
15.11.2009
Pensando a ocupação das cidades
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Mongin: ponto de vista multidisciplinar é fundamental para se entender os dramas urbanos Foto: Rômulo Valente
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Último pensador francês a participar do Ciclo de Ciências Humanas na Feira do Livro, o ensaísta Olivier Mongin deu uma aula sobre como se pode pensar as cidades a partir do crescimento urbano, tomando por base um princípio norteador chamado sustentabilidade.
Segundo ele, é preciso dar mais atenção à cultura da ocupação urbana.
– Não se pode pensar a cidade sem pensar a teatralidade, as cenas e a ocupação do espaço com arte – afirmou.
A arte de habitar é outra questão que deve ser vista com mais atenção, afinal toda a cidade é feita para durar, para fazer história. E nesse contexto, a questão do imaginário é central.
– Pensar a construção de uma casa ou de uma cidade é uma questão do imaginário, de como as pessoas se pensam na cidade – disse.
Diplomado em Letras, História e Filosofia, Mongin é diretor da revista Esprit desde 1988, e teve em paralelo uma rica atividade editorial: foi co-diretor da coleção Couleur des idées (a cor das idéias), edições Seuil, e dirigiu a coleção Questions de société (questões de sociedade), edições Hachette, de 1993 a 1997. Atualmente, leciona filosofia política na universidade de Lyon II e no Centro Sèvres, além de ser secretário geral do Sindicato da Imprensa Periódica Cultural e Cientifica.
À margem do mundo intelectual acadêmico, Olivier Mongin se utiliza de um ponto de vista multidisciplinar e independente para investigar os problemas criados pelas rupturas do mundo contemporâneo. Um de seus temas principais é a violência nas cidades, na política e na criação artística. Os fatores que Mongin aponta como essenciais para a formação de grandes cidades são três: o respeito à paisagem, fazendo poucas alterações ao meio ambiente; o respeito às condições de saúde, e o respeito aos destinatários, ou seja, às pessoas que frequentam determinado ambiente. Resultado do processo da globalização, o domínio da linguagem econômica sobre as ciências sociais faz com que a participação política tenha perdido espaço nas cidades.
Mongin, que já havia estado em Porto Alegre em 1989, tem uma colocação sobre a temática dos muros que dividem as cidades de suas belezas naturais :
– É preciso contrapor as tendências, colocar limites e saber onde estão os contornos de nossas cidades, vendo o que colocar dentro e fora dos muros – afirmou. Segundo Mongin, uma das tendências do crescimento urbano é a privatizaçãodo espaço público. E isso traz de volta o debate sobre o bem comum :
– Nós vivemos em uma terra única, todos os problemas estão ligados ao um mesmo sistema – disse.
Entre os livros de sua autoria disponíveis em português, estão A violência das imagens (Bizancio, 1998) e Paul Ricoeur e as fronteiras da filosofia (Instituto Piaget, 1997). Após o evento, ele autografou A condição urbana, no 1° andar do Memorial do Rio Grande do Sul.
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