
17.11.2009
Um presidente apaixonado pela leitura
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Diversidade e inclusão: as marcas positivas da Feira do Livro de 2009 Foto: Rômulo Valente
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Em clima de despedida, a série de textos publicados pelo site da Feira, retratando os bastidores e mostrando o trabalho de quem faz o evento acontecer, se encerra com uma entrevista especial. A seguir, acompanhe um bate-papo com João Carneiro, presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, entidade que comemora o encerramento de mais uma edição do maior evento livreiro a céu aberto das Américas.
Na última quinta-feira, dia 12, a principal liderança da Feira do Livro de Porto Alegre fez uma pausa em sua movimentada agenda e se acomodou no sofá branco de dois lugares da casa da Imprensa, bem em frente ao Margs, para conceder uma entrevista exclusiva ao site da Feira. Bastaram poucos minutos de conversa para se perceber os traços mais marcantes na personalidade de João Carneiro: calmo e apaixonado pela literatura, o presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro é uma pessoa que está sempre disposta a atender a todos. Difícil mesmo foi descobrir qual seu gênero literário preferido. Até porque Carneiro costuma ler muitas obras ao mesmo tempo, algumas por prazer, outras por ofício.
Em relação aos textos que é obrigado a ler, os quais fazem parte de sua rotina como livreiro e presidente de uma associação de classe, João costuma se concentrar intensamente, estar muito atento aos detalhes. Já quando encontra tempo para a literatura ou leitura de textos de caráter mais pessoal, dá preferência por aqueles menos complexos, que proporcionem maior envolvimento emocional, e por isso ele se dá ao direito de relê-los, inclusive mais de uma vez, se for o caso.
– Parafraseando Ariano Suassuna, eu não tenho o hábito da leitura: tenho paixão por ela.
Normalmente ávido, assim como muitos apaixonados por esta arte, Carneiro confessa que não raras vezes prorroga ao máximo o término da leitura de uma obra, naqueles casos em que a mesma o está agradando de forma especial.
Relação pessoal – O envolvimento de João Carneiro com a Feira começou antes mesmo de sua entrada na Câmara Rio-Grandense do Livro. Para o presidente da CRL, uma mudança de qualidade aconteceu quando ele ingressou na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ele relembra que vinha ao evento na busca de livros a preços acessíveis, e foi neste período que começou a montar sua biblioteca. Fã de saldos e das caixas de promoções, Carneiro sempre voltava para casa com muitas obras de qualidade. O momento que lembra com maior saudosismo é o da compra de A História da Filosofia Medieval.
– Foi o primeiro livro caro que adquiri – relembra Carneiro, na época estudante universitário e professor do Ensino Médio.
Sai o leitor, entra o presidente – Quando o rumo da conversa se volta para sua atuação à frente da Câmara Rio-Grandense do Livro, o presidente faz questão de enfatizar que durante todo o ano a entidade estabelece parcerias e participa de eventos diversos, ações que sempre têm como objetivo colaborar para a qualificação e a ampliação da Feira.
– Como em minha gestão umas das diretrizes é a defesa da leitura como forma de inclusão, nada melhor que o crescimento contínuo da Feira, que só beneficia e estimula os não-leitores.
João Carneiro destaca que o evento e os livreiros têm sofrido, nos últimos anos, com a concorrência das lojas ponto.com.
– Essas lojas usam algumas obras mais populares como chamariz para o consumo também de outros artigos. Isso, além de limitar a área de visão daquele que pode se tornar um leitor, também prejudica financeiramente as pequenas empresas – lamenta Carneiro.
Em contrapartida, o presidente da CRL considera que a Feira se diferencia como espaço privilegiado, onde é possível que cada um encontre, de acordo com a sua perspectiva, a melhor literatura.
– A Feira vem mudando, e para melhor, em diversos aspectos. Ainda tenho na memória, por exemplo, a imagem da abertura quando o Caio Fernando Abreu foi Patrono. Não tínhamos na época cobertura, e chovia tanto que a plateia formava um mar de guarda-chuvas – enfatiza.
Quanto à 55ª edição, o presidente da CRL é econômico, mas enfático quando perguntado sobre o que aconteceu de melhor: a diversidade e a inclusão.
Balanço da gestão – Os dois últimos anos foram bastante intensos na vida do presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro. Neste período, o principal objetivo de João Carneiro foi buscar a profissionalização do mercado. Ao fim de seu mandato, ele comemora conquistas como a ampliação e participação crescente da entidade na defesa dos interesses do mercado editorial, de um lado, e da leitura como política pública, de outro.
– Conseguimos avançar em muitas parcerias, tanto na iniciativa privada quando na área pública – reforça.
Independente das conquistas alcançadas no período, o presidente da CRL enfatiza que será muito importante que a próxima administração dê seguimento ao projeto de profissionalização crescente do setor.
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