro de cinema ou de TV se dá quando ele vai para o público. Não é a obra em si, como um romance”, disse.

Crédito: Diego Lopes


Um exemplo dessa imersão está em “Conselho de Classe”, uma parceria realizada com a Cia dos Atores. No ano de 2013, o Bilac fez parte de grupos que ajudaram os estudantes na ocupação das escolas. “Assim como no movimento das passeatas. os alunos começaram a ocupar as escolas pela falta de estrutura e verba para as instituições e para quem trabalhava lá”, comentou.

A atriz Valquíria Cardoso e o ator Alex Limberger fizeram leituras de passagens da obra. “Escrevi ‘Conselho de Classe’ no meio do processo, para refletir a realidade da escola pública e do ensino como uma identidade cultural que se arrasta”, desabafou. O texto virou peça e circulou pelo país. Na fala, Jô Bilac revelou ter escrito uma série inspirada no livro, que vai ao ar em 2019.

Texto – Airan Albino
Fotos – Diego Lopes

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