Neste sábado, dez de novembro, foi lançado o livro “Poemas”, pela Libretos. A obra foi escrita em 1926 em francês pelo poeta Eduardo Guimaraens, falecido em 1928, e publicado em obra bilíngue, traduzida pelos poetas Lívia Petry e Alcy Cheuiche. O evento aconteceu às 18 horas, no Salão Mourisco, da Biblioteca Estadual do RS (Rua Riachuelo, 1190).

A neta Maria Etelvina Guimaraens, organizadora do livro,  e netos e bisnetos da família Guimaraens estiveram para homenagear a memória de um dos grandes poetas do simbolismo brasileiro. A título de sessão de autógrafos, a obra será carimbada pelos familiares com ex-libris do poeta feira por ele mesmo. Eduardo Guimaraens também foi o patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, de 1969. 

A organizadora Maria Etelvina Guimaraens apresentou o livro  e um pouco da trajetória do avô, que foi também diretor da Biblioteca Pública do Estado, poeta, tradutor, expoente das Letras, tendo participado de várias publicações literárias, inclusive da revista portuguesa Orpheu, que contava com colaboração de Fernando Pessoa. Maria Etelvina também explicou sobre a descoberta desses novos poemas em uma exposição no museu de Pessoa em Portugal, durante uma viagem que ela fez com o marido para lá. Emocionou-se na hora. 
“Nosso avô morreu cedo, muito cedo, aos 36 anos. Seus filhos Dante Gabriel e Carlos Rafael tinham quatro e dois anos. Assim, nosso avô jovem foi sempre uma presença ausente. Nosso avô jovem era poeta simbolista, foi diretor da Biblioteca Pública do Estado. Era questão certa no vestibular. A beleza de seus poemas sempre permeou nossas vidas. Assim como a música da Dinha, nossa tia bisavó cantora que tinha seus 90 anos. Nossos encontros, dos primos, nos sábados à tarde, na casa dela, eram aventura, afeto e memória. Os saraus de seu aniversário, dia 6 de fevereiro, eram encantados com poesia, música, dança. Na casa da Duque.”

Lívia Petry fala sobre a obra do autor. “Eduardo Guimaraens é um dos expoentes do Simbolismo no Brasil e este livro vem mostrar um pouco da sua produção. O Simbolismo nasceu na França e tem entre seus precursores e principais seguidores poetas como Baudelaire, Mallarmé, Verlaine, Rimbaud, entre outros. Este movimento caracteriza-se particularmente por dar à poesia o status de arte total: para os simbolistas, a poesia deveria evocar a melodia da música, e também as cores das paletas dos pintores, os cheiros que inun­dam as cidades e os campos, a textura da pele das crian­ças, enfim, ser cinestésica e completa.

Eduardo Guimaraens segue à risca esses preceitos e faz com que ao lê-lo sejamos levados pelo tom melódico das palavras. Os versos deste poeta bem podem ser chamados de canções, tais as suas aliterações e assonâncias, que fazem deles verdadeiras melodias. Também suas imagens nos levam para o mundo das sensações: podemos tocar, cheirar, sentir seus poemas.”

Contemporâneo de Fernando Pessoa, a obra de Eduardo Guimaraens está presente na exposição sobre o poeta português, que está em cartaz no Santander Cultural. No final, também ocorreu uma apresentação musical da cantora lírica Nelly Baudalf, de duas pequenas árias favoritas de Eduardo Guimaraens.

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Bere Fischer

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