Wagner Schwartz precisava se sentir menos estrangeiro no país que o destino escolheu para ele viver, a França. Coreógrafo e performer, naquela época, por volta de 2010, ele ainda não sabia que seria alvo da censura conservadora no Brasil, após fazer uma performance nu no Museu de Arte Moderna, em 2017.

“Mesmo após cinco anos, a língua estava lá fora, eu precisava de algo mais perto de mim, por isso esse livro é muito mais físico do que intelectual”, ele explicou ao público, no salão de Bridge do Clube do Comércio, na tarde dessa quarta-feira (14), em uma conversa em parceria com a Aliança Francesa.

O livro a que se refere é “Nunca Juntos Mas ao Mesmo Tempo”, que ele escreveu em duas línguas simultaneamente: o francês e o português – ou “brasileiro”, como lhe diziam os parisienses. E foi despretensiosamente, pela necessidade de se comunicar com a cidade, que ele começou a colocar sentidos no papel.

Como explicou à plateia, seu processo de criação literária tem muito em comum com o trabalho que realiza ao criar uma coreografia. “Há uma tensão física que envolve a escrita. Tanto a dança quanto a literatura envolvem uma única matéria, que é o corpo. E o que me interessa nesses trabalhos é como o corpo se apresenta”, relatou. “No movimento do corpo no ar e no movimento das mãos no papel, “a gente repete, dá pausa, tenta reinventar uma nova forma de dizer alguma coisa”.

Foram cinco anos de envolvimento físico e afetivo nessa busca pelo encontro, que acabou em uma intimidade, ainda que “intuitiva”, como explica Wagner, entre ele e o idioma.  “Foi graças a ela que eu entendi, a partir do meu movimento  interno, o que era a Paris que estava à minha frente. Aí eu fiz as pazes com a cidade”, disse.

Texto: Thaís Seganfredo
Foto: Bere Fischer

 

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