Crédito: Diego Lopes


“Tem uma borboleta em ti, isso é bom”, falou o educador Erick Flores para uma colega, ao chegar no Teatro Carlos Urbim. Talvez não tenha sido o acaso. No final da manhã desta segunda-feira (5), a 64ª Feira do Livro de Porto Alegre recebeu a primeira atividade com o escritor e ilustrador australiano Stephen Michael King.

Escolas do Ensino Fundamental de Cachoeirinha, São Leopoldo, Gravataí e Porto Alegre participaram do evento “O Autor no Palco”, traduzida consecutivamente por Marco, que veio junto de King. O australiano falou para as crianças o quanto gosta de fazer arte. “Quando era mais novo, eu queria ficar rodeado de livros, era todo diferente”, disse. Michael foi influenciado pelos pais a ler, foi uma alternativa para superar uma dificuldade auditiva, detectada na infância.

Os personagens do escritor refletem a sua vida, suas relações, e ele encontrou em animais a melhor maneira de passar isso aos seus leitores. “Eu não sou um urso, não sou um gato, não sou uma girafa, mas gosto das características deles”, explicou aos jovens. Entretanto, apenas falar, ainda mais em uma conversa de inglês para português, não estava sendo suficiente para o convidado. Ele pediu materiais que lhe permitiram interagir com o público. “Eu queria desenhar para vocês todos, porque é a coisa que mais gosto de fazer”, confessou.

Crédito: Diego Lopes


Acompanhado de lápis de cor e giz de cera, o autor mudou a dinâmica da fala, passou a desenhar e a explicar seu método de criação. Entre os primeiros rabiscos, Michael fez uma comparação interessante: “Picasso disse que o desenho deve cobrir todo espaço disponível. As crianças, quando desenham, fazem o mesmo, utilizam todos os cantos de uma folha. Os grandes artistas desenham como crianças”. No meio da explicação, os traços tomaram forma e já era possível ver um dos personagem no Teatro, o urso de “O Urso e a Árvore”. Terminado o desenho, ele falou sobre sua construção nas histórias: “Alguns dos meus personagens são sozinhos, mas a maioria deles são amigos”, mostrando o urso junto de um passarinho.

O momento seguinte da atividade foi uma série de questões (muito) elaboradas pelos alunos. Confira algumas perguntas e respostas:

Pergunta do aluno(a): Qual sua expectativa com a 64ª Feira do Livro?
Resposta Stephen Michael King: Eu estava ansioso para conhecer o Brasil, achei que seria divertido. Está sendo mais do que divertido.

A.: Você acredita na aproximação das pessoas, através da história escrita?
SMK.: Acredito sim. Eu não escrevo para vender livros, mas para que as pessoas leiam, e, também, para que elas se aproximem.

P: Quem era o Homem Que Amava Caixas?
R: Quando eu tinha 29 anos, escrevi essa história olhando para o meu passado, foi uma forma que encontrei de fazer isso. E o homem que amava caixas tem, basicamente, as características do meu pai.

P: Ainda existe dificuldades dos pais em dizer aos seus filhos que eles os amam?
R: No Brasil eu não sei, mas na Austrália a demonstração de amor está melhorando, os pais e os filhos estão mais próximos.

P: Qual livro seu é o mais o real?
R: “Folha”, por causa do meu problema auditivo e como tive que desenvolver minha criatividade.

Michael King, Antônia e Roberto Jardim. Crédito: Diego Lopes


O desenho que vai virar quadro
Antônia de Souza Jardim, 9 anos, é uma grande fã de King. Seu pai, Roberto Jardim, a trouxe para a Feira do Livro, na tentativa de autografar alguns dos livros do autor. “Quando ela tinha 4 anos, não lembro se foi no natal ou no aniversário, ela ganhou um livro do Stephen de presente, ‘Pedro e Tina’. Ela amou e, desde então, sempre pede para comprar livros dele”, contou. Mesmo com muita vergonha, Antônia diz que seu livro preferido é “Pedro e Tina” por causa dos personagens. “Eu gosto do desenho dele. Achei ele simpático, e o desenho que ganhei é bonito”, falou no ouvido do seu pai que disse para a reportagem. No final, Roberto comentou com Antônia: “Nós vamos botar num quadro, né filha?”, ela acenou positivamente para o pai.

Erick Flores. Crédito: Diego Lopes

Viajando no globo
Após a fala no Teatro Carlos Urbim, Stephen Michael King e Marco foram à Biblioteca Moacyr Scliar (localizada no térreo do Memorial do Rio Grande do Sul) conversar com crianças-leitoras da ONG Cirandar. A organização trouxe jovens que participam da Biblioteca Comunitária da Vila Nova Chocolatão, e da Ilha dos Marinheiros. O educador Erick – que notou a presença de uma borboleta como uma boa nova – disse estar mais contemplado com o segundo momento de atividades.

“Apesar de uma atividade mais palestra ser difícil para crianças, foi importante elas terem contato com um escritor, ainda mais estrangeiro. Um contato com outra língua, com outra cultura, quebra barreiras, quebra fronteiras. Nós mesmos trabalhamos os livros do King viajando pelo globo com eles. Esse momento aqui, mais interativo, está sendo muito bom para elas”, afirmou.

Texto – Airan Albino
Foto – Diego Lopes
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