O Papel da Biblioteca e da Leitura no Desenvolvimento da Sociedade foi o tema do VII Seminário Internacional de Bibliotecas Escolares, Comunitárias e Públicas que aconteceu no Auditório Barbosa Lessa, do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo. A abertura oficial aconteceu às 9h45 e logo em seguida começaram as apresentações orais e relatos de pesquisas e práticas de leitura selecionadas.

Quem começou apresentando foram Maria Rita da Rosa Oliveira e Thais Boardman de Souza, ambas da Ufrgs, com o projeto “Eu me vejo: a representatividade a partir da literatura em sala de aula”. Elas apresentaram um projeto educacional do Alternativa Cidadã em que deram aulas sobre como a representatividade relacionada a questões da mulher, dos negros e dos lgbts. A questão do lugar de fala também foi um dos tópicos abordados. “Uma coisa é nós mulheres contarmos uma história de nós mulheres, outra coisa é um homem contar a partir de sua visão”, diz Rita. Foram apresentadas também obras consideradas importante para as questões feministas, como O Quinze, de Raquel de Queiroz. Em relação aos lgbts, foram apresentados livros como O Ateneu e O Cortiço e problematizado como aparecia de forma pejorativa. “E como isso muda quando os próprios lgbts começaram a escrever, como o Caio Fernando e mais recentemente a Natalia Polesso, do Amora”, conta. Sobre a Literatura Negra foram apresentadas também escritoras Maria Firmina, Conceição Evaristo. “As alunas se viram representadas em sala de aula, e isto, para nós, foi o melhor”, conta Thaís.

Osmar Cervo Filho e Eliana Linhares da Silva

Depois foi a vez da apresentação do projeto Cronicamente Juremir Machado, com Eliana Linhares da Silva e Osmar Cervo Filho. Os alunos da Escola Dr. Liberato Salzano Vieira da Cunha, do bairro Sarandi, publicaram um livro inspirados em textos do jornalista e escritor Juremir Machado. A ideia do projeto é que os alunos sejam protagonistas. “A auto estima dos alunos quando chegam no Ensino Médio é baixa, por toda a questão de vulnerabilidade deles. A nossa ideia com isso também foi  fomentar uma elevação da autoestima”, conta Osmar.

 

Márcia Irala

A iniciativa Livros Livres – Literatura na Escola de Administração – UFRGS, apresentada pela bibliotecária Márcia Irala, era aproximar os técnicos e os professores da literatura. A “Mediação de Leitura Através do Projeto “Banquinho do Leitor Famoso”, com Silvana Silva da Silva, do colégio Murialdo, de Porto Alegre, explorou o despertar do senso crítica através da mediação da leitura que surgiu a partir da observação e da participação diária dessas crianças.

Houve ainda tempo para as apresentações de “A tecnologia assistiva em bibliotecas públicas: uma abordagem preliminar sobre sua importância e contribuição para usuários com deficiência”, com Danielle Wellichan (UNESP/ Marília) e Eduardo Manzini (UNESP/ Marília); “Interleitores: práticas de leitura compartilhada na biblioteca da EMEF Arnaldo Gri, com Juliano de Lima Rodrigues Bibliotecário (EMEF Arnaldo Grin); Clarissa Paz de Menezes – Especialização em Psicopedagogia (EMEF Arnaldo Grin); Cristine Zirbes Severo – Mestre em Literatura Brasileira (EMEF Arnaldo Grin); Leitura, Arte e Prazer (Marceli Eduarda Charão Gambatto/ Pucrs); “O youtube como espaço de propagação da literatura na periferia: quando alunas adolescentes são empoderadas pela leitura e passam a ter voz ativa na comunidade”, com Letícia da Silva Santos (EMEF José Mariano Beck); Daphini Tamires Nogueira (EMEF José Mariano Beck); Pâmela dos Santos Dias (EMEF José Mariano Beck).

Sueli Souza Cagneti

O período da tarde começou com a fala de Sueli Souza Cagneti, professora, pesquisadora e escritora sobre a estética da literatura infantojuvenil e a pedagogia da leitura. Titular na Universidade da Região de Joinville há 25 anos, é mestre em Letras pela UFSC, doutora em Letras e Literatura Portuguesa pela USP e fez pós-doutorado na Itália. Durante sua exposição, ela citou vários trechos de Monteiro Lobato, fazendo a conexão com o papel e a responsabilidade do mediador e do bibliotecário principalmente no que será lido e em que momento será lido. “ É uma função muito importante de dialogar, argumentar, buscar no repertório o que se tem para formar uma nova ideia”, diz. Apesar de termos avançado nos últimos anos em termos de eventos literários e em criação de novas bibliotecas, o Brasil está sempre nas últimas posições do ranking em interpretação de texto. Para Sueli, passa muito pela função do mediador. “É preciso que o mediador veja para quem está dando o texto e que texto é esse que ele está dando para a pessoa”, diz.

Ainda ocorreram as mesas “Programa-expedição Vaga Lume e as bibliotecas comunitárias em comunidades rurais da Amazônia – garantia do direito humano ao livro, à leitura e à literatura em áreas de difícil acesso do Brasil”, com Márcia S. Licá e As bibliotecas e a leitura para o desenvolvimento sustentável: elementos para ação, que refletiu sobre as direções que o mundo atual nos apresenta e como as bibliotecas e a leitura devem enfrentá-los e contribuir no desenvolvimento sustentável, com Jeimy Hernandez Toscano, que é coordenadora de Leitura e bibliotecas do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe (Cerlac – Unesco). 

Para finalizar, a apresentação contou com a bela intervenção artística Pessoa e os outros eus, com Jairo Klein. Confira as fotos: 

 

Link para o álbum de fotos:  https://www.flickr.com/photos/feiradolivropoa/albums/72157700107995892/with/44873030365/

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Diego Lopes

 

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