
14.11.2009
Uma nova visão da história brasileira
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Nunes: humor é pouco valorizado no Brasil Foto: Rômulo Valente
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O ex-tesoureiro de Fernando Collor de Mello, PC Farias, morreu mesmo porque sabia demais – afinal, decorara de cabo a rabo a tabela periódica e conseguia escalar, sem pestanejar, o time do Corinthians de 1932 – inclusive os reservas. Já a divisão do Brasil em capitanias hereditárias foi uma ideia dos portugueses para faturarem algum após ouvirem a recomendação de Raul Seixas de alugar o País. O problema é que as terras não podiam ser vendidas depois de arrendadas: afinal, como a calvície, eram exclusivamente hereditárias.
Fatos célebres da história brasileira ganharam novas – e cômicas – versões em A outra história do Brasil (editora Planeta do Brasil), escrita por Jovane Nunes, ator e redator de programas da TV Globo e da Cia de Comédia Os Melhores do Mundo. Na tarde de hoje (14), Nunes conversou com os visitantes da Feira no Átrio do Santander Cultural.
– O primeiro objetivo do meu trabalho é fazer rir, mas sempre há no fundo uma crítica social e política – explicou o escritor, famoso por interpretar o olho-grande Zeca Pimenteira no humorístico Zorra Total, da Globo. Nunes citou Machado de Assis como um dos inspiradores de seu trabalho, já que a ironia de seus contos e romances muitas vezes o aproximavam da comédia.
Para Nunes, o humor tem pouca valorização no Brasil, diferentemente de outros países, onde a comédia tem amplo espaço na mídia e é respeitada pela crítica. Nos Estados Unidos, por exemplo, programas humorísticos ocupam o horário nobre nas televisões e são divulgados pela imprensa.
– Principalmente as sátiras não têm a valorização que merecem no Brasil – disse Nunes.
A sátira que permeia A Outra História é uma conotação debochada a fatos variados da história brasileira, desde o descobrimento até os tempos modernos, alfinetando a vida política e cultural do país. O humor é acurado: mesmo os fatos mais ridículos ficam ainda mais absurdos nas mãos de Nunes. Ele diz, por exemplo, que Silvio Santos, ao se candidatar a presidente em 1989, convenceu Armando Correa a trocar sua candidatura por um par de tênis e uma tele-sena. Afinal, tinha pressa em conseguir a harmonização entre base aliada e oposição em Brasília, projeto que seria alcunhado de “Namoro no Congresso”.
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