Foto: Adrise Ferreira

Itamar Vieira Junior e o premiado romance “Torto Arado”

“É um romance magnífico, esplêndido”. Assim a professora Regina Zilberman, já nas primeiras palavras do encontro “Mundo rural, história e literatura”, definiu a obra “Torto Arado”, neste domingo, no Auditório Barbosa Lessa do CCCEV. Ela apresentou à plateia o escritor baiano Itamar Vieira Junior e sua obra agraciada com o Leya 2018, prêmio português de literatura.
Zilberman fez uma espécie esquematização do romance para o público entender o contexto da obra. Logo após teceu comentários de que “Torto Arado” é um anti Guimarães Rosa, porque não faz concessão ao regional, traz o legado dos escravizados e é também um livro político, porque fala da ocupação da terra. Ainda, traçou comparações entre a obra do autor baiano com “O tempo e o Vento” de Erico Verissimo e “Levantado do Chão”, de José Saramago.

Itamar Vieira Junior agradeceu a análise precisa de Zilberman e lembrou que no Nordeste brasileiro, onde o romance se passa, ainda existem pessoas vivendo em regime de servidão, de forma precária, sem um chão, que é o direito humano mais elementar. “A escravidão não acabou em 1888. Ainda está no nosso tempo”, enfatizou o autor. Itamar foi além, dizendo que “vivemos em um mundo precário e policiado”.

Foto: Adrise Ferreira

Sobre personagens que compõem “Torto Arado”, o escritor salientou: “As leituras que a gente faz são inspiradoras. A literatura nos leva por tantos caminhos e isso é mágico. Foi assim, lendo a obra de escritores, como Erico Verissimo e José Saramago, que acalentei o desejo de contar histórias, de escrever”.

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