Crédito: Diego Lopes


Um local onde cerca de 350 pessoas estão juntas costuma passar a sensação de peso, de sufocamento, de aperto. Entretanto, no início da noite desta quinta-feira (8), o Teatro Carlos Urbim estava silencioso, calmo e sentindo o vento anunciando o cair do sol. A explicação está na palestra de Monja Coen sobre o lançamento de seu livro “Zen para distraídos: princípios para viver melhor no mundo moderno”. A fundadora da Comunidade Zen Budista do Brasil estava acompanhada das centros Zen Vale dos Sinos, de São Leopoldo, e da Vila Zen, de Viamão.

A obra aplica conceitos básicos do budismo para melhorar o bem-estar das pessoas e evitar as distrações que o universo oferece, como a competição, a rivalidade, a violência, o cotidiano, as tarefas simples do dia. A partir de práticas de meditação é possível manter o foco, desenvolver a atenção e atingir os objetivos desejados. Assim que apresentou o original para a Editora Planeta, a receptividade foi grande por se enquadrar em uma publicação didática. O projeto surgiu da transcrição de seus programas da Rádio Mundial, onde a mesma respondia questões simples e complexas a respeito de momentos e sensações que todos têm: amor, tristeza, felicidade, medo, etc.

Logo que subiu no palco, Coen chamou a atenção do público falando do equilíbrio, sobre manter uma boa postura, tanto para quem estava sentado quanto para quem estava em pé. “Quem está sentado, procure não ficar tão encostado na cadeira. Quem está de pé, afaste um pouco seus pés, como você de vermelho aí. Agora vamos fazer a posição dos cosmos, deixando as mãos forma elíptica, como se tivesse uma folha de seda entre os dedos”, disse.

Crédito: Diego Lopes


O exercício de respiração consciente foi realizado por todos, a pedido da Monja. “Vamos inspirar o ar de forma passiva, calmamente. Agora, abrindo a glote, uma expiração ativa. Quero ouvir todos vocês. Vamos colocar a ponta da língua no céu da boca. Isso é ter consciência de todo o corpo, dos pés, da perna, dos ombros, dos braços, e da língua, essa danadinha. Vamos observar os olhos, deixar eles caírem um pouco, mas não fechá-los. Percebam a diferença de temperatura do ar que entra e do ar que sai. Ouvimos todos os sons, próximos e distantes, eles são o que são. Percebam as roupas que cobrem o nosso corpo e a diferença das partes descobertas, as diferenças entre luz e sombra, odores e fragrâncias. Observem a mente, como são os pensamentos? As palavras, as imagens, o colorido e o preto e branco. Ou somos apenas um ser humano sentado, respirando conscientemente”, guiou a meditação.

Feito o exercício, ela ressaltou a importância de escutar e dialogar, pois, conforme ela, somos filhos de uma cultura da violência, por isso a nossa raiva sai fácil. “Em diálogo ninguém xinga. A gente precisa entender as pessoas que se manifestam com rudez. Elas podem ser adultos rancorosos por causa de uma infância sofrida”, explicou. Ao falar sobre pessoas amarguradas, Coen tocou em temas atuais e sensíveis. “As pessoas estão sempre competindo, não querendo deixar outros entrarem em alguns lugares. As cotas, por exemplo, ainda há discriminação, ainda há preconceito, porque há grupos que têm dificuldades em ingressar nas universidades”, falou sob a primeira leva de aplausos do evento. Ao falar de feminismo, ela enalteceu o desenvolvimento do corpo e da mente das mulheres: “Não tem nenhuma menina aí que acha que é inferior, né? Nós crescemos mais rápido! As meninas aprendem a falar mais rápido”.

Crédito: Diego Lopes


Segundo a Monja, é falso achar que não precisamos nos questionar, compreender as diferentes fases da vida. “Às vezes, para se autoconhecer, tem que se sentar em certos umbrais.  Se autoconhecer não ofende ninguém. E nada disso de dizer ‘eu sou assim’, só que mudar não é fácil. Eu vou mudar pouco, mas vou me entender mais. Podemos desenvolver capacidade de harmonia, de minimizar sofrimento. Existe um ponto de equilíbrio que temos que procurar​ em nós várias vezes por dia, não uma vez só”, falou.

Após a palestra no Teatro, Monja Coen autografou seu mais novo livro na Feira.

Texto – Airan Albino
Foto – Diego Lopes
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