Câmara Rio-Grandense do Livro divulga balanço da 62ª Feira do Livro de Porto Alegre

 

A Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL) divulgou às 18h da terça-feira, 15 de novembro, o balanço de encerramento da Feira do Livro deste ano. A coletiva de imprensa aconteceu na Biblioteca Moacyr Scliar, andar térreo do Memorial do Rio Grande do Sul (Rua Sete de Setembro, 1020, Praça da Alfândega – Porto Alegre/RS). Durante os 19 dias do evento, foi registrada queda de 19% na quantidade de livros comercializados em comparação com o ano anterior. No período, cerca de 1,4 milhão de pessoas frequentou o evento, contra 1,5 milhão em 2015, segundo estimativas da própria CRL.

De acordo com o presidente Marco Cena, o índice não pode ser visto isoladamente porque reflete o cenário nacional do mercado de vendas de livros em 2015 e 2016: “Neste ano, esperávamos até mesmo uma queda maior”.

Em 2016, a Feira do Livro de Porto Alegre contou com 93 expositores na área geral, 12 na área infantil e 6 na área internacional – incluindo o estande dos Açores, região homenageada pelo evento (contra 90, 15 e 8 em 2015, respectivamente). A comitiva de nove escritores açorianos promoveu uma dezena de atividades e resultou na comercialização de 379 exemplares.

Foram autografados 727 títulos com a participação de mais de dois mil autores, tanto na Praça de Autógrafos quanto no primeiro andar do Memorial do RS.

A programação para adultos, que contemplou a diversidade e a multiplicidade de perspectivas e visões de mundo, recebeu mais de 17 mil pessoas. Foram realizadas mais de 300 atividades gratuitas, tanto na Feira quanto em atividades paralelas. A Área Infantil e Juvenil recebeu mais de onze mil alunos de escolas do município e do estado das redes pública e privada, em encontros com autores de todo o Brasil. Comparando com a Feira do ano passado, a grade de programação da Área Infantil e Juvenil deste ano ofereceu mais atrações educativas e culturais, superando a meta esperada.

A 62ª Feira do Livro de Porto Alegre ocorreu de 28 de outubro a 15 de novembro e foi uma realização da Câmara Rio-Grandense do Livro em parceria com Ministério da Cultura e Secretaria de Estado da Cultura. Patrocinadores máster: Braskem, Celulose Riograndense, Grupo Zaffari e BNDES. Patrocínio da Área Infantil e Juvenil: Petrobras. Banco Oficial da Feira: Banrisul, Seja Vero. Apoio Especial: Prefeitura de Porto Alegre. Financiamento: Pró-cultura RS, Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Chega ao fim mais uma edição da Feira

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Cortejo partiu do Teatro Carlos Urbim e percorreu toda a Praça da Alfândega                        Crédito das fotos: Íris Borges

 

A música do acordeon e violão dava o tom de despedida da 62ª Feira do Livro de Porto Alegre, que parte da Área Infantil e Juvenil. Ao ritmo da trilha, os livreiros, aos poucos, recolhiam as obras em caixas enquanto recebiam as rosas ofertadas pela patrona Cintia Moscovich, pelos integrantes da direção da Câmara Rio-Grandense do Livro e demais colaboradores.

Após percorrer por toda a Praça da Alfândega cantando a tradicional marchinha, o cortejo se encontrou com o Afoxé do Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural (ASSOBECATY) na Praça de Autógrafos.

 

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Patrona Cintia Moscovich e o presidente da CRL Marco Cena cantam a tradicional marchinha de despedida

 

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Livreiros e público receberam rosas da organização da Feira do Livro

 

 

 

 

 

 

 

 

A literatura sobre o que não vemos

Discussão sobre o processo criativo, o idioma e a linguagem, entre outros temas, foram debatidos nesta terça, dia 15, pelo escritor Patrick Chamoiseau. Nascido em Fort-de-France, na Martinica, ele é autor de romances, contos e ensaios, além de já ter escrito para teatro e cinema.

Ele explicou, no encontro mediado por Vanessa Schmitt, que a base de sua escrita não é biográfica, mas literária, levando em conta a descrição de sua trajetória como escritor e sua relação com a língua crioula e francesa. “Para um escritor, o determinante não é a língua, mas a linguagem”, acentou.

Com o auditório Barbosa Lessa do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) lotado, Chamoiseau conversou sobre seu interesse pela etnografia, sobretudo pela crioula e outros grupos que não tiveram sua memória valorizada. “O objetivo da literatura não é apenas descrever o que vemos, mas também aquilo que não vemos. A literatura está próxima daquilo que não pode ser formulado”, comentou.

 

 

O escritor destacou ainda que, para contar história da Martinica, é preciso fazê-la não sob o ponto de vista colonial, mas analisando a história da escravidão, dos ameríndios e a trajetória dos imigrantes. Isso para que os pontos de cruzamento e afastamento sejam esclarecidos e todas as narrativas sejam levadas em conta.

Chamoiseau teve reconhecimento em 1992, quando recebeu o Prêmio Goncourt pelo romance Texaco sobre  três gerações distintas, da escravidão aos dias atuais.

Priscila Pasko

A “vida em rosa” na Feira do Livro

 

Édith Piaf, a mais famosa cantora francesa, foi homenageada no dia de encerramento da Feira do Livro. Grandes sucessos eternizados por ela como “La Vie en Rose”, “Non, je ne regrette rien”, “l’Hymne à l’amour” e  “Milord” foram interpretadas pela gaúcha Tássia Minuzzo.

Admiradora por música francesa, Tássia venceu, em 2009, o Festival da Canção Francesa, promovido pela Aliança Francesa de Porto Alegre. Nesta tarde, no “Tributo à Piaf”, ela foi acompanhada pelo acordeonista Matheus Kleber.

 

 

“Paixão, drama e amor estão nas canções que vamos apresentar”, esclareceu Tássia à plateia da Tenda de Pásargada na tarde deste feriado de 15 de novembro.

O público, que lotou a Tenda na tarde deste feriado de 15 de novembro, vibrou com os  clássicos franceses na voz de Tássia que lembrava a mesma paixão de Piaf ao microfone.

Beth Nunes

Bate-papo reúne autores que apostaram em novas formas de financiamento coletivo

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Autores Vitor Ortiz e Amaro Abreu falaram sobre suas experiências de financiamento coletivo

 

Hoje, os autores Vitor Ortiz e Amaro Abreu falaram sobre suas experiências de financiamento coletivo para produção editorial de seus livros Histórias de Viamão e Habitat, respectivamente. Ambos foram editados pela Libretos. O encontro aconteceu na 62ª Feira do Livro de Porto Alegre, na Sala O Retrato do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo. Após, ocorreu a sessão de autógrafos na Praça Central.

Histórias de Viamão – Histórias do Rio Grande (Libretos, 156 páginas), do viamonense Vítor Ortiz, apresenta uma síntese do conturbado contexto político da Velha República na antiga capital gaúcha. A obra – que procura investigar os reflexos causados em Viamão pela Revolução Federalista (1893) e o Levante Maragato (1923), as duas guerras civis que abalaram o Rio Grande entre a Proclamação da República (1889) e a Revolução de 1930 -  foi integralmente patrocinado por um sistema de apoio e venda antecipada chamado crowdfunding.

“Essas novas experiências de financiamento coletivo (Catarse, Kickante, entre outros) são a grande saída para muitos artistas, já que temos tido uma perda nas leis de incentivo e as editoras são muito fechadas a novos trabalhos. Além disso, esses projetos são legais porque envolvem pessoas, que divulgam e acompanham o nascimento de uma obra”, disse Abreu.

Ao todo foram impressos 2 mil exemplares, dos quais 1.200 foram vendidos antecipadamente. Assim como Ortiz, Amaro também também financiou sua obra com essas novas ferramentas de financiamento.

 

 

 

 

Por dentro da ilha

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Um país socialista e de cultura efervescente continua despertando a curiosidade de quem por lá chega. Foi o caso pelo jornalista e escritor gaúcho Vladimir Cunha Santos que escreveu o livro Cuba, hoje: a atual realidade da ilha socialista das Américas. Ele se encontrou, nesta terça (15) com a plateia do Auditório Barbosa Lessa do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo para falar a respeito de sua viagem à ilha caribenha.

Baseado em suas impressões e pesquisas que fez durante suas viagens, Santos comentou sobre o sistema de saúde e os cerca de 70 mil médicos cubanos que trabalham pelo mundo. Lembrou da aproximação dos Estados Unidos com Cuba e o interesse do país norte-americano no mercado cubano, em um cenário que os produtos chineses ampliam sua presença. Além disso, o escritor comentou sobre a cultura local, onde a presença da música é fortíssima, e o forte controle do Estado sobre os meios de comunicação.

Oficinandos da Arte da Palavra lançam livro

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Ministrantes Alcy Cheuiche e Paulo Flávio Ledur no lançamento do livro oficina de criação literária 2016

 

A oficina literária A Arte da Palavra comandada pelo professor e editor Paulo Flávio Ledur e pelo patrono e escritor Alcy Cheuiche (52º edição) formou a turma dos alunos que participaram do curso durante o ano de 2016. Ontem (15), no Santander Cultural, o grupo se reuniu para as tradicionais leituras, e, logo após, se dirigiram para autografar a obra no Memorial do RS. O livro, homônimo, é lançamento da Editora AGE.

Segundo Cheuiche, a oficina, que tem duração de 8 meses, gera resultados satisfatórios porque seus participantes praticam muitos exercícios, como a leitura, a escrita (no mínimo um conto semanal), a leitura em voz alta, o foco narrativo, a estética de expressão literária, sempre preservando a identidade de cada escritor.

Participaram da Arte da Palavra 2016: André Luís Dutra, Camila Meurer Jandey, Cassiano Fuga Cunha, Jacques Camargo, Thiago Dihl Perin, Vera Chaves Oliveira e Virgínia Kessler.

 

 

 

O olhar das mulheres de Futhi Ntshingila

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A literatura tem dessas coisas. Pode despertar a empatia pela palavra, provocar identificação com personagens e situações, fazer com que o leitor não se sinta tão sozinho.  A Feira do Livro tem dessas coisas.  Coloca escritor e leitor frente a frente, permitindo que eles se descubram, se aproximem. Particularmente, tive a oportunidade de desfrutar das duas situações.

A última foi vivenciada – no sentido mais amplo da palavra – na noite desta segunda-feira (14), quando Julia Dantas e eu entrevistamos a escritora sul-africana Futhi Ntshingila, que veio à Feira do Livro de Porto Alegre divulgar seu livro Sem gentileza (Dublinense, 2016).  A conversa contou o apoio imprescindível de Hilton Moreno Lima, tradutor do livro, que também traduziu as perguntas feitas à autora e suas respostas, no Auditório Barbosa Lessa do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo.

Conheci Futhi há alguns meses, quando eu a entrevistei para o Veredas, blog que edito e se dedica a divulgar e discutir a literatura de autoria feminina. A trama de Sem gentileza havia me impactado, não apenas pela história retratar um grupo de mulheres negras que vive na África do Sul, por fazer parte de diferentes gerações, por cada uma delas lutar a sua maneira contra o racismo, o preconceito, estupro e hipocrisia religiosa.

Sem gentileza chama a atenção não apenas pela adolescente Mvelo e sua mãe Zola terem apenas uma a outra num cenário de miséria, pela autora discutir questões de identidade negra e construir personagens à altura do que é ser mãe, filha, avó, irmã numa sociedade em que o machismo e as condições sociais não são favoráveis a elas. Até porque esta é uma história comum a mulheres de todo o mundo. “Interessante que, por serem personagens femininas, elas são vistas como fortes. Se fossem homens, não diriam isso”, comentou Futhi, que pertence à etnia isiZulu. A escritora contou ao público que está trabalhando na tradução de Sem gentileza para o isiZulu, uma maneira de garantir  que seja registrada sua história e de seu povo.

O que causa certo alívio – mas não conformidade, pois é preciso ocupar mais espaços – é saber que registros como esse estão sendo abordados na literatura e conquistando o interesse do leitor. É perceber que mulheres, mulheres negras, sobretudo, estão difundindo sua perspectiva de mundo despertando, ou reforçando, o interesse de uma plateia, como a que encheu o auditório Barbosa Lessa, nesta segunda-feira. A meu ver, o título Sem gentileza não propõe a extração de uma postura necessária à vida, mas sim o combate essencial para poder sobreviver a ela.

 

Priscila Pasko

Quando a ficção e os fatos se encontram

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Pesquisador e escritor medieval Sérgio Luiz Gallina deu dicas sobre como elaborar um romance histórico

 

O escritor e pesquisador medieval Sérgio Luiz Gallina falou sobre elaboração de romances históricos, ontem (15), na Sala Leste do Santander Cultural. A mesa A construção de um romance histórico – Uma metodologia orientada à construção de roteiros reuniu interessados no gênero literário. Gallina, que é autor de O Cavaleiro do Templo, que conta com quatro volumes sobre a saga da família de Anna da Bretanha, na época das Cruzadas.

Segundo Gallina, o candidato a escritor de romance histórico deve ficar atento aos sinais, às ideias que lhe vierem à cabeça, e registrar tudo, sempre. Já fatos e dados históricos, ele recomenda registrar numa tabela de Excel para criar uma sólida base de dados. “Ao longo do processo narrativo, é fundamental ficar atento aos sinais que surgem ao longo do processo”, disse Gallina.

Encerramento tem cortejo, música e festa na Praça da Alfândega

Público está convidado a participar da festa

 

E já estamos com saudade! Em 19 dias, as palavras reinaram na 62ª Feira do Livro de Porto Alegre. Foi através das palavras escritas, faladas ou interpretadas em libras que, desde 28 de outubro, diariamente, da manhã à noite, nos comunicamos de todas as maneiras, para o benefício da cultura, do pensamento e da construção de pontes que aproximam pessoas e superam distâncias de toda ordem.

Além dos livros oferecidos nas bancas da Praça da Alfândega ou no Memorial do Rio Grande do Sul, onde a Área Internacional está localizada, centenas de atividades culturais — todas gratuitas — como palestras, seminários, mesas-redondas, colóquios, oficinas, contações de histórias, apresentações artísticas e sessões de autógrafos trouxeram leitores, turmas de escolas, famílias e escritores para a praça e seu entorno. Espaços ao ar livre e dentro de prédios históricos, como o Santander Cultural, o Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, o Margs e o próprio Memorial, reuniram diferentes gerações, mantendo viva a tradição democrática do evento e assegurando sua aptidão natural em aproximar pessoas e culturas.

Para marcar o encerramento da 62ª Feira do Livro de Porto Alegre, um cortejo de despedida (já tradicional no evento) vai partir hoje, às 20h30, da Área Infantil e percorrer os corredores da Praça da Alfândega, distribuindo rosas vermelhas às bancas de livros. O acompanhamento musical será feito por uma banda que vai executar a canção Está chegando a hora, num percurso de pouco mais de trinta minutos, com a participação de palhaços. Em seguida, o grupo de Afoxé do Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural – ASSOBECATY, do Núcleo de Percussão do Quilombo do Sopapo Iyalodê Idunn com a coordenação de Mestre Du Nascimento, vai reunir o público na Praça de Autógrafos, garantindo um  encerramento enérgico, empolgante e animado.

Programação do dia segue normalmente até a festa de encerramento

Música e dança da França e da Argentina também marcam o último dia de atrações da Feira. Às 17h, tem Tributo à Édith Piaf na Tenda de Pasárgada (Praça da Alfândega, diante do Memorial do RS). A cantora Tássia Minuzzo e o acordeonista Matheus Kleber prestam homenagem à cantora francesa.

Às 20h, tem espetáculo de tango no saguão do primeiro andar do Memorial . O grupo 8 Adelante se apresenta e convida os amantes do tango para bailar em frente ao estande da Livraria Calle Corrientes.

Ainda abrangendo a vertente internacional da Feira, duas ilhas do Mar do Caribe, Cuba e Martinica, são evocadas no dia de encerramento. O jornalista e escritor gaúcho Vladimir Cunha Santos fala, às 14h, no Auditório Barbosa Lessa do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (R. dos Andradas, 1223), sobre a atual realidade de Cuba. No mesmo local, às 16h, entra em pauta “Da Martinica: a escrita de Patrick Chamoiseau”. Seu livro surgiu a partir de uma entrevista feita pelo jornalista e escritor francês com a líder de uma ocupação.

A programação completa pode ser acessada aqui.

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