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56ª Feira do Livro de Porto Alegre
 

14.11.2009
O híbrido Thorpe e sua literatura da esperança
Propalar os conceitos da sustentabilidade são o mote das metáforas de Thorpe
Foto: Rômulo Valente

Uma Ducha das Letras praticamente vazia acompanhou, no final da tarde deste sábado (14), o breve relato de um premiado escritor inglês, que está vindo ao Brasil pela primeira vez. Para uma plateia muito aquém da relevância que sua literatura e seu modo de ver a realidade mereceriam, David Thorpe explicou que, apesar da tecnologia permear seu primeiro livro lançado no Brasil – Híbridos - nem homens, nem háquinas – o que o preocupa mesmo são as questões ambientais e ligadas à sustentabilidade.

Rechaçando a alcunha de que seus livros e histórias em quadrinhos são sobre ficção científica, Thorpe explicou que na verdade trabalha com metáforas. Quando criou o personagem principal do livro, Johnnie Online – um jovem de 17 anos vítima de um vírus que transforma sua face em um monitor de computador, com uma câmera na testa e dois microfones logo abaixo de onde estariam as bochechas, se ele as tivesse – o que ele pretendeu foi abordar o quanto as pessoas, mesmo sem querer, cada vez mais se parecem com aquilo que elas têm. O par de Johnnie na história chama-se Kestrella, uma garota de 16 anos cujas mãos começam a se transformar em celulares, à medida que o vírus a contamina.

– Você vê alguém falando de um carro e tem a impressão de que ela gostaria de ser o próprio carro. Além disso, cada vez mais as pessoas têm mais do que podem usar – explicou este inglês nascido em Nottingham, mas que hoje vive em uma pequena cidade do País de Gales. Quanto ao fato de ter direcionado seu primeiro romance para o público infanto-juvenil (ele já editou ou produziu várias publicações de caráter ecológico, além de histórias em quadrinhos, como Captain Britain, Doc Chaos, Public Servants e Managing Hell), Thorpe explica que o fez porque acredita na palavra esperança. E as esperanças de um mundo diferente estão nas mãos dos jovens.

Dono de uma empresa de websites chamada Cyberium, Thorpe de certa forma é também um híbrido, como alguns dos personagens de seu livro, já que sofre de uma doença congênita que praticamente o impede de digitar seus textos.

Híbridos eu criei ditando o conteúdo para o computador via microfone e fone de ouvido – explicou Thorpe.

Mesmo tendo chegado à capital gaúcha neste sábado, às 9h, o escritor se disse muito impressionado com Porto Alegre em dois aspectos: primeiro, com o fato de ser muito arborizada e ter áreas de preservação junto ao rio (ele fez um passeio de barco pelo Guaíba ainda na parte da manhã); e segundo, porque na capital gaúcha, ao contrário do que vivenciou em duas semanas de São Paulo, as pessoas sorriem o tempo todo. Sua próxima parada: Curitiba, onde pretende ver de perto a cidade que tem a fama de ser a mais ecológica do Brasil.

Híbridos – nem homens, nem máquinas ganhou dois prêmios internacionais: o Harper Collins/SAGA para novos escritores, em 2006, e o Lewisham, em 2008.
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