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Foi na sala Oeste do Santander Cultural que se reuniram, no final da tarde desta terça-feira (15/11), os jornalistas Rafael Guimaraens, Elmar Bones, José Antônio Vieira da Cunha, Edgar Vasques e Ayrton Centeno para um resgate da trajetória do projeto Coojornal, que movimentou a cena jornalística do Brasil nos anos de chumbo, há mais de 25 anos. O livro Coojornal, um jornal de jornalistas sob regime militar (Editora Libretos), que conta a história do veículo, foi autografado pelos autores, Guimaraens, Centeno e Bones, na noite desta terça-feira (15/11).
José Antônio Vieira da Cunha, primeiro presidente da Coojornal, definiu a importância do jornal: “um espaço aberto, sem censura, dinamizador”. O projeto gaúcho influenciou a criação de outras 13 cooperativas em todo o País, num contexto de repressão política. “Era uma produção feita por jornalistas preocupados com a questão profissional”, disse. Segundo ele, o veículo, que contou com 78 edições a partir de 1974, não tinha um viés político, mas compromisso com o profissionalismo e atingiu “grande prestígio em todo o País”.
Já o jornalista Elmar Bones lembrou a forte censura a que foi submetida a imprensa no Brasil a partir de 1969. A sociedade, a partir de 1972, passou a contestar o regime militar. Em função disso, a censura foi começando a ser retirada aos poucos das redações, “mas o controle permaneceu, de forma velada, através de um acordo tácito entre o Governo e os grandes grupos de Comunicação”.
O fato das empresas do setor se manterem acomodadas gerava grande frustração nos jornalistas da época. Bones vê uma situação semelhante, hoje, em relação aos meios de comunicação, “pois, apesar de vivermos numa democracia, há concentração dos veículos em poucas mãos, o que acaba frustrando os profissionais da imprensa, que veem seu trabalho limitado pelos interesses político-financeiros”, ressaltou.
Airton Centeno lembrou que o periódico Coojornal foi o único alternativo a obter sucesso fora do eixo Rio-São Paulo. “Tínhamos uma linha editorial voltada às reportagens e focada na redemocratização da sociedade e na realidade sul-americana, com destaque para as demais ditaduras do Continente”, contou. Ele lembrou que o jornal tinha um núcleo de pesquisa histórica, que alimentava as pautas.
O ilustrador Edgar Vasques lembrou que os duros anos de ditadura produziam também fatos e personagens ridículos, que eram usados pelos humoristas para denunciar a repressão. “O humor consegue dizer coisas nas entrelinhas”, lembrou. Considerou a sua experiência no Coojornal como “muito rica”.
Já Rafael Guimaraens, que começou na Cooperativa como arquivista, aprendeu a fazer jornalismo vendo seus colegas de mesa, que considera seus “mestres”. Embora tenha passado pelos bancos universitários, ele garantiu que seu “aprendizado prático” foi na Coojornal”