A sala O Retrato no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo  recebeu nesta quinta-feira, 15 de novembro, o escritor e psiquiatra português Joaquim Manuel Pinto Serra, que nos altos dos seus oitenta anos atravessou o oceano Atlântico para chegar à Feira do Livro de Porto Alegre e proferir uma palestra intitulada A Arte do Envelhecimento, uma contribuição do escritor para a desmistificação da ideia de envelhecimento.

A audiência foi chegando aos poucos, composta por uma grande maioria de senhoras e senhores que se aglutinaram nas cadeiras de plástico brancas improvisadas. Um pouco depois das 16h, quando foi marcada o início da fala na Feira, o português se levantou e finalmente começou a discorrer sobre envelhecer, sobre como a sociedade vê os mais velhos.  “Envelhecer não é uma doença. Também ganhamos alguma coisa com o envelhecimento e tento trazer isso nas minhas obras”, diz. Tudo em um sotaque calejado português e em um tom baixo.

Falou, falou, mas um murmurinho começou a se voltar por parte da plateia. O problema se tornara evidente: não estavam conseguindo escutar direito.

Alguns reagiram com reclamações breves, outros inclinavam o corpo um pouco para frente a fim de tentar escutar tais palavras. “Estava dizendo que é diferente falar de envelhecimento de dentro para fora, uma coisa é um idoso falando sobre o envelhecer, suas experiências são valiosas”, disse em um momento.

Quando um senhor na plateia vestindo uma roupa azul e um chapéu  irrompeu a tentativa de silêncio para pedir que se era possível que viesse mais à frente, e que falasse mais alto, que não estavam conseguindo escutar direito. Ele se aproximou das cadeiras, e disse: “É culpa do tempo, né?”. E todo mundo riu. E ele se aproximou, e começou uma espécie de conversa mais próxima com alguns dos presentes que tentavam, se esforçavam para se entender. 

Sobre o autor

Motivado pelos estudos nos domínios da Gerontologia e da Gerontopsiquiatria, Joaquim Manuel leciona a disciplina “A Arte de Envelhecer” em várias Academias de Seniores, na cidade de Lisboa. Essas experiências sensibilizaram-no para escrever publicações dedicadas aos mais idosos e à sua difícil integração numa sociedade incomodada com as longevidades concedidas, nos tempos atuais, pela Ciência.

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Pedro Heinrich

 

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