Uma tarde para refletir sobre nomes pioneiros da literatura na 64ª Feira do Livro de Porto Alegre. Realizado pelo Jornal da Universidade, o Sarau “Vozes femininas dissonantes” propôs um debate sobre a obras das autoras Florbela Espanca e Maria Firmina dos Reis”, ambas incluídas na lista de leituras do próximo vestibular da Ufrgs. O sarau teve participação de Mayura Matos e Thuanie Cigarian realizando leituras dramáticas, enquanto as professoras Márcia Ivana Silva, Roberta Flores Pedroso comentaram as obras.

O sarau começou com a atriz Mayura Matos trazendo sua interpretação do prólogo de Úrsula, romance da maranhense Maria Firmina dos Reis. Roberta Pedroso contou que a escritora foi autodidata e pioneira no século XIX. “Quando escreve Úrsula, ela faz uma interlocução com muito do que estava acontecendo nas Américas. Ela inova na literatura brasileira ao trazer o ponto-de-vista do escravizado e da mulher no século XIX”, afirmou. Na época, já existiam textos autobiográficos de escravizados nos Estados Unidos e em Cuba, por exemplo.

A obra fez uso de artifício romântico para falar de forma mais sutil sobre o abolicionismo. Entre outros elementos pioneiros, ela apresentou um relato de um navio negreiro dez anos antes de Castro Alves, por exemplo. Úrsula só foi descoberto no final do século XX.

Também pioneira em seu país, a portuguesa Florbela Espanca foi apresentada, primeiramente, com uma carta retirada do livro “Correspondência”, de 1920. Filha de empregada com um pai rico, foi criada afetuosamente pela madrasta e teve boa educação. A escritora, que começou a escrever quando criança, foi uma das primeiras mulheres a se formarem em Letras em Portugal e também a primeira mulher portuguesa a entrar no curso de Letras. O erotismo, a intensidade e a busca pelo amor são características da poeta. “Ela revela sua alma mais escondida, aquilo que está mais interior”, explicou Márcia Ivana Silva.

Texto: Thaís Seganfredo
Fotos: Bere Fischer


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