Em uma das mesas mais lotadas da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre, Katia Suman recebeu os antigos colegas de Rádio Ipanema para reviver um pouco aquela época e também falar um pouco sobre o livro “Katia Suman e os diários secretos da Ipanema Fm”, que aborda os bastidores da rádio provinda dos anos 80 e 90. Na ocasião, estavam presentes o jornalista Mauro Borba, o músico Jimi Joe, o comunicador Cláudio Cunha, com mediação do escritor e patrono da feira de 2013, Luís Augusto Fischer.

O livro traz histórias a partir de um caderno que a jornalista usava quando trabalhava na rádio Ipanema FM. Na época, sem e-mail, redes socias, Whatsapp ou qualquer outra forma instantânea de conversas, ela instituiu um livreto que ficava na mesa do estúdio, e servia como veículo de comunicação interna. Como trabalhava no período da noite, às vezes ficava sem ter como se comunicar com os outros colegas. “Quando eu chegava às sete da noite era a Voz do Brasil, não encontrava quase ninguém. A maioria das coisas aconteciam no horário comercial, entrevistas contato com os caras das gravadoras, artistas e tal. “quando eu chegava eu não sabia o q acontecia exatamente, então comprei um caderno e deixei no estúdio e sugeri que todo mundo anotasse ali o que tinha rolado durante o dia, e os cadernos passaram a ser o nosso grupo de whats. O próprio telefone fixo era um artigo de luxo na época”, esclarece . Foram 23 livros  guardados com relatos dos problemas, necessidades, ideias e brigas, entre 1985 a 1997.

Mauro Borba comenta que rolava umas brigas pesadas no caderno. “Eu li o livro praticamente sem parar. É curioso ler isso e ver como eu era imaturo, como eu era rebelde”, diz. Jimi Joe conta uma história que envolve os Replicantes e que aparece nos cadernos. Ele viu um dos integrantes xingar alguns dos comunicadores da Ipanema em um show e compartilhou com os colegas no caderno. Houve reação de Mauro Borba, que sugeriu que cortassem eles da grade da programação – sendo que era só a Ipanema que tocava a banda. Em tom de brincadeira, ele pede desculpas aos Replicantes pelo que escreveu.

A mesa foi toda contemplada por histórias e rememorações do tempo da Rádio Ipanema, importante também no sentido de redemocratização em um período recém saído de uma ditadura civil-militar no Brasil. “A rádio virava palanque com muita facilidade, todos crescemos na ditadura, era nossa primeira eleição então é claro que nós  fazíamos a cobertura da primeira eleição. Entrevistamos políticos, fazíamos boletins de acampamentos dos sem terra, era uma rádio viva”, explica Katia.

Cláudio Cunha afirma que trabalhou por dezoito anos na rádio e sempre como rádio autoral. “Era uma relação com a música que só a Ipanema proporcionava, nós éramos nossos programadores, não éramos obrigados a tocar a música que o cara da gravadora nos mandava. Jimi Joe lembra que ainda há muito material na rede bandeirantes que diz respeito a Ipanema. “Estão lá, perdidos. A história oral é uma coisa legal de contar de pai pra filho, mas tu ter isso no papel é outra coisa”, afirma.

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Diego Lopes

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