Eles são responsáveis pelo primeiro contato de muitas crianças com o universo infinito dos livros. Os mediadores de leitura atuam em escolas e bibliotecas criando pontes, formando leitores e contando histórias.

Pelo segundo ano consecutivo, a 64ª Feira do Livro de Porto Alegre sediou o Encontro de Práticas em Mediação de Leitura, na Livraria Paulinas, onde foram compartilhadas diversas iniciativas na área. O evento é uma realização do Núcleo de Mediadores de Leitura da Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL) em conjunto com o Instituto Federal Sul Campus Camaquã.

Entre as experiências compartilhadas, houve o relato de uma contação de história por uma personagem drag queen, além de curtas-metragens produzidos em bibliotecas públicas. Para Ana Cecato, coordenadora do Núcleo na CRL, “a ideia é ampliar esse universo da mediação da leitura não só para o espaço escolar mas para outros, como as bibliotecas comunitárias, e para que esses mediadores possam estabelecer pontes entre esses projetos”. Sandra Salenave, também coordenadora do projeto e representante do Instituto Federal, conta que o encontro é importante para unir os envolvidos. “Muitas pessoas fazem ações sozinhas nas suas bibliotecas, nas suas comunidades. Aqui é o momento de troca, de aprendizagem”, disse.

A palavra poética e o poder da imaginação

Quem abriu o encontro foi a escritora paulistana Selma Maria. Imaginativa, ela propôs uma série de brincadeiras com o público, usando muita criatividade para mostrar que a palavra é um mundo de histórias possíveis. “Em casa de educador, militar não é substantivo, militar é verbo. A gente milita sobre a palavra, sobre a liberdade e sobre a poesia”, disse, saudando Paulo Freire.

Parafraseando o autor José Paulo Paes, a escritora afirmou que a palavra é o brinquedo do mediador, e que “quanto mais se usa esse brinquedo, mais novo ele fica”. Incentivando o lúdico e a interatividade na mediação de leitura, a autora defendeu ainda que a contação de história tem o dom de trazer sorrisos para que ouve. “As histórias estão aí, não precisamos de escritório para criá-las, achamos a palavra poética no milho do dia-a-dia”.

Texto: Thaís Seganfredo
Fotos: Bere Fischer

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