Crédito: Diego Lopes


Escrever e publicar um livro são ofícios de quem deseja ser um autor ou uma autora. Entretanto, estar presente na divulgação e participar de eventos é uma tarefa que, às vezes, tira essa pessoa da zona de conforto. Ao menos que esse escritor tenha didática, como João Pedro Roriz. Na manhã de terça-feira (13), o jornalista e arte-educador carioca fez uma palestra para alunos de Ensino Médio e de séries finais do Ensino Fundamental no Auditório do Memorial do Rio Grande do Sul.

Apesar dos poucos 37 anos, o autor de “Gorrinho, uma loucura crônica”, “Céu de um verão proibido” e “O mistério das quatro estações” tinha o público em suas mãos e conduziu a atividade sem causar um bocejo ou uma desatenção. A geração do palestrante era diferente de plateia, mas o nível de conversa foi de igual para igual. “A função de um educador, como eu, é de buscar o entretenimento para inserir um gosto amargo em vocês, chamado conhecimento. Vocês podem nem perceber do que estão falando, mas estão aprendendo”, explicou.

Os conceitos de figura de linguagem, origem grega da palavra ator, o latim que explica o significado de diálogo, a definição de empatia, e a mitologia de Narciso. Todas essas expressões foram debatidas e compreendidas pelos adolescentes. “Quem aqui gosta de jogar de videogame? Jogando a gente se conhece, sabe das nossas capacidades e dos nossos limites. No caso do livro, você também cria um personagem de si mesmo, e você tem experiências sensoriais”, afirma.

Crédito: Diego Lopes


“Vocês são passionais, alguém aqui sabe o que é passional?”, questionou. Propondo um entendimento, Roriz falou sobre o clássico “Romeu e Julieta”, no qual Romeu é um jovem de 14 anos e Julieta de 13, uma história infanto-juvenil, segundo o autor. “Essa é uma história de paixão e não de amor. Quando vocês estão tristes o mundo acaba, não? E quando estão alegres ninguém segura. Isso é paixão, viver com intensidade. Então, o Renascimento estava começando, a sociedade estava saindo da Idade Medieval. A pessoas tinham, em média, de 20 a 30 anos de vida, alguém de 40 anos era vovô. O mundo era governado por jovens e adolescentes, logo passional. Tudo era resolvido por impulso, por brigas e por mortes”, contou.

O carioca quis fazer uma brincadeira sobre quem escreve a história, o escritor ou o leitor? Um menino (Gustavo) e uma menina (Aisha) toparam participar. Os dois deviam fechar os olhos e juntar a sequência de letras que formam navio, um primeiro exercício de interpretação. Depois, com os olhos fechados, os dois deveriam contar como era esse navio, onde estava, do que era feito e para onde ia. “E agora, quem escreve a história? Eu só escrevi uma palavra e vocês me deram duas leituras. Vocês criaram duas histórias diferentes”, disse.

Texto – Airan Albino
Fotos – Diego Lopes

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