
02.11.2009
A alquimia de culturas em meio ao conflito por terras
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Deborah: estreia nos jacarandás e paixão à primeira vista pela Feira Foto: Rômulo Valente
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A Feira do Livro não disponibiliza apenas obras consagradas e recém-lançadas. É também responsável por trazer pré-lançamentos. É o que ocorre com o livro O Fervo da Terra, da antropóloga paulista Deborah Goldemberg, que ainda não foi apresentado ao grande público, mas serviu de tema de palestra no Santander Cultural realizada nesta segunda-feira (2), e tem sessão de autógrafos na Praça da Alfândega, às 18h30min.
O conflito de terras costura a história deste que é o segundo livro desta filha de gaúchos. Em formato de novela, a ficção tem como personagens gaúchos – liderados por Seu Luís de Castilhos –, garimpeiros e índios. Tudo começa quando o gaúcho resolve se mudar para o Mato Grosso e se tornar agricultor e pecuarista. Chegando lá, encontra Aké Panará, índio de 14 anos, órfão, que passa a ser criado pela família. Anos mais tarde, os garimpeiros descobrem que o Estado é “uma mina de ouro”, e aí começam os desentendimentos.
O pequeno índio, que nasceu no local e é despido de preconceitos, é quem conta como tudo acontece. A escolha de Aké como narrador da história, conforme a autora, tem como principal objetivo manter a imparcialidade e humanizar a narrativa. “Eu quis apresentar a competição da terra e os sonhos a partir da visão do índio, que era o proprietário original do lugar, relatando quais são as diferenças de interesses e culturais entre esses grupos”, explica Deborah.
A autora ressalta, ainda, que o leitor poderá tirar suas próprias conclusões em relação ao problema, graças à imparcialidade do texto. Além disso, a obra aborda em linhas gerais a história da formação étnica do brasileiro, marcada pela miscigenação – no caso do livro, ela se expressa na junção do garimpeiro, do gaúcho e dos indígenas, mostrando como as culturas se aproximam e formam uma nova identidade. Em um trecho da obra isso fica evidente com a declaração de Aké: “Todo mundo se modifica, ninguém fica no original”, inclusive o índio, que passa a adotar costumes do gaúcho que lhe adotou.
Paixão a primeira Feira Deborah Goldemberg, 33 anos, é um exemplo de que a Feira do Livro de Porto Alegre é viciante. A autora relatou que ficou encantada com a simplicidade e presença maciça dos gaúchos, sem discriminação por classe social, raça e idade, no evento. Ressaltou que nunca tinha visto uma feira a céu aberto com um público tão apaixonado pela literatura, que vai desde a camareira de seu hotel até intelectuais da cidade. “É um sonho estar aqui e também é meu sonho escrever literatura para o Brasil inteiro”, Disse Deborah. A partir dessa primeira experiência em meio aos jacarandás da Praça da Alfândega, a autora decidiu: a partir de agora trará todos os seus projetos para a “cidade dos livros”.
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ATUALIZAÇÃO
As notícias são elaboradas pela assessoria de imprensa que, além de anunciar os destaques da programação, faz a cobertura dos eventos, possibilitando um panorama geral da Feira do Livro.
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