Nicolle, Eliane e Rodrigo. Crédito: Diego Lopes


Você já ouviu falar em Buchi Emecheta (1944-2017)? Em outubro de 2017, 22 mil pessoas conheceram a romancista nigeriana por causa da curadoria de Chimamanda Adichie, que indicou a obra “As alegrias da maternidade” para os leitores da TAG, clube de assinatura de livros. Na 64ª Feira do Livro de Porto Alegre foi realizada a mesa “Buchi Emecheta: o que a literatura da Nigéria pode ensinar ao Brasil”, no Auditório Barbosa Lessa, do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo.

Conduzido pela poeta e ensaísta Eliane Marques, o evento contou com a participação de Rodrigo Rosp, autor da Dublinense, e Nicolle Ortiz, analista de conteúdo da TAG. Marques foi apresentada por Rosp e iniciou sua fala com leituras de Francis Abiola Irele (1936-2017) e de Chinua Achebe (1930-2013). Nos trechos escolhidos, em “A imaginação africana: literatura na África e na diáspora negra” e “O mundo se despedaça”, respectivamente, a escritora expôs paralelos entre os nigerianos, denunciando a imagem estereotipada em que os negros eram encaixados por autores brancos. O olhar dos agentes europeus usufruía do seu poder de influência para desvalorizar, desumanizar pessoas de pele escura.

Eliane Marques. Crédito: Diego Lopes


Essa visão sobre a africano-negro, como figuras instintivas, conduziu a literatura de Emecheta, conforme Marques. No debate, além do livro selecionado pela TAG, “Cidadã de segunda classe” foi outra publicação presente, pois se conecta com as outras publicação, por meio da dor vivenciada pela mulher negra. Eliane Marques também fez links de passagens de Emecheta com Wole Soyinka, Nobel de Literatura em 1986.

Com o sucesso de receptividade de “As alegrias da maternidade”, Rosp foi um dos interlocutores da tradução, feita pela Dublinense, para o Brasil. Mesmo com o falecimento de Buchi, em janeiro de 2017, as negociações dos direitos autorais com o filho da escritora, Sylvester Onwordi, não sofreram alterações.

Apesar de ter o recorte sobre a vida de mulheres negras, o texto de Emecheta consegue tocar outras etnias. Foi assim que a TAG escolheu o romance que fala da maternidade como livro mais querido pelos leitores.Uma resenha sobre a obra foi escritapela patronável da 64ª edição da Feira do Livro, Letícia Wierzchowski, para o blog. Segundo Letícia: “foi uma experiência literária única. Uma aventura que se iniciou com certa estranheza, confesso, mas que se transformou em maravilhamento, em puro fascínio”.

Texto – Airan Albino
Fotos – Diego Lopes

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