Festival do Japão RS participa da Feira do Livro com uma programação voltada a oficinas e palestras

O maior festival de cultura japonesa do estado marca presença na área internacional da Feira do Livro de Porto Alegre no Espaço do Conhecimento Petrobrás. Com atividades que começaram às 10h, com a exibição de vídeos sobre o Japão, a cultura Japonesa e o Festival do Japão no Rio Grande do Sul; seguida de palestras e apresentações sobre como estudar no Japão, por meio de Bolsas de Ensino Superior oferecidas pelo governo japonês; e também a exibição de documentário sobre imigração japonesa no Rio Grande do Sul às 12h30min.

A abertura oficial do evento aconteceu às 14h e contou com o Cônsul do Japão em Porto Alegre Takashi Kondo e a vice presidente do Festival do Japão, Carol Ayako. Além de uma apresentação de taikô. Em sua fala, Kondo agradeceu à Feira do Livro pelo espaço e desejou uma boa Feira a todos os presentes. “A participação não é apenas para preservar a cultura japonesa, mas também o intercâmbio entre os gaúchos e os japoneses e fortalecer os laços. No meu entender somente através do conhecimento podemos entender melhor a cultura de outros outros povos”, acredita. Já a representante da organização do Festival do Japão RS, Carol Ayako, fez um resumo das últimas sete edições e também fez um breve panorama histórico da imigração nipônica no Rio Grande do Sul. “No primeiro festival a gente esperava em torno de três mil pessoas e acabaram indo mais de 14 mil. Cada ano a responsabilidade aumenta mais, assim como cresce muito o público”, diz. Nesses sete edições foram em torno de 300 mil pessoas que passaram pelo evento, sendo 50 toneladas de alimentos arrecadados, se tornando o maior evento de cultura japonesa do estado.


O Festival do Japão tem como objetivo divulgar a cultura japonesa no Rio Grande do Sul e em 2018 foi comemorado os 110 anos da imigração japonesa. É um evento realizado anualmente, sempre no mês de agosto em um final de semana próximo à data de 18/08, considerado o Dia do Imigrante Japonês no Rio Grande do Sul. O evento, então, celebra o dia como uma forma de preservar a cultura e as tradições do país de origem entre os descendentes dos imigrantes japoneses. Ao mesmo tempo, integra os laços culturais entre os povos, mostrando ao público admirador os hábitos, costumes, culinária, expressões artísticas e outras práticas relacionadas ao cotidiano do povo japonês.

Confira a programação:


14:30 – Oficina de Origami (Dobradura)


15:20 – Oficina de Karuta (Jogo com Poesia antiga)


16:10 – Oficina de Soroban e Go (Matemática)


16:50 – Apresentação de Danças Japonesas e de Taikô (tambores)


17:20 – Palestra de introdução à Língua Japonesa


17:50 – Palestra sobre Literatura Japonesa: Haruki Murakami na Literatura Japonesa


18:20 – Palestra sobre Literatura Japonesa: Lightnovel como Gênero Contemporâneo da Literatura Japonesa


18:50 – Oficina de Mangá (quadrinhos japoneses)


19:40 – Oficina de Hai Kai (Poesia)

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Texto – Rafael Gloria

Fotos – Bere Fischer

Artistas com deficiência mostram seu talento na feira

No Brasil, mais de 45 milhões de pessoas tem alguma deficiência, segundo o IBGE. os dados, porém não se refletem no direito a muitos serviços, entre eles a cultura. Ainda que a questão da acessibilidade cultural precise avançar em muitos aspectos, o Ciclo Inclusivo, realizado na manhã deste sábado (17) no Teatro Carlos Urbim, contribuiu um pouco para a causa.

O evento foi um momento de mostrar o protagonismo desses artistas, com apresentações de música, dança e contação de histórias com tradução para LIBRAS.

Marcos Davi é artista desde os 14 anos. Em 2006, ele sofreu uma lesão medular e não parou de seguir o seu talento. Atualmente, ele é vocalista da banda Muitos Outros, uma das atrações do Ciclo, que se apresentou com covers de rock da música brasileira. “Faz 5 anos que estamos com esse projeto chamado Show Vencendo Limites, que nós nos apresentamos em peças de teatros, feiras, mostrando como vencer limites através da arte”, diz.

Marcos também é presidente e fundador do Instituto Acessibilizar, que está lançando um novo projeto: uma escola de música para pessoas com e sem deficiência, de modo a promover a inclusão.

A manhã foi recheada de atrações, com meninas cadeirantes flutuando no ballet inspirado em Alice no país das Maravilhas e contação de histórias com o projeto Memória Livre e Angélica Rizzi. O Ciclo Inclusivo foi uma realização do Comitê de Voluntários pela Acessibilidade da Feira do Livro, que conta com serviços como empréstimo de cadeira de rodas na Estação de Acessibilidade, na Praça dos Autógrafos.

Além disso, no Espaço Cultural Paulo Freire (térreo do Memorial do RS) acontece a Exposição de Artes do projeto Conhecer para Empoderar – Associação AFAD Porto Alegre e Desenvolver Inclusão e Diversidade.

Texto: Thaís Seganfredo
Fotos: Diego Lopes

Mina Agossi e o jazz que reconecta

Crédito: Bere Fsicher

No início da noite de sexta-feira (16), a cantora francesa de origem do Benim, Mina Agossi, se apresentou no Auditório Barbosa Lessa, no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo. O show “O jazz de Mina Agossi e trio” foi uma parceria entre a Aliança Francesa e a Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL). Com sua extensa bagagem cultural, a apresentação uniu o jazz a ritmos africanos, caribenhos e europeus, logo contemporâneo.

Em vez de dizer que a música de Agossi é marcada pela falta de instrumentos, sua harmonia está no ritmo da palma da mão de todos que estão no show, no palco ou não. Até mesmo os silêncios, causados pela imagem divina passada pela cantora, corroboram para o show. Uma conexão entre ela e os músicos se estabeleceu claramente para o público, que respeitou e quis estar presente dessa ligação durante 1h30min.

Crédito: Bere Fsicher


Palmas, percussão, baixo acompanharam a voz de Mina Agossi que iniciou cantando para o Barbosa Lessa lotado “Afro Blue”, música clássica composta pelo cubano Mongo Santamaría (1917-2003) que ganhou letra, anos depois, de Erykah Badu. O jazz tem como grande diferença dos ritmos atuais canções longas, e Agossi explorou essa característica, cantando por mais oito minutos cada música.

As palmas que viraram aplausos pararam mais uma vez para ouvir “Another Life”, música do seu mais recente álbum UrbAfrika. Nesse disco, a cantora buscou se reconectar com o Benim, explorando a tradição musical do país. Mesmo com poucos instrumentos, os solos de cada músico, e a voz de Mina tocaram todos que estavam no auditório. Tanto que até mesmo os que chegaram atrasados ao Centro Erico Verissimo mantiveram uma esperança de conseguir um pequeno lugar para assisti-los.

Fluente em mais de um língua, a cantora cantou “Águas de Março” em inglês, com partes em português, sendo um dos momentos mais marcantes da apresentação. O show de Mina Agossi foi realizado pela Aliança Francesa, após a apresentação única dentro da programação da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre, o trio irá para São Paulo, Campinas e Niterói.

Texto – Airan Albino
Fotos – Bere Fischer

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A vida e a obra efervescente de Júpiter Maçã

Júpiter Maçã recebeu justa homenagem pelo conjunto da sua obra nesta sexta-feira, 16 de novembro, no Teatro Carlos Urbim. O jornalista Cristiano Bastos, co-autor da biografia “Júpiter Maçã: A Efervescente Vida & Obra”, falou sobre o processo de escrita do livro, e recebeu o acompanhamento do conjunto musical Império da Lã, formado por Carlinhos Carneiro e Chicão Bretanha.

O evento começou com a apresentação da música “A Marchinha Psicótica de Doutor Soup”, do álbum Sétima Efervescência interpretada pelos dois representantes da Império com Lã. Para Cristiano Bastos, que também é autor dos livros “Gauleses Irredutíveis” e “Julio Remy – história de amor e morte”, Flavio Basso mudou o rock gaúcho e, também, sendo influente a nível nacional. O bate-papo girou principalmente sobre o primeiro álbum solo de Júpiter, intitulado “A Sétima Efervescência”, gravado em 1996 e lançado em 1997, que chegou a ser considerado um dos cem discos brasileiros mais importantes pela Revista Rolling Stone. “Ele fez esse disco em uma época na qual quem dominava a cena musical era o Mamonas Assassinas, o Mangue Beat…ele olhou para trás, para os anos 1960 e transformou aquilo em algo novo, e cantando em português. E hoje, vinte anos depois, todo mundo conhece essas músicas”, afirma.

Para Carlinhos Carneiro, Júpiter se expunha muito nessa época do Sétima Efervescência  e depois, no Tarde da Fruteira. “Neste tem exposição clara da vida dele, alcoolicamente, psicologicamente, meio que antecedendo o que aconteceria depois na vida dele”, relata. Bastos conta uma curiosidade, o codinome Júpiter era uma homenagem ao seu avô que assinava com essa alcunha uma coluna em um jornal de Cruz Alta. Apple era porque a sua avó pelo lado materno se chamava assim. “Era uma pessoa que não olhava para trás, e era difícil convencer ele a tocar antigos repertórios”, explica. Um artista de várias e complexas facetas, sempre em efervescência. 

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Diego Lopes

Caio F., os astros e a academia

“Eu costumo pensar que o Caio é uma galáxia e tem muitos meteoros ao redor dele”, diz Israel Fritsch, definindo o fascínio que a academia tem pela obra de Caio Fernando Abreu e, é claro, por sua personalidade. O autor, que faria 70 anos em 2018, foi tema de diversas homenagens nos últimos meses, mas os pesquisadores não se cansam de escrutinar a riqueza de seu universo desde os anos 1990, desde seu lugar na literatura LGBT à influência da astrologia em sua obra.

Israel é um desses pesquisadores, e expôs o tema de seu mestrado em uma mesa na 64ª Feira do Livro de Porto Alegre nessa sexta-feira (16), com a coordenação de Marcia Ivana de Lima e Silva, da UFRGS. “Quando um leitor se envolve com os textos de Caio, se torna fã na concepção mais pop do termo”, diz, classificando Caio como um “autor performático” que trouxe muito de suas vivências para suas obras. Pode-se dizer que é consenso que os textos de Caio são repletos de camadas, e Israel cita, por exemplo, o conto “Aqueles dois”, no qual o tema mais óbvio é o homoerotismo, mas que também traz assuntos como a burocracia, “à qual Caio tinha ojeriza”, opina Israel. O trabalho de Caio como jornalista o frustrava, bater ponto era algo chato, acredita Israel.

As cartas escritas pelo autor ao longo de sua vida são o objeto de estudo de Israel. É através delas que vemos outra dimensão de Caio, como fãs que conhecem a intimidade de um astro. O pesquisador conta que Caio escreveu várias delas, desde que era era adolescente, nos anos 1960, até o fim de sua vida, na década de 1990. “As cartas são a melhor biografia que o Caio nunca escreveu”, defende o mestrando. Ou melhor, formam a obra de autoficção de Caio, conceito no qual o autor se permite criar elementos para falar de si mesmo. “Elas nos permitem ser um pouco voyers”, diz.

E se a intimidade das correspondências de um artista já é um tanto quanto clichê na academia, há espaço para ousadias, como a de Amanda Costa. Sua história com Caio começou quando ela o via caminhar pelas ruas da Cidade Baixa e do Menino deus. Antes mesmo de começar a ler suas textos, já era “fissurada” pela figura do homem, como lhe disse um amigo. Foi num evento literário nos anos 1980 que uma conversa hoje tão comum (e um tema tão amado quanto odiado os uniu): a astrologia.

Esse é justamente o tema de sua dissertação de mestrado deu origem à obra “360 Graus: Inventário Astrológico de Caio Fernando Abreu”, na qual ela estuda as relações da astrologia com a obra de Caio. Segundo Amanda, o tema está, por exemplo, nos contos “Marinheiro” e “Pela noite”, nos quais ele aborda os signos de escorpião e câncer, respectivamente.

Mas a jornada da pesquisadora (agora doutora em Estudos de Literatura), até o resultado foi longa, já que sua primeira tentativa de realizar a pesquisa foi ainda no final dos anos 1980. Na época, o projeto não foi aceito. Duas décadas foram necessárias para o universo abraçar a ideia, pelas mãos do professor Luís Augusto Fischer que, como Caio, foi patrono desta Feira. Foi Fischer (“aquariano, cabeça aberta”, diz Amanda) que abraçou a ousadia da pesquisadora, que acabou lançando a obra em 2011. 

Texto: Thaís Seganfredo
Fotos: Pedro Heinrich

Tecnologia artificial para melhorar visões e vidas

O Espaço do Conhecimento Petrobras recebeu nesta sexta-feira, 16 de novembro, uma apresentação sobre a Orcam, uma tecnologia que promete melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência visual oferecendo independência ao permitir o acesso a informações visuais, transmitidas por áudio, em uma pequena câmera que pode ser conectada a um par de óculos. A tecnologia foi apresentada pelo representante Nataniel Pádua.

Pádua começou a apresentação, explicando alguns pormenores do sistema e que por ser um equipamento automático, que pode ler textos, reconhecer rostos, identificar produtos, notas bancárias e cores, e informa ao usuário a hora e a data, transmitindo informações visuais de maneira audível. Depois, ainda exibiu depoimentos de pessoas que utilizaram a tecnologia. Finalmente, então, alguns participantes testaram a tecnologia, e fizeram perguntas curiosos sobre o trabalho.

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Diego Lopes

Como são governadas as cidades brasileiras?

Em uma nação com mais de 5 mil municípios, como o Brasil, é natural que cada cidade apresente suas próprias formas de implementação de políticas públicas. O que constitui as diferenças entre as prefeituras e o que fez com que algumas tivessem mais eficiência em relação a outras?

Essas são algumas das questões levantadas no livro “A política, as políticas e os controles: como são governadas as cidades brasileiras”, da Tomo Editorial. A obra foi lançada na tarde dessa sexta-feira, com uma conversa na sala O Retrato, do Centro Cultural Erico Verissimo. O livro é uma coletânea de ensaios, fruto de pesquisas acadêmicas pelo país, com organização de André Marenco e Maria Noll.

Marenco explica que a Constituição Federal de 1988 atribuiu aos municípios prerrogativas e autonomia para a governança. nesse sentidos, os pesquisadores têm se perguntado sobre onde está o centro de poder e sobre a relação vertical entre poderes municipais, estaduais e federal. “Embora haja pesquisas suficientes sobre políticas públicas no âmbito federal e estadual, muito pouco se sabe ainda sobre o plano municipal”, diz. “Afinal, no que os municípios se diferem nesse sentido e o que levou a essas diferenças?”, questiona.

Texto: Thaís Seganfredo
Fotos: Pedro Heinrich

 

A agropecuária como vocação rio-grandense

Aconteceu na tarde desta sexta-feira, 16 de novembro, o lançamento do livro “Agropecuária: vocação rio-grandense de todos os tempos”, com o escritor Alcy Cheuiche e o engenheiro agrônomo, Floriano Isolan. A obra foi concebida para valorizar a área, considerada uma atividade basilar da economia gaúcha, mas também científica e cultural, e que está retratada na obra a partir também dos costumes e símbolos gaúchos. A edição foi produzida em comemoração aos 25 anos do Senar-RS. Patrono da Feira do Livro de 2006, Cheuiche vai reverter todo o valor das vendas dos livros que autografar para a Câmara Rio-Grandense do Livro. 

A publicação é simultânea em espanhol e trata-se de uma homenagem aos vizinhos do Prata pela riqueza do intercâmbio rural praticado há mais de dois séculos, num diálogo franco entre os produtores de nossos países. A obra narra fatos, registra depoimentos, mostra em fotos e resgata, nos documentos, ampla visão da história do campo.


Cheuiche começou a mesa declamando um poema sobre o chimarrão, ganhando aplausos da plateia presente. Apresentou o amigo Floriano Isolan e que também foi seu colega de faculdade, Floriano Isolan. Alcy, entretanto, fez veterinária, e Isolan, agronomia. Alcy esclarece que eles trabalharam com o objetivo de explicar por que o Rio Grande do Sul tinha essa vocação. O livro, então, explora muito da história de formação do Estado misturando a poesia das lendas com a pesquisa científica. Isolan afirma que é “um livro muito diferente porque obras desse tipo normalmente são muito técnicas, mas aqui se consegue mesclar a lenda e a história do Rio Grande do Sul também. O agrônomo escreveu sobre soja e a área florestal.

Sobre o processo de pesquisa, Cheuiche coloca que “algumas pessoas podem ficar surpreendidas por eu ter conseguido escrever um livro como este em apenas um ano. Acontece que, de 1981 a 2014, ou seja, durante 33 anos fui diretor da revista de ensino pós-universitário A Hora Veterinária, com ampla penetração em todo o Brasil. Assim, minha maior atuação como médico veterinário foi na área de comunicação científica, o que me facilitou imensamente a pesquisa deste livro”. O escritor é autor do romance histórico Sepé Tiaraju (com muitas edições em português e algumas em espanhol e alemão), o que o levou a conhecer o papel essencial dos 130 anos de existência dos Sete Povos das Missões no pionerismo em solo gaúcho da criação de gado bovino e ovino, do plantio da videira, do primeiro trigo, da domesticação da erva mate, entre outras atividades descritas nesta obra.

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Diego Lopes

Fake News em debate, painel relaciona comportamento digital com má informação

Crédito: Bere Fischer


Em novembro de 2016, o empresário e republicano Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos da América, ao vencer a candidata democrata Hillary Clinton. O resultado considerado uma surpresa, para muitos evidenciou um fenômeno que estava crescendo até então: as fake news.

Na tarde desta sexta-feira (16) aconteceu o painel “Fake News e o comportamento digital: reflexão sobre consequências”, promovido pelo Memorial Judiciário do Rio Grande Sul em parceria com a Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL). O evento, ocorrido no Auditório Barbosa Lessa, do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, contou com a participação da Juíza Márcia Kern e do advogado Leonardo Zanatta, sob mediação do Desembargador Umberto Sudbrack.

Segundo Zanatta, professor em Direito Eletrônico, as fake news atingem a população que se informa por meio de redes sociais. Sua apresentação mostrou que 7 em 10 notícias veiculadas nas redes – por dia, são falsas. “Nesse instante, 38 milhões de mensagens estão circulando no WhatsApp, 900 mil pessoas estão fazendo login no Facebook, e mais de 164 mil ‘roladas’ no Instagram. É muita coisa, né? Isso porque, hoje, a primeira coisa que a gente faz ao acordar é ver o que aconteceu enquanto nós dormíamos”, explicou.

Esse é o comportamento de quem faz parte da geração atual. Kern disse que a internet estabeleceu duas novas classificações de pessoas: os Nativos – pessoas que nasceram a partir do ano de 1994 que, portanto, já crescem sabendo lidar com as redes; e os Imigrantes – pessoas que nasceram antes dos nativos, então precisam se adaptar à forma como circula a informação nos dias de hoje.

Crédito: Bere Fischer


Atuante no juizado fazendário, a magistrada trabalha com casos de pessoas que podem cometer crimes, não criminosos. Recentemente, ela notou que as redes sociais influenciam novos crimes contra a honra, como ofensas e ameaças. Conforme a juíza, o Facebook, o Whatsapp​ e o Instagram são as plataformas onde a questão comportamental demanda ações indenizatórias.

“Quem são as pessoas que podem vir a cometer crimes? Teoricamente todos. Postar um: ‘Olha o que eu vou fazer contigo, eu vou te matar!’ é crime. De 30 a 40% dos processos que estão tramitando no juizado tem provas colhidas na rede, print de conversas do whats, print de posts, print de conversas no Messenger. Tudo que você escrever vai ser usado contra você. Então, tome cuidado”, afirmou a Dra. Márcia.

Palestrante ativo do tema, o advogado deu dicas ao público quanto aos cuidados para com as redes sociais. “Tudo que é publicado reverbera. É preciso ter cuidados nas relações de contrato, aquele ‘Li e aceito os termos’. É preciso estar atento às responsabilidades e aos riscos das redes”, comentou. Segurança, clareza, blindagem e promiscuidade dos dados foram tópicos apresentados para a platéia.

Comparando os escritos egípcios hieróglifos com os atuais emojis, ele deu algumas dicas: Trate suas senhas como suas roupas íntimas: Não compartilhe com ninguém; Troque regularmente; e Mantenha fora da mesa. Zanatta disse que, regularmente, mais de 15 milhões de notícias falsas são de compartilhadas.

O professor especializado no assunto falou de uma classificação feita pelo First Draft News, um projeto que analisa mídia, política e políticas públicas, da Universidade de Harvard. Consoante a Escola, as fake news podem se tratar de: sátiro-paródia, conexão falsa, contexto falso, conteúdo enganoso, conteúdo impostor, conteúdo manipulado e, principalmente, conteúdo fabricado.

Texto – Airan Albino
Fotos – Bere Fischer

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Aldyr Garcia Schlee ganha homenagem hoje na Feira

Foto: Gilberto Perin / Divulgação

A Feira do Livro de Porto Alegre convida para homenagem ao escrito Aldyr Garcia Schlee às 17h de hoje, na Praça dos Autógrafos.

Nascido em Jaguarão, Aldyr Garcia Schlee era escritor, jornalista, desenhista e professor. Escritor premiado nacionalmente, tinha larga experiência de pesquisa e produção literárias na área de Letras, com ênfase em literatura gaúcha. Foi vencedor duas vezes do prêmio da Bienal de Literatura Brasileira, cinco vezes do Prêmio Açorianos de Literatura e também do prêmio Esso de Jornalismo.

O escritor faleceu ontem à noite e será enterrado hoje, às 17h, na cidade de Pelotas, no Memorial Pelotas Cemitério Parque.

Dos clássicos à gramática, saiba mais sobre a Área Internacional

SBS Livraria Internacional. Crédito: Bere Fischer


A Área Internacional é um dos destaques da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre. De volta à Praça da Alfândega, ela está localizada em frente ao Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs). Seus oito estandes têm livros de gramática, dicionários, literatura infantil e adulta, gastronomia, arte, dança, fotografia, livros para coleção, de autoajuda, de religião e saldos.

Segundo balanço divulgado pela Câmara Rio-Grandense do Livro, o setor internacional teve aumento de 35% nas vendas comparado ao mesmo período em relação a 2017, de 1º a 11 de novembro. Os expositores fizeram a seleção das obras prestando atenção em autores e assuntos que são tendência atualmente.

No espaço, estão expositores de longa data da Feira, como a Livraria Francesa e a Calle Corrientes, mas, também, novos como a República Tcheca, país convidado de honra desta edição da Feira do Livro. Mesmo com uma relação baseada no mercado, os clássicos são bastantes procurados, como Gabriel García Márquez, Cervantes, Franz Kafka, Isabel Allende e José Hernández.

Veja um pouco sobre cada banca:

  • 1 – SBS Livraria internacional
    Expositor: Denilson Araújo
    Livros de ensino de idiomas: inglês, espanhol, francês, italiano, russo, coreano, chinês, árabe. É voltada, principalmente, para quem faz cursos de idiomas, mas também conta com literatura infantil e adulta. Tem saldos de livros de idiomas e literatura.
  • 2 – Livraria Francesa
    Expositor: Daniel Moretto
    Livros de didática, gastronomia, romance, dicionário, gramática e promoções.
  • 3 – Instituto Cervantes / Sur Livros
    Expositora: Sônia Lopes
    A Sur é uma editora de Florianópolis (Santa Catarina) que é parceira do Instituto. Livros de contos, coleção das anti-princesas, de romance e de política. Conta com obras de Gabriel García Márquez, Isabel Allende e sobre Frida Kahlo. Saldos de R$ 10, R$ 15 e R$ 20

Livraria Francesa. Crédito: Bere Fischer

 

  • 4 – Paisagem/ Taschen – Alemanha
    Expositor: Luis Valmar
    Trabalha com as editoras Taschen, Konnemann, H.F. Ullmann, Stampa e Caracter. Livros sobre arte, arquitetura, moda, fotografia e culinária. Com promoções de 30% a 50%.
  • 5 – Kodex Express
    Expositor: Sandra Savi
    Empresa apoiadora da Feira do Livro. Trabalha com soluções de logísticas modal em âmbito nacional. Conta com espaço para recreação de crianças.
  • 6 – República Tcheca
    Expositor: Roberto Schmitt Prym
    Livros sobre o turismo do país homenageado da 64ª da Feira. Também conta com traduções de contos, livros da poeta Markéta Pilátová, de Franz Kafka e de Milan Kundera.
  • 7 – Os Menores Livros do Mundo – Perú
    Expositor: Elias Avilio
    Livros para quem deseja presentear alguém ou está a fim de ampliar sua coleção. Grande procura por religião; histórias infantis, como “O Pequeno Príncipe”, e Martín Fierro. Seis tamanhos de livros diferentes: 5 cm x 6 cm a 1 cm x 1,5 cm.
  • 8 – Calle Corrientes – Livros em Espanhol
    Expositor: Miguel Ángel Gómez
    Livros que trabalham a temática do gaúcho e do castelhano. Especializada em sebos, também conta com a coleção infantil das anti-princesas, Mafalda, livros sobre futebol, sobre dança (tango e chamamé), dicionários, gramática, e clássicos como Dom Quixote e Martín Fierro.

Texto – Airan Albino
Fotos – Bere Fischer e Diego Lopes
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Damián Tabarovsky e a subversão da linguagem

Nesta quinta-feira, 18 de novembro, aconteceu a mesa Presença Argentina com o escritor Damián Tabarovsky no Auditório Barbosa Lessa, do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo. Quem mediu a mesa foi o músico e escritor Sergio Karam. O evento foi uma parceria da Feira do Livro com o Instituto Cervantes.

 Tabarovsky é autor do livro “Literatura de esquerda”, de 2004, e recém publicado no Brasil. Ao contrário do que o título poderia sugerir,  não é um ensaio que se debruça sobre obras e autores que se colocam sob uma perspectiva política de esquerda, mas um ensaio que põe em xeque o lugar da literatura hoje, o que realmente a anima e quais são as suas estratégias diante da criação. Perguntado sobre escritores que subvertem uma posição literária, ele se revela um  admirador de Borges e também acredita que a literatura sempre foi uma arte mais conservadora se comparada às outras artes.

A questão para ele passa por questionar algumas sínteses hegemônicas e que seria preciso pensar na micropolítica das frases. Uma questão também inerente ao discurso dos autores. Como exemplos de autores que fariam essa espécie de subversão ele cita Kafka, James Joyce, e também lembra do escritor gaúcho João Gilberto Noll. 

Confira a entrevista que realizamos com o autor clicando aqui.

Texto – Rafael Gloria

Fotos – Pedro Heinrich

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