Nesta segunda-feira, 12 de novembro, aconteceu mais uma edição do Ciclo Vinte e Dois Livros que abalaram o mundo (e que ninguém lê mais…), organizado pela Secretaria Municipal de Cultura, de Porto Alegre, e que integra a Feira Fora da Feira. Desta vez o livro abordado foi “Trópico de Câncer”, de Henry Miller. Pedro Gonzaga comentou a obra lançada em 1934 e que causou muita controvérsia na época chegando a ser proibida devido ao seu conteúdo conter cenas pornográficas ou consideradas obscenas.

Trópico de Câncer é uma narrativa em primeira pessoa, que mostra as desventuras de um escritor norte-americano desconhecido através de suas andanças por Paris. O romance não segue um fluxo linear. O personagem percorre bulevares, cinemas, cafés ordinários, prostíbulos, livrarias, cabarés e pensões  baratas. Envereda por digressões do narrador acerca de livros, ele passeia por todos os cantos da cidade, a história às vezes se paralisa frente a alguma personagem, como as diversas prostitutas que surgem diante do narrador. Cada uma com seu pormenor, sua complexidade própria – sua riqueza interior.

Gonzaga afirma que muito do personagem é o próprio autor, que na época tinha quarenta anos e resolveu abandonar sua família nos Estados Unidos para viver como uma espécie de Andarilho em Paris, que na época era a capital do mundo. Nesse sentido, ao fazer a releitura da obra agora e procurar críticas sobre, o palestrante notou que elas vão agora além do livro, mas sobre a vida do autor e a questão do abandono. Para ele, a obra é muito pós-moderna, no sentido de trazer a autoficção, do protagonista ser um duplo do autor, e os personagens serem figuras reais ficcionalizadas. “É uma autobiografia, se aceitamos que autobiografia é uma mentira. A trama é minimalista, não há exatamente uma história total sendo contada” diz.

Trópico de Câncer permaneceu proibido durante 30 anos nos Estados Unidos, a luta foi longa, mas finalmente, em 1964, Henry Miller venceu a batalha jurídica e foi publicado legalmente nos EUA. Antes disso seus livros já circulavam clandestinamente pelas mãos de estadunidenses que, como Miller, não aceitavam se curvar a interdições absurdas.

Confira as próximas palestras:

Terça-feira, 13

17h – Rodrigo de Lemos (UFCSPA) – A Condição Humana (1933) – André Malraux
18h – Lúcia Serrano – O Amante de Lady Chatterley (1928), de D. H. Lawrence 

Quarta-feira, 14

17h – Sergius Gonzaga (Ufrgs) – Livro-surpresa (1927)
18h – Voltaire Schilling (historiador) – Arquipélago Gulag (1973) – A. Soljesnitsin Quinta,

Quinta-feira, 15

16h – Ana Carolina Seffrin – Delta de Vênus, histórias eróticas (1940), de Anaïs Nin

17h – Carlos Veit, Tornar-se Pessoa (1954), de Carl R. Rogers.

18h – João A. Nicotti –  Doutor Jivago (1956), de Boris Pasternak.

Sexta-feira, 16

16h – Luis Augusto Fischer (Ufrgs) – Livro-surpresa (1987)

17h – Juremir Machado da Silva (PUC) – A Idade da Razão (1946) – J. P. Sartre

18h – Jeferson Tenório (escritor) – Numa Terra Estranha (1962) – James Baldwin

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Diego Lopes

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