
14.11.2009
Um olhar teológico sobre as ciências e bioética
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Convergência: ciência e religião podem se unir e contribuir para a promoção da vida humana Foto: Rômulo Valente
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Um olhar teológico sobre as ciências e a bioética foi tema de uma mesa redonda na Sala Oeste do Santander Cultural na tarde deste sábado (14), que contou com a participação de Euler Westphal e do padre José Roque Junges, com mediação de Joe Marçal dos Santos. Em debate, questões características da modernidade que inquietam e preocupam muitas pessoas, como o futuro da humanidade. Afinal de contas, tanto a teologia quanto a ciência são saberes que podem auxiliar-se mutuamente na promoção da vida humana.
Westphal fez relatos de dilemas éticos na área da medicina e questionou quais são os valores que povoam o imaginário humano em relação à ética e à ciência.
– É preciso trabalhar com os estudantes de medicina sob uma ótica tecnológica não secularizada, já que crer na dignidade do ser humano é uma confissão de fé – afirmou. Segundo ele, desde que se aboliu Deus da ciência, o ser humano passou a ser coisificado:
– Hoje, nós transferimos a mecânica e a hidráulica da engenharia para o corpo humano – afirmou.
Para o padre José Roque, que ensinou ética teológica por 18 anos e agora trabalha na Unisinos, com atuação no campo da bioética, existem dois tipos de bioética: a ética casuística, que se refere à ética utilizada nos comitês de pesquisa e nos hospitais, e a ética hermenêutica, que recorre às raízes da dignidade do ser humano e aos significados simbólicos da ética.
– Creio que essa bioética é muito pouco praticada no Brasil – disse Roque. Segundo ele, a medicina virou uma espécie de religião, a qual está sendo tratada como uma nova solução para os problemas das pessoas.
– A ciência humana precisa sair da lógica de que o homem é uma máquina, e que o seu fim é a morte. O ser humano pode viver sem Deus, só não pode morrer sem Deus – resumiu o padre.
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