Crédito: Diego Lopes

O movimento feminista voltou ao centro dos debates nos últimos anos, entretanto não é a maioria da população que “fala” feminismo. Como é possível levar esse pensamento para fora de uma bolha? No início da noite deste sábado (17) aconteceu a mesa “Feminismo, quadrinhos e representatividade – experiências com artivismo no Brasil e na Noruega”, participaram a jornalista norueguesa Marta Breen e a designer Carol Rossetti, sob mediação da escritora Joanna Burigo.

A última atividade realizada no Auditório Barbosa, do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, pela 64ª Feira do Livro de Porto Alegre, iniciou com o comentário da mediadora sobre a importância de diferentes discursos de mulheres a respeito do tema. “Eu que estudo e trabalho com isso, fico feliz em ver diferentes formas de expressão sobre o feminismo. As tuas ilustrações, Carol, eu conheci por causa da viralização do projeto”, disse Joanna.

O Projeto Mulheres começou em 2014, quando a ilustradora quis transformar a dor de amigas em manifesto. “Eu quis contar histórias reais de mulheres fictícias, porque tinha dificuldade de falar sobre feminismo com pessoas de fora do movimento. Os diálogos eram legais com colegas, mas não com a minha família – principalmente, mulheres. Eu quis confrontar a bolha do ativismo”, explicou.

Crédito: Diego Lopes

A ideia era falar do tema que todas as mulheres sofrem, porém sutilmente. “Eu queria expressar as ideias que eu tinha de feminismo, e percebi que histórias tocam as pessoas. Então fiz de maneira não agressiva, eram histórias curtas sem jargões feministas, para não afastar ninguém”, falou Carol.

“Eu não esperava que isso se tornaria um projeto. Eu fiz um desenho sobre a personagem Marina, que sofreu por ser gorda. Uma amiga minha teve um caso de gordofobia e fiz essa ilustração para falar com ela. As primeiras histórias eram de pessoas que eu conhecia. Depois, mulheres do mundo inteiro me mandaram coisas, foi fantástico sair e ouvir coisas de fora da minha bolha. Lugares de dentro do Brasil, inclusive. Uma arte é a chamada para discussão. Em abril de 2014 o projeto começou, em dezembro foi a primeira vez que usei a palavra ‘feminismo’. Naquele momento, teve gente se perguntando: ‘Isso é ser feminista? Que legal, tô entendendo agora’. Eu fiquei muito feliz com aquilo”, relembrou a ilustradora.

Com influência do movimento de libertação das mulheres na Noruega, por parte de sua mãe, Marta viu igualdade nas histórias que escutou. “Eu era jornalista em um dos principais veículos de Oslo, lá me defrontei com algumas situações. No meu primeiro livro ‘Mulheres, Vinho e Canções’ entrevistei mulheres da música que me contaram histórias muito parecidas sobre se sentirem reduzidas, diminuídas por homens. A indústria fonográfica é dominada por homens, mas vi que isso acontece em todos lugares: política, esporte, etc. Basta ser mulher. Esse momento de clarividência me fez escrever onze livros depois”, contou.

Crédito: Diego Lopes

Marta sempre teve o desejo de fazer quadrinhos para falar sobre o feminismo, mas a falta de aptidão para desenhar lhe fez procurar alternativas. “Nunca desisti do sonho de fazer quadrinho e graphic novels. Em 2015, eu estava fazendo um guia para meninas e fiz um concurso para jovens ilustradoras. Assim conheci a Jenny Jordahl, nós já fizemos cinco livros, como o ‘60 mulheres que você deveria ter conhecido’, sobre mulheres norueguesas, virou um grande sucesso no país”, comentou.

Para o público internacional, a dupla nórdica escreveu e ilustrou o livro “A palavra F. 155 razões para ser feminista”, sobre o movimento de libertação das mulheres. “20 países já traduziram nosso livro. Nós temos ondas de discussões sobre feminismo, acredito que hoje estamos no meio de uma. Nós temos que lutar por tudo, nada nos foi dado. A luta não terminou, porque isso pode ser tirado nós. Semana passada, 10 mil mulheres lutaram na Noruega para manter a lei do aborto”, contextualizou Marta.

Texto – Airan Albino
Fotos – Diego Lopes

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