Crédito: Bere Fischer


No início da noite de domingo (11), o Teatro Carlos Urbim foi palco da segunda edição do Sarau das Gurias. A atividade foi composta pelas escritoras Cíntia Moscovich, Jane Tutikian (patronas da 62ª e da 57ª Feira do Livro, respectivamente) e Paula Taitelbaum; leitura dramática com a atriz Vika Schabbach; teclado e voz com a pianista Dionara Schneider; e na mediação a professora Márcia Ivana de Lima e Silva. As cinco convidadas estavam com uma camiseta com a estampa: “Leia, escreva e publique como uma mulher.”

A proposta era fazer um sarau musicado, discutindo os textos das autoras contemporâneas, além da interação com o público. Jane deu início ao evento, contando sobre o seu processo criativo em relação ao texto Fábula do hoje. “Fábula do hoje aconteceu quando apareceu um gato na minha casa. Ele era preto, lindo. Meus filhos se apaixonaram pelo gato e ficaram com ele. Mas, logo depois, eu soube que a nossa vizinha ganhou um gato e foi lá em casa perguntar sobre. Preto e de de olho amarelos, ela disse, igual ao que estava lá em casa. Meus filhos deram um nome pra ele, e a vizinha tinha dado outro. Em cada casa ele tinha um nome diferente”, contou.

Vika leu o texto escrito pela atual vice-reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com o máximo de encenação possível. Logo após, Dionara cantou “O Amanhã Colorido”, de Duca Leindecker. Jane brincou e disse que as cinco primeiras pessoas que comprassem seu livro, ganhariam a atriz e a pianista de brinde, para deixar a leitura mais próxima.

Crédito: Bere Fischer

Na sequência, Cíntia compartilhou seu processo para escrever o Tempo de Voo, texto no qual um homem que presencia um atropelamento não pode ajudar. A inspiração partiu de uma oficina ministrada pela escritora sobre o tempo de ação. “Assim como o tempo da escritura, o tempo da leitura, existe o tempo da ação. A intenção que a gente quer dar ao escrever uma passagem, fazer prolongar a ação, transformar algo que acontece em segundos para cinco minutos de leitura. Pedi para os meus alunos narrarem uma caneta caindo. Foi um exercício de oficina para tornar mais dramático uma ação”, disse.

Das leituras que Vika fez, possivelmente esse texto tenha sido o mais dramático, devido a cada detalhe, cada segundo da ação sendo muito bem descrita. Prendendo a atenção do público, o final revela o motivo pelo qual o homem não tinha como socorrer a vítima do acidente, pois ele “está preso a duas pernas que não andam e a duas rodas que não voam”. A música tocada e cantada por Dionara foi “Flor de ir embora”, de Fátima Guedes.

A poeta Paula encontra dificuldade na hora de dar um título a um texto seu. “Eu não lembro como foi o meu processo de criação. Eu pego umas coisas que escrevi em diferentes momentos da vida e penso: ‘fui eu quem escreveu isso?’. Acho que esse que a Vika vai ler, saiu no meu segundo ou terceiro livro. Vejo poemas como catarses, uma necessidade de botar pra fora, e não coloco títulos, porque parece que é spoiler ou limitante. Tu está limitando o que ele pode ser”, comentou.

No momento em que a teoria virou prática, Vika leu o poema selecionado, acompanhado pelo teclado, que falava das questões das mulheres, diferentemente dos textos eróticos de Paula. A música escolhida para contribuir com a leitura dramática foi “Perdendo Dentes”, da banda Pato Fu.

O Sarau das Gurias também contou com a participação especial da patrona da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre, Maria Carpi.

Crédito: Bere Fischer

Texto – Airan Albino
Fotos – Bere Fischer
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